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  • Como a luta de moradores de Jacarepaguá conquistou novas áreas de preservação ambiental na cidade

    Foto: Divulgação / AMAF Decreto publicado na última segunda-feira (29), criou duas unidades de conservação e protege mais de 2,6 mil hectares de Mata Atlântica e ecossistemas conectados na Baixada de Jacarepaguá. O que parecia um sonho distante desenhado em mapas ambientais se tornou realidade na em Jacarepaguá. No domingo (28/06), a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou o início da implantação do Corredor Azul, uma iniciativa ecológica que cria duas novas Unidades de Conservação (UCs) na cidade: o Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) das Florestas de Jacarepaguá e a Área de Proteção Ambiental (APA) das Lagoas de Jacarepaguá. Juntas, as novas áreas de preservação somam mais de 2,6 mil hectares de Mata Atlântica e ecossistemas conectados. No entanto, por trás das assinaturas dos decretos oficiais, existe um grande trabalho de mobilização e luta de moradores de Jacarepaguá pela implementação das unidades. O Corredor Azul não nasceu de uma assinatura, ele foi um sonho buscado por moradores, e um pedido formalizado desde o ano de 2023. Juliana Fernandes, integrante da AMAF (Associação de Moradores e Amigos da Freguesia) e do Movimento Floresta Em Pé Jacarepaguá, explica que a motivação do projeto veio dos problemas ambientais que a região enfrenta: “O que nos motivou para a iniciar essa luta foi um incêndio de grandes proporções no vale do Quitite, que particularmente muito me afetou, então conversei com o Sidney Teixeira, que à época já era diretor da AMAF, e ele comprou esta vontade e deu asa pra ela, toda a AMAF na verdade. Concomitantemente a isso, a Veronica Beck que tem mais conhecimento sobre estas questões legais, já vinha pedindo que uma área próxima, a que hoje é a nossa REVIS, virasse uma unidade de conservação” - Juliana Fernandes Da "Floresta em Pé Jacarepaguá" a Políticas Públicas Ativistas em reunião com o Grupo de Trabalho recém-instituído pela Secretaria de Meio Ambiente e Clima para elaboração do Estudo Técnico em maio de 2024. | Foto: Sidney Teixeira. A semente dessa conquista foi regada nos vales e encostas da região. Movimentos populares locais, com destaque para a Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (AMAF), por meio da campanha “Floresta em Pé Jacarepaguá”, desempenharam um papel fundamental ao reverter o cenário de abandono de áreas verdes que sofriam com a pressão imobiliária e o descarte irregular de resíduos. Durante anos, o grupo promoveu mutirões de limpeza ecológica e eventos comunitários, como os tradicionais banhos de cachoeira no Vale do Rio Papagaio. Longe de serem apenas momentos de lazer, esses mutirões serviam como atos políticos de conscientização e pressão para que o poder público definisse uma unidade de conservação na floresta. Para Thiago Rossi, membro da AMAF e integrante do movimento Floresta Em Pé Jacarepaguá, é necessário garantir que a floresta continue em pé e contribuindo para o bairro ao mitigar enchentes, deslizamentos, ilhas de calor, além de ser um refúgio para a vida silvestre e uma área de lazer para os moradores. “A existência do Parque Nacional da Tijuca é muito consolidada na cabeça das pessoas, mas a abrangência não. Para muitos, prevalece a impressão de que a floresta é protegida pelo parque, quando, na verdade, os limites do parque ficam lá em cima e não há nenhuma unidade de conservação que proteja os vales e as encostas aqui mais embaixo de avanços imobiliários, incêndios florestais, caça e outras ameaças. De 2022 para cá, muita coisa aconteceu. A associação passou a cobrar e trabalhar lado a lado com o poder público para transformar aquela ideia bonita em algo mais palpável. Organizamos mutirões de limpeza do rio e promovemos trilhas ecológicas regularmente, para levar a população a atravessar a fronteira imaginária entre a cidade e a floresta. Era preciso que as pessoas conhecessem as cachoeiras que corriam bem ao lado de suas casas.” - Thiago Rossi Trilha realizada pelos moradores em Fevereiro de 2025. | Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume A estratégia dos moradores foi ocupar o território com responsabilidade para demonstrar seu valor ecológico. Campanhas ativas e trilhas ecológicas, como as organizadas no bairro do Anil, serviram como palcos de mobilização social. Moradores, crianças e ativistas caminhavam pelas matas remanescentes reforçando o coro pela criação das Unidades de Conservação. Cada passo dado nessas trilhas gerava dados, registros fotográficos e, principalmente, engajamento político. Os moradores sabiam que para proteger os recursos hídricos e a fauna local do avanço da degradação, o reconhecimento do Estado era indispensável. A mobilização logo ocupou as salas de debate. Organizações ambientais e moradores de Jacarepaguá articularam-se para garantir que suas demandas chegassem aos ouvidos dos tomadores de decisão. Por meio de uma consulta pública na Baixada de Jacarepaguá, moradores da região debateram tecnicamente a importância de salvaguardar as florestas do entorno do Maciço da Tijuca e do sistema lagunar. O reconhecimento dessa persistência popular foi evidente na fala das próprias autoridades durante o anúncio das novas UCs. O prefeito Eduardo Cavaliere fez questão de enfatizar em sua fala esse esforço: "Acabamos de assinar o REVIS das Florestas de Jacarepaguá, que se une à incrível Floresta da Tijuca, garantindo uma área enorme de preservação. E também assinamos a APA das Lagoas de Jacarepaguá, iniciando a criação desse Corredor Azul de conexão entre a Floresta da Tijuca, o Maciço da Pedra Branca e outras áreas preservadas da cidade. Isso é fruto de