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- Confira a agenda dos blocos que vão animar o Carnaval de Jacarepaguá
Desfile do Fregobloco em 2025. | Foto: Fernanda Calé / Agência Lume Neste ano o bairro do Anil ganhou um bloco e a Freguesia terá três blocos desfilando. Veja: A Zona Sudoeste já está em clima de carnaval, e Jacarepaguá se prepara para receber uma série de blocos que vão animar bairros como Freguesia e Anil, além de Taquara, Pechincha, Curicica, Vargem Grande, Barra da Tijuca, Recreio e Vila Valqueire. A programação de 2026 inclui blocos tradicionais e estreantes, com desfiles para todos os públicos, de famílias com crianças a foliões que gostam de cortejos mais cheios. Blocos na Freguesia Cala a Boca e Dança Data: 25/01/2026 (domingo) Horário: 09:00 às 14:00 Local de concentração: Rua Xingú, 307 – Freguesia (Jacarepaguá), Rio de Janeiro – RJ Percurso: Rua Xingú, 307 até o Shopping Main Street, Bloco 1, Estrada dos Três Rios, 200 – Loja 103 – Freguesia Ano de fundação: 2026 Público estimado: 200 pessoas Batucar pra Ser Feliz Data: 08/02/2026 Horário: 10:00 às 13:00 Local de concentração: Estrada dos Três Rios, 002 – Freguesia (Jacarepaguá), Rio de Janeiro – RJ Percurso: Estrada dos Três Rios, 002 até Rua Xingú, 322 – Freguesia (Jacarepaguá) Ano de fundação: 2025 Público estimado: 200 pessoas Fregobloco Data: 15/02/2026 Horário: 07:00 às 12:00 Local de concentração: Estrada dos Três Rios, 271 – Freguesia (Jacarepaguá), Rio de Janeiro – RJ Percurso: Estrada dos Três Rios, 271 até Estrada dos Três Rios, 15 – Freguesia Ano de fundação: 2025 Público estimado: 200 pessoas Anil Banda do Anil Data: 08/02/2026 Horário: 12:00 às 18:00 Local de concentração: Estrada da Uruçanga, 20 – Anil, Rio de Janeiro – RJ Percurso: Estrada da Uruçanga, 20 até Rua General José Eulálio, 142 – Anil Ano de fundação: 2026 Público estimado: 300 pessoas Taquara Bloco Guri da Merck Data: 18/02/2026 Horário: 16:00 às 22:00 Local de concentração: Praça Albert Sabin – Taquara, Rio de Janeiro – RJ Percurso: Praça Albert Sabin, Rua José Perigault, 115, Rua Frei Luiz Alevato, 214 e 356, e Rua Carlos Palut, 426 – Taquara Ano de fundação: 2014 Público estimado: 400 pessoas Pechincha Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Banda do Pechincha Jacarepaguá Data: 07/02/2026 Horário: 16:00 às 22:00 Local de concentração: Estrada do Pau-Ferro, 9 – Pechincha, Rio de Janeiro – RJ Percurso: Estrada do Pau-Ferro, 9 até Estrada do Pau-Ferro, 286 – Pechincha Ano de fundação: 2003 Público estimado: 1.000 pessoas Curicica Bloco Parei de Beber, Não de Mentir Data: 07/02/2026 Horário: 16:00 às 20:00 Local: Praça do Bandolim – Curicica, Rio de Janeiro – RJ Ano de fundação: 2009 Público estimado: 3.500 pessoas Bohemios da Pracinha do Vital Data: 08/02/2026 Horário: 11:00 às 17:00 Local: Rua Guamaré, 21 – Curicica, Rio de Janeiro – RJ Ano de fundação: 2019 Público estimado: 450 pessoas Barra Olímpica e Barra da Tijuca S.P.D – Samba pra Deus – Barra da Tijuca Data: 31/01/2026 Horário: 09:00 às 15:00 Local de concentração: Avenida Lúcio Costa, 3360 – Barra da Tijuca Percurso: Avenida Lúcio Costa, 3360 até 2390 – Barra da Tijuca Ano de fundação: 2026 Público estimado: 2.000 pessoas Amigos da Barra – Barra da Tijuca Data: 01/02/2026 Horário: 13:00 às 18:00 Local de concentração: Avenida Lúcio Costa, 3800 – Barra da Tijuca Percurso: Avenida Lúcio Costa, 3800 até 2390 – Barra da Tijuca Ano de fundação: 2017 Público estimado: 10.000 pessoas Bloco Rio2Amores – Barra Olímpica (Jacarepaguá) Data: 14/02/2026 Horário: 16:00 às 22:00 Local de concentração: Rua Mário Agostinelli, 155 – Barra Olímpica, Rio de Janeiro – RJ Percurso: Rua Mário Agostinelli, 155; Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 2116 e 2200; Rua Alfredo Ceschiatti, 155; Rua Bruno Giorgi, 235 – Barra Olímpica Ano de fundação: 2011 Público estimado: 300 pessoas Bloco Gambá Cheiroso – Barra Olímpica (Jacarepaguá) Data: 17/02/2026 Horário: 16:00 às 22:00 Local: Rua Bruno Giorgi, s/n – Barra Olímpica, Rio de Janeiro – RJ Ano de fundação: 2017 Público estimado: 900 pessoas Recreio dos Bandeirantes Bloco Carnavalesco Pode Provar que Não Tem Veneno Data: 08/02/2026 Horário: 09:00 às 15:00 Local: Praça Augusto Ruschi – Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro – RJ Ano de fundação: 2024 Público estimado: 500 pessoas Bloco das Divas Data: 16/02/2026 Horário: 12:00 às 18:00 Local: Avenida Lúcio Costa, 16360 – Recreio dos Bandeirantes Percurso: Avenida Lúcio Costa, 16360 até 15500 – Recreio Ano de fundação: 2014 Público estimado: 5.000 pessoas Praça Seca Lavou Tá Limpo Data: 07/02/2026 Horário: 12:00 às 18:00 Local de concentração: Rua Cândido Benício, 2235 – Praça Seca Percurso: Rua Cândido Benício, 2235 até Rua Florianópolis, 1651 Ano de fundação: 2024 Público estimado: 400 pessoas Vila Valqueire Bloco Carnavalesco Acordar e Vem Brincar Data: 08/02/2026 Horário: 10:00 às 16:00 Local de concentração: Rua das Dálias, 137 – Vila Valqueire Percurso: Rua das Dálias, 137; Rua das Verbenas, 14; Rua das Camélias, 129 e 456 – Vila Valqueire Ano de fundação: 2007 Público estimado: 600 pessoas Vargem Grande Grêmio Recreativo Bloco Asa Temperada Data: 15/02/2026 Horário: 14:00 às 20:00 Local de concentração: Estrada do Pacuí, 892 – Vargem Grande Percurso: Estrada do Pacuí, 892 até o Largo de Vargem Grande, na Estrada dos Bandeirantes Ano de fundação: 2024 Público estimado: 600 pessoas
- Janeiro é o mês do padroeiro da cidade
Santuário Basílica de São Sebastião | Foto: Val Costa Por: Val Costa. Professor de Geografia e membro do IHBAJA. Em 1555, os franceses aportaram na Baía de Guanabara e fundaram o forte de Coligny na então Ilha de Serigipe. Comandados pelo almirante Nicolas Durand de Villegagnon, pretendiam garantir a exploração do pau-brasil e conseguir um território onde os calvinistas franceses pudessem exercer livremente o protestantismo. Essa colônia, chamada de França Antártica, existiu de 1555 a 1567. No intuito de combater os franceses, o Capitão-mor Estácio de Sá fundou, no dia 1º de março de 1565, entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. A primeira expedição portuguesa para expulsar os franceses foi organizada por Mem de Sá, o terceiro Governador-Geral da América Portuguesa, em 1560. Apesar de ter destruído o forte de Coligny, essa incursão não obteve o sucesso esperado, pois os habitantes do local fugiram para o continente com a ajuda dos tamoios. A derrota definitiva só ocorreria sete anos depois, quando Estácio de Sá recebeu reforços do seu tio Mem de Sá. Em janeiro de 1567, no Outeiro da Glória, os franceses finalmente foram expulsos da colônia portuguesa e os tamoios tiveram suas aldeias destruídas e suas terras ocupadas e distribuídas entre os portugueses. A tradição oral diz que São Sebastião foi visto nesta batalha segurando uma espada e lutando ao lado dos portugueses contra os calvinistas. Batalha esta, vale ressaltar, que ocorreu no dia dedicado ao personagem: 20 de janeiro. Entre 1578 e 1598, foi erguida uma ermida em homenagem ao santo no Morro Cara de Cão, atual bairro da Urca. Em 1922, foi construída uma igreja bem maior na Tijuca, onde atualmente é o Santuário Basílica de São Sebastião. Sebastós, seu nome de origem, nasceu na cidade francesa de Narbona, no ano de 256. Sua família mudou-se para Milão e o jovem ingressou no exército romano, atingindo o posto de Capitão da Guarda Pretoriana, que era o grupamento de soldados responsável pela segurança do imperador Diocleciano (244-311). Em um período de intensa perseguição aos cristãos, Sebastião, que também era seguidor de Cristo, pregava o evangelho para os demais soldados e auxiliava os prisioneiros. O imperador, em um primeiro momento, tentou fazê-lo desistir de sua fé oferecendo-lhe presentes e, posteriormente, ameaçando-o. Como essas medidas não adiantaram, Diocleciano ordenou a sua execução. A maioria dos historiadores afirma que o imperador mandou que ele fosse pendurado em um poste de madeira para ser torturado com flechadas até a morte. Quando todos pensaram que ele estava morto, deixaram-no amarrado para ser devorado pelos animais selvagens. Entretanto, ele sobreviveu ao martírio, sendo resgatado por uma viúva chamada Irene, que cuidou dos seus ferimentos. Recuperado milagrosamente, Sebastião retorna na presença de Diocleciano e exige que o imperador pare com as perseguições aos cristãos. Dessa vez, o líder máximo romano exigiu que o açoitassem até morrer e depois mandou jogar o seu corpo na chamada cloaca máxima, o sistema de esgoto de Roma. Isso aconteceu no dia 20 de janeiro de 288. O Rio de Janeiro possui um templo em homenagem a esse santo católico, é o Santuário Basílica de São Sebastião, que fica na Tijuca. Inaugurado em 15 de agosto de 1931, essa igreja abriga os restos mortais de Estácio de Sá, o marco zero da cidade e a uma imagem de São Sebastião esculpida em 1563. Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.
- Pesquisa inédita vai mapear circulação de recursos culturais nas Zonas Oeste e Sudoeste do Rio
Foto: Divulgação / Viva Zona Oeste. Estudo da Casa Viva Zona Oeste analisa editais, leis de incentivo e emendas parlamentares para revelar como políticas culturais chegam a bairros como Jacarepaguá, Barra, Vargens e Rio das Pedras. A Casa de Culturas, Cuidado, Convivência e Memórias Viva Zona Oeste iniciou uma pesquisa inédita sobre a distribuição dos recursos públicos destinados à cultura na região da Zona Oeste e Sudoeste do Rio de Janeiro. O estudo vai mapear, pela primeira vez, como editais, leis de incentivo e emendas parlamentares circulam — ou deixam de circular — pelas bordas da cidade, incluindo bairros como Jacarepaguá, Barra, Taquara, Vargens e Rio das Pedras. A investigação abrange as Áreas Programáticas (APs), recortes territoriais usados pela Prefeitura para organizar políticas e serviços públicos. “É a primeira vez que teremos uma fotografia completa de como a política cultural chega às nossas regiões” , afirma Vinicius Longo, fundador e Diretor de Produção da Casa Viva Zona Oeste. “Produzir esses dados é fundamental para disputar recursos de forma justa e mostrar a potência cultural da Zona Oeste e Sudoeste.” Além de analisar os investimentos das três esferas de governo entre 2024 e 2025, o levantamento comparará a distribuição de recursos entre a Zona Oeste e outras áreas da cidade, revelando desigualdades históricas e oportunidades de fortalecimento cultural no território. Diagnóstico para reduzir desigualdades A Casa Viva Zona Oeste reforça que a falta de dados organizados sobre o financiamento da cultura impede diagnósticos precisos sobre o acesso às políticas públicas. O estudo pretende entender quais territórios conseguem acessar recursos, com base em que critérios e quais impactos geram nas comunidades. “Sem informação, seguimos invisíveis. Com dados, podemos planejar, incidir e cobrar políticas que estejam à altura do tamanho e da diversidade cultural da Zona Oeste”, destaca Fernanda Rocha, fundadora e Coordenadora Geral da instituição. O levantamento prevê mais de 2 mil entrevistas com empresas, coletivos e iniciativas culturais, tanto formais quanto informais, para compreender desafios, percepções sobre os órgãos públicos e o nível de participação nas políticas culturais. Participe da pesquisa A participação da comunidade é essencial para construir esse diagnóstico coletivo. Responda pelo QR Code disponível nas plataformas oficiais do Viva Zona Oeste ou entre em contato pelo e-mail coordenacaovzo4@gmail.com para agendar sua entrevista presencial. Etapas e cronograma O desenvolvimento do questionário e as escutas com gestores e pesquisadores ocorreram entre outubro e dezembro de 2025. A coleta de dados começou em 5 de janeiro deste ano e seguirá até o final de fevereiro. As próximas etapas incluem a análise dos resultados e a produção de um catálogo digital e impresso. A apresentação oficial dos resultados está marcada para 31 de maio, com lançamentos previstos em diferentes cidades do país durante o mês de junho. Sobre a Casa Viva Zona Oeste Com 19 anos de atuação, a Casa de Culturas, Cuidado, Convivência e Memórias Viva Zona Oeste é referência na promoção das culturas, memórias e identidades locais. Suas ações incluem feiras culturais, palcos abertos, escutas territoriais e projetos de valorização das tradições afro-brasileiras e populares, fortalecendo o direito à cultura e à diversidade. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, e aceita visitas agendadas pelo site www.vivazonaoeste.com.br , pelas redes sociais @vivazonaoeste ou pelo e-mail vzoatendimento@gmail.com.
- Rio das Pedras ganha polo do Balcão do Consumidor
Foto: Divulgação Governo do Estado do Rio / Jader França Iniciativa da SEDCON, PROCON-RJ e CUFA amplia atendimento gratuito e humanizado à população, com foco em consumidores de comunidades e em situação de vulnerabilidade. A comunidade de Rio das Pedras, recebeu nesta quinta-feira (8) o mais novo polo do Balcão do Consumidor, programa da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (SEDCON) e do PROCON-RJ, em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA). A unidade foi inaugurada no Shopping Rio das Pedras e integra a expansão estadual do projeto, que contará com 20 pontos de atendimento — sendo 13 na capital fluminense. Desses polos, cinco serão instalados em comunidades e funcionarão sob o nome Balcão do Consumidor das Favelas, com apoio direto da CUFA para fortalecer o acesso a direitos e serviços essenciais nas áreas populares. Os outros sete polos estarão distribuídos por diferentes regiões do Rio de Janeiro. O programa tem como objetivo aproximar o poder público da população, oferecendo orientação jurídica, psicológica e de assistência social, além de mediação de conflitos de consumo. Os espaços contam com infraestrutura acessível, incluindo atendimento em Libras, e possuem um olhar especial para consumidores em situação de vulnerabilidade emocional, como pessoas afetadas por compulsão por compras (oniomania) e dependência em jogos de apostas (ludopatia). Foto: Divulgação Governo do Estado do Rio / Jader França Segundo o secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, o Balcão do Consumidor amplia o conceito de defesa do cidadão ao unir acolhimento e orientação prática. “Não se trata apenas de resolver conflitos de consumo, mas de acolher pessoas que chegam fragilizadas, muitas vezes em situações extremas, com impactos diretos na vida familiar, financeira e emocional. Já identificamos casos graves relacionados à compulsão em jogos de apostas, e esse atendimento próximo, humanizado e descentralizado permite acompanhar essas situações de forma mais cuidadosa, garantindo orientação, proteção e dignidade a quem mais precisa.”, afirmou Fonseca. A expansão do programa será gradual. Nesta sexta-feira (9), será inaugurado o primeiro polo fora da capital, em Angra dos Reis, que atenderá a população da Costa Verde, ampliando o alcance das políticas públicas de defesa do consumidor em todo o estado. O polo vai funcionar segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, por ordem de chegada. Para ser atendido, o consumidor deve apresentar documento de identidade, CPF e comprovante da dívida ou da relação de consumo.
- A Baixada de Jacarepaguá da primeira metade do Século XX
Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume. Por: Leonardo Soares dos Santos. Professor de História/UFF, pesquisador do IHBAJA e do IAP. Impressionante o quanto é arraigada a ideia de que as terras da Baixada de Jacarepaguá (e aqui incluo os atuais bairros da Barra da Tijuca, Itanhangá e Recreio dos Bandeirantes) eram abandonadas até mais ou menos meados do Século XX, como se dormisse num sono profundo por séculos, ao que, como num passe de mágica, passasse a ser visto como um novo eldorado, um recanto meio que escondido em pleno Sertão Carioca, que após descoberto por volta dos anos 1940, despertasse inúmeras iniciativas por sua incorporação. Uma coisa que chama atenção, quando voltamos o nosso olhar ao que era a região nas primeiras décadas do XX, é que mesmo que esparsamente ocupada, já despertava o interesse de figuras de grande poder econômico do contexto social carioca, como agentes do mercado imobiliário e homens de negócios em geral, todos desejosos por fixar suas casas de veraneio ali, distante não mais do que uma hora de suas residências na zona sul da cidade maravilhosa. Os jornais de época, em especial os classificados imobiliários dos anos 1920 e 1930, já indicam a existência de um vigoroso mercado de terras na região. O parcelamento de antigas fazendas vai dando lugar a criação de centenas de sítios e lotes rurais e urbanos em lugares como Freguesia e Taquara. É difícil ainda precisar quando exatamente tal interesse se intensificou. É possível que as coisas não tenham se dado dessa maneira: como se num determinado momento, numa data muito bem delimitada, a sociedade carioca passasse a cobiçar as terras de Jacarepaguá. O mais provável é que tal movimento tenha se articulado de outra forma. De modo mais fragmentado e descontínuo, e até mesmo aleatório. Um grande empreendimento pensado para o que é hoje o Itanhangá, como o Itanhangá Golf Club, no início dos anos 1930, não teve relação direta com a compra, por parte de Joseph Weslley Finch, de terras que pertenceriam ao Banco de Crédito Móvel, as chamadas glebas A e B e que anos depois dariam origem à localidade de nome Recreio dos Bandeirantes. O mais provável é que um e outro tenha sido movido por uma ideia sobre a região que já começava a ganhar corpo nos anos 1920, e que associava a região de Jacarepaguá a uma espécie de oásis bem perto do coração do então Distrito Federal, imagem essa que seria definitivamente oficializada nas páginas do livro O Sertão Carioca (1936), escrito por Armando Magalhães Correa. Desenhos a bico de penna que ilustra o livro, de autoria do próprio autor. | Fonte: Acervo Digital da Biblioteca Nacional do Brasil. Disponível em: https://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_obrasgerais/drg3817/drg3817.html#page/5/mode/1up É possível ainda que vários fatores, e não apenas um em especial, tenham favorecido a valorização do lugar. As imagens paradisíacas podem ter reforçado o interesse de setores do mercado imobiliário em investir no lugar, como as obras de saneamento e infraestrutura, por toda a primeira metade do Século XX, podem ter alavancado a incorporação urbana da região. Reportagem de 1943 do Gazeta de Notícias dando conta de Jacarepaguá como um canteiro de obras. Há ainda um outro ponto a ser considerado: a diversidade existente no território da Baixada de Jacarepaguá, em termos do histórico de ocupação, características geográficas e estrutura fundiária. Não se tratava de jeito nenhum de um espaço homogêneo. A heterogeneidade era e ainda é a marca desse território. As áreas que hoje conhecemos como Gardênia Azul e Rio das Pedras testemunharam um tipo de estruturação fundiária muito distinto do que viríamos encontrar em boa parte da Barra da Tijuca e Recreio, e que, por sua vez, não era idêntica ao que encontramos na Freguesia e Taquara. Esses aspectos precisam ser levados em conta se quisermos entender porque houve uma espécie de defasagem em termos de velocidade da incorporação imobiliária entre diferentes porções da Baixada de Jacarepaguá, como visto entre as mais próximas da costa litorânea e os núcleos mais interiorizados. Mais do que a velocidade, o perfil social que cada área acabou ganhando diferiu acentuadamente, tendo lugares como Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Itanhangá, sido alvo preferenciais de empreendimentos imobiliários direcionados às classes A e B, e as outras como Anil, Freguesia, Curicica e Gardênia Azul, associadas às classes C e D. Mas se a região era objeto de desejo e investimento por parte de muita gente poderosa desde as primeiras décadas do Século XX, por que então a ideia de abandono acabou se impondo como dominante nos relatos históricos sobre o lugar? No próximo artigo, retomarei algumas hipóteses a essa questão. Leonardo Soares dos Santos é graduado (2003) em História pela Universidade Federal Fluminense, onde realizou também o seu mestrado (2005) e doutorado (2009) em História Social. Suas pesquisas versam basicamente sobre as relações entre o espaço rural e urbano e suas implicações em termos de políticas públicas e configuração de grupos sociais. Atualmente trabalha como professor e pesquisador no Departamento de Fundamentos da Sociedade do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional do Polo Universitário da Universidade Fluminense, localizado em Campos dos Goytacazes. É membro-militante do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá desde 2010.
- Diretora da E.M Cláudio Besserman Vianna em Rio das Pedras recebe Medalha Carioca da Educação
Da esq. para dir. Professor Willmann Costa, a diretora Maria Maia e o secretário municipal de educação Renan Ferreirinha. | Foto: Divulgação / Secretaria Municipal de Educação. Para Maria Maia, educadora à frente da unidade há 19 anos, a premiação celebra uma gestão pautada na construção coletiva e no compromisso com o futuro dos alunos. A diretora Maria da Silva de Jesus Maia, amplamente conhecida como Professora Maria Maia, recebeu a Medalha Carioca de Educação no dia 17 de novembro. A honraria, concedida pelo Conselho Municipal de Educação do Rio de Janeiro, reconhece profissionais que se destacam e contribuem significativamente para a melhoria da qualidade do ensino. A premiação foi entregue pelo presidente do Conselho Municipal de Educação e secretário Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha. A premiação ocorreu em uma cerimônia realizada na Academia Brasileira de Letras, onde 32 profissionais de educação foram reconhecidos por seus valiosos trabalhos. A Medalha Carioca de Educação, criada em 2006, teve nesta edição um diferencial importante ao ampliar o escopo da condecoração para incluir não apenas professores, mas também demais profissionais da educação que qualificam a rede pública municipal. Uma carreira pautada pelo compromisso com a comunidade escolar A Professora Maria Maia atua na Rede Municipal de Educação desde 1986, começando no 15º DEC e sempre demonstrando compromisso com a educação e respeito às regras do Serviço Público. Segunda e educadora, sua base profissional está firmemente embasada na filosofia Freireana. Ao longo de sua trajetória, Maria ocupou diversos cargos: foi regente da 4ª série na E.M. Ponte de Jesuítas; Professora Orientadora, Professora de Sala de Leitura e regente de turma no CIEP Benedito Cerqueira; Assistente do Gabinete e Diretora da Divisão de Educação no 21º DEC. Sua veia pedagógica a levou à Supervisão Pedagógica na Divisão de Educação na 7ª CRE, onde atuou por doze anos junto a educadores alfabetizadores em acompanhamento escolar em diversas regiões, incluindo Rio das Pedras. A profissional contou que mesmo atuando na Coordenadoria, ela "nunca largou o chão da escola", mantendo sua regência em turmas regulares. Antes de iniciar sua trajetória na gestão da E.M Cláudio Besserman Vianna, ela já havia atuado como diretora adjunta no CIEP Augusto Pinheiro, na 5ª CRE. Gestão colaborativa em Rio das Pedras Equipe de gestão da E.M. Cláudio Besserman Vianna, da dir. para esq. Cátia Raquel Oliveira, Maria Maia e Maria Aparecida Rocha. | Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume Em 2007, Maria Maia aceitou o desafio de assumir a Direção da Escola Municipal Cláudio Besserman Vianna – Bussunda, localizada na Comunidade do Rio das Pedras. Na unidade, Maria implementou uma liderança pautada numa tríade e seu desejo era promover uma construção coletiva de encontro às necessidades dos alunos. Desde 2007, ela construiu uma gestão democrática que se estende por dezenove anos. O modelo de gestão implantado pela equipe da unidade se atenta aos detalhes e valoriza cada colaborador como parte essencial na construção de uma educação de qualidade. Sua visão pedagógica é a de uma educação desejosa de qualidade, inclusiva e transformadora, onde o diálogo é essencial para a conscientização e a cidadania. Essa visão crítica, inspirada por Paulo Freire, levou a escola a construir o Projeto Político Pedagógico (PPP) com todos os segmentos e a implementar iniciativas como o projeto Hortas Cariocas e se tornar referência como uma escola sustentável. O empenho da equipe também garantiu que a Bussunda fosse a escola que mais acessou a Plataforma da Prefeitura durante os tempos difíceis da pandemia, resgatando aulas online via WhatsApp. A diretora enfatizou que "nenhuma premiação vem sozinha" . Ela acredita que essa honraria é fruto do trabalho cuidadoso que realiza junto com sua equipe de gestão, ao lado da diretora adjunta Cátia Raquel Oliveira e da Coordenadora Pedagógica Maria Aparecida Rocha. Maria Maia ressaltou que o apoio e o profissionalismo de Cátia e Maria Aparecida foram essenciais para o sucesso dos 19 anos de trabalho à frente da escola: "Não foi fácil! Mas, às dificuldades nunca nos endureceram. Pelo contrário, nos mostraram que o caminho se faz caminhado, como dizia Paulo Freire". Todos os finalistas receberam um certificado. | Foto: Divulgação / Secretaria Municipal de Educação. A educadora contou que foi uma honra receber a premiação e ressaltou que já se sentiu muito feliz com a indicação da 7º Coordenadoria Regional de Educação (CRE), e com o fato de estar entre os 32 finalistas, onde se encontravam diversos profissionais com histórias lindas na educação pública. "Fiquei muito surpresa quando recebi a premiação, eu estava concorrendo com profissionais que fazem trabalhos extremamente dedicados, nos quais me espelhei muito na construção do meu próprio trabalho." A premiação de Maria Maia evidencia a qualidade e a dedicação dos profissionais que atuam na rede pública de ensino de Rio das Pedras, transformando vidas e reafirmando o valor da educação na comunidade.
- Cedae faz manutenção anual do sistema Guandu na próxima terça-feira (25)
Estação de Tratamento de Àgua Guandu. | Foto: Divulgação Cedae. A intervenção vai acontecer entre 2h e 20h. Segundo a companhia, operação será retomada gradualmente e deverá normalizar até a madrugada do dia 26. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) vai realizar, no dia 25 de novembro, a manutenção anual do Sistema Guandu, responsável pelo abastecimento de grande parte da Região Metropolitana do Rio. O serviço ocorrerá das 2h às 20h e exigirá a paralisação total da Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu e da Elevatória do Lameirão. Com a interrupção, o fornecimento de água será temporariamente suspenso em municípios do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, Belford Roxo e Queimados. Na capital, bairros da Zona Sudoeste, como Rio das Pedras, Anil e Freguesia, podem ter impacto no abastecimento durante o período. Mais de 500 profissionais estarão mobilizados para cerca de 100 atividades de manutenção, incluindo instalação de novos equipamentos, inspeções de segurança, ajustes eletromecânicos e limpeza de estruturas que não podem ser acessadas durante a operação normal. “Esse é o momento em que realizamos correções preventivas e reduzimos o risco de falhas que possam ocasionar paradas não programadas. Esses trabalhos são fundamentais para assegurar a regularidade da produção de água, principalmente durante o verão, quando o consumo aumenta" - explica José Ricardo Brito, diretor de Saneamento e Grande Operação da Cedae. A companhia estima que o sistema volte a operar gradualmente após o fim da manutenção, alcançando 100% da capacidade por volta das 2h do dia 26. A Cedae recomenda que os moradores armazenem água com antecedência e adiem tarefas que exigem grande consumo. A distribuição nas áreas afetadas é feita pelas solicitações Águas do Rio, Iguá e Rio+Saneamento, conforme a região atendida. A ação tem como objetivo modernizar o sistema e garantir segurança e regularidade no abastecimento para mais de 10 milhões de pessoas na Região Metropolitana.
- Clínica da Família Otto Alves de Carvalho inaugura sala de amamentação para apoiar mulheres trabalhadoras em Rio das Pedras
Foto: Divulgação / Clínica da Família Otto Alves de Carvalho Novo espaço oferece privacidade, segurança e orientação especializada, beneficiando mães de toda a cidade e facilitando doação de leite materno à Maternidade Leila Diniz. A Clínica da Família Otto Alves de Carvalho, em Rio das Pedras, inaugurou uma Sala de Apoio à Amamentação voltada para mulheres trabalhadoras, fortalecendo a rede de cuidado materno na região. O novo espaço garante privacidade, conforto e segurança para as mães extraírem o leite materno, preservando sua produção e incentivando a continuidade da amamentação mesmo após o retorno ao trabalho. A sala funciona das 7h às 18h e está aberta a qualquer mulher, independentemente do território de residência, seja para usar o espaço, armazenar o leite para o próprio bebê ou doar aos Bancos de Leite Humano. O procedimento é simples: a mãe pode extrair o leite ali, armazená-lo sob supervisão da equipe da clínica ou direcionar a doação para o Banco de Leite da Maternidade Leila Diniz. O local também conta com orientação de enfermagem especializada, oferecendo apoio sobre práticas seguras de amamentação. Além de promover saúde e bem-estar no ambiente de trabalho, a iniciativa visa beneficiar mães em diferentes situações, ampliando o acesso a condições higiênico-sanitárias adequadas e equilibrando vida profissional e maternidade. A divulgação e adesão ao espaço são essenciais para fortalecer a cultura da amamentação e o cuidado comunitário em Rio das Pedras.
- Rede de Comunicação e Cultura das Favelas é lançada em evento gratuito na Rocinha
Foto: Karen Fontoura/Divulgação Fala Roça Mais de dez horas de programação, no dia 8 de novembro, incluirão debates sobre sustentabilidade e acessibilidade, oficinas, expositores locais e show de encerramento. No dia 8 de novembro, a Biblioteca Parque da Rocinha será palco de um grande encontro que celebra e fortalece a produção cultural local. O evento, que acontece das 10h às 20h, marca o lançamento oficial da Rede de Comunicação e Cultura nas Favelas e a formatura dos alunos do curso realizado em parceria com o Fala Roça . A proposta é reunir coletivos e moradores para debater e construir ações feitas “ de dentro para fora ”, valorizando quem vive e narra a favela. Segundo Monique Silva, coordenadora geral do Fala Roça, a Rede visa capacitar comunicadores e fazedores de cultura para que se tornem fortes o suficiente para propor projetos e eventos. " A ideia é que essa rede se torne forte o suficiente para propor projetos, eventos e debates locais, na Rocinha e em outros lugares ", explica. Milla Faria, integrante da Rede e fundadora do projeto "Tia Milla Social", resume o impacto do evento. Para ela, reunir potências de diferentes favelas representa " força, transformação e impacto social ". " Esse evento mostra como os próprios favelados têm o potencial de produzir cultura e arte, além de discutir temas como economia local, meio ambiente e acessibilidade. É a favela se promovendo por ela mesma ", afirma Milla. Debates e Ação no Território A programação do dia será intensa e diversificada, serão realizadas mesas de debate sobre temas cruciais como Sustentabilidade e Acessibilidade. O público também poderá participar de oficinas variadas. A lista inclui Defesa Pessoal com conversa sobre violência contra a mulher, intervenção artística no "Bora Grafitar?" e uma aula de dança de Reggae. Haverá ainda uma prática voltada ao autocuidado e geração de renda com a oficina de autobronzeamento. Para as crianças, a agenda reserva recreação infantil com contação de histórias. Para fortalecer a economia local e o convívio, cozinhas solidárias servirão um almoço coletivo no horário da tarde. O encerramento contará com a Batalha de Rima Moscow e um espetáculo da Cia Livre de Dança . A cerimônia de abertura e a entrega de certificados aos formandos também estão na agenda oficial. Conheça a programação detalhada em: https://www.instagram.com/p/DQZvC-_kbRd/?img_index=1 Serviço: O quê: Lançamento da Rede: Comunicação e Cultura nas Favelas e Formatura Onde: Biblioteca Parque da Rocinha Quando: 8 de novembro, das 10h às 20h Quanto: Gratuito
- A Barra da Tijuca dos sonhos... de quem?
Foto: Fernanda Calé | Agência Lume Por: Leonardo Soares dos Santos. Professor de História/UFF e pesquisador do IHBAJA. "Barra da Tijuca, o lugar" é o título do livro lançado em 1999 por Ayrton Luiz Gonçalves. E passados mais de 25 anos de seu lançamento, asseguro com toda confiança que ele ainda é um dos melhores trabalhos de história sobre o bairro. Trata-se de um texto muito bem escrito, legível, leve em muitas das vezes e ricamente documentado. Uma das partes mais interessantes do trabalho é o uso que o autor faz de classificados imobiliários de época (anos 60 e 70) para evidenciar a expansão urbana da região (incluindo o Recreio dos Bandeirantes). Temos diante de nós um estudo sério e comprometido de um morador, apaixonado pelo bairro em que habitava desde os fins dos anos 70, mas que já conhecia desde 1948. É notável que, mesmo sendo químico de formação, Gonçalves tenha tratado com tanto esmero os documentos históricos que levantou para a empreitada. Mas, em que pese o grande esforço em basear a árdua pesquisa em sólido terreno da objetividade, o autor deixa transparecer muito de sua subjetividade. Vou me ater aqui sobre como essa tal subjetividade tem muito a dizer sobre uma determinada visão que o autor tinha sobre a história do lugar, o papel que a região deveria desempenhar e quais classes sociais deveriam fazer parte da (ou a melhor parte da) região. Podemos resumir a questão lembrando o que Antonio Gramsci, o filósofo italiano, dizia sobre o conceito de visão de mundo. Vejamos então como a ideia que Ayrton Gonçalves tinha sobre a Barra da Tijuca era reveladora de uma determinada visão de mundo. Foto do autor, 25/02/2025. E o ponto de vista do autor a respeito do que era a Barra encontra-se disseminado de maneira evidente em muitas partes do texto. Logo no “Intróito”, ele escreve que: "Os pontos de referência no bairro da Barra da Tijuca são os grandes empreendimentos imobiliários e comerciais, os supermercados e shoppings centers ou os balizamentos naturais - a sudoeste, o Recreio dos Bandeirantes e, a nordeste, o Morro do Joá" (p. 23). Mais adiante, as referências seguem indicando como emblemas tipos bem específicos de construções, aos quais estavam ligados tanto a atividades sociais e econômicas bem definidas, como - a partir daí – relacionavam-se a grupos sociais igualmente bem definidos. Vejamos: "Com a melhoria dos acessos, aumentou a frequência à Barra da Tijuca, sobretudo para os moradores da Zona Norte da Cidade, que a atingiam pelas Vias 9 e 11, viabilizando a criação de vários clubes, como o Fazenda Clube Marapendi, o Clube Canaveral, ambos na Rio-Santos, e outros, na Avenida Sernambetiba, o Riviera Country Clube, o Nevada Praia Clube, o Vivendas Clube da Barra, o Oásis Clube do Rio de Janeiro, o Week End, o Edifício Fanny e o Country Clube de Caça e Pesca. Hoje, alguns deles transformaram-se em condomínios residenciais" (p. 94). Empreendimentos imobiliários, clubes, shoppings centers – tudo isso direcionado à classe média carioca. Esses seriam os marcos arquitetônicos e sociais do território. É como se a Barra da Tijuca tivesse sido criada para aquela. Sintomático que os grupos sociais e os usos e atividades por eles realizados no território fossem vistos como algo anormal, a ser combatido ou evitado. Num trecho emblemático, Ayrton Gonçalves tece elogios a um prefeito que se notabilizou por reprimir habitações populares e atividades econômicas que destoassem do plano idealizado para a Barra dos shoppings. Segundo o autor, “a administração de César Maia caracterizou-se por enfrentar com decisão as ocupações indevidas na região da Barra da Tijuca, sobretudo nos locais mais nobres, desvalorizados e descaracterizados por um crescente processo de favelização não reprimida” (p. 102). A contrariedade demonstrada pelo autor com aspectos do território que se manifestavam no período em que escreveu o texto (fins da década de 1990) também se revela na avaliação que ele faz de antigas propostas ventiladas para o desenvolvimento da Barra. Uma delas foi o plano de incluir toda a Baixada de Jacarepaguá (e, portanto, a Barra da Tijuca) no projeto de implantação da reforma agrária. Tal plano do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA) é classificado pelo autor como uma curiosidade “estapafúrdia”, pois, no seu entender, “chega a ser engraçado imaginar essa área, com o potencial que tem para a Cidade do Rio de Janeiro, transformada em campos de cultura de soja, cana-de-açúcar ou pequenas lavouras de produtos hortigranjeiros” (p. 124). Em outro momento da obra, o autor comemora vividamente a expulsão de moradores de uma área valorizada na Barra. Os habitantes dessa ocupação estariam ameaçando o meio ambiente na localidade: "Felizmente, na área lindeira à Via Parque, nos fundos do Barrashopping, foi possível, através de enérgica ação dos órgãos municipais e a pressão do Barrashopping, retirar os ocupantes, a cada dia mais numerosos, que vinham degradando os manguezais característicos da lagoa da Tijuca, possibilitando a substituição da favela por um parque público, o Parque Mello Barreto, que será, quando inteiramente pronto, dotado de ciclovia, bosque de bromélias e dois longos decks de madeira, projetados sobre a lagoa, para que os frequentadores do local tenham a possibilidade de um contato mais íntimo com o meio ambiente, à semelhança com o que ocorre na região dos Everglades, no sul da Flórida" (p. 135). Não caberia meio-termo com aquilo que ameaçasse a paisagem natural e social da Barra. A expulsão dessas formas exigia medidas mais duras; a linguagem utilizada prefigura uma verdadeira guerra: "Urge que providências sejam adotadas. As favelas que puderem ser urbanizadas e dotadas dos equipamentos mínimos que garantam aos seus moradores viver com conforto e dignidade, que o sejam, mas, do outro lado, as que estão em áreas de preservação ambiental ou correm risco causados por intempéries devem ser removidas ou erradicadas, como foram, recentemente, as favelas da Via Parque e a do Condomínio Marapendi." (p. 154). Em que pese a dureza das afirmações, é necessário assinalar: elas nunca foram isoladas. As palavras de Ayrton Gonçalves são um sintoma de uma visão mais geral, de um caldo de cultura que associa a Barra a determinadas classes e “raças”. E tal associação segue sendo hegemônica até hoje. Ela ajuda a legitimar toda uma política de repressão e controle de grupos e formas de habitação que não correspondem ao plano de ocupação idealizado. Mas é importante frisar também que são exatamente expressões como essa que analisamos acima que podem nos servir de incentivo para mostrar que a Barra não se resume ao plano que as elites da cidade imaginaram para ela. A Barra não é apenas dos shoppings e condomínios de luxo. A Barra é também das favelas. A Barra tem também outras paisagens. Que vivem sob o peso constante de pressões e ameaças. E que resistem. Não apenas outras paisagens. É preciso reafirmar que a Barra não tem uma história única. Precisamos falar de suas outras histórias. E elas não podem mais seguir sendo invisibilizadas. Precisamos falar dessa outra Barra. Barra Negra, do povo trabalhador e camponês (e pescador). Há que se falar mais da Barra Negra da Tijuca. É disso que tratarei nos artigos que se seguirão. Referência completa do livro citado: GONÇALVES, Ayrton Luiz. Barra da Tijuca, o lugar . Rio de Janeiro: Thex Ed., 1999. Leonardo Soares dos Santos é graduado (2003) em História pela Universidade Federal Fluminense, onde realizou também o seu mestrado (2005) e doutorado (2009) em História Social. Suas pesquisas versam basicamente sobre as relações entre o espaço rural e urbano e suas implicações em termos de políticas públicas e configuração de grupos sociais. Atualmente trabalha como professor e pesquisador no Departamento de Fundamentos da Sociedade do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional do Polo Universitário da Universidade Fluminense, localizado em Campos dos Goytacazes. É membro-militante do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá desde 2010.










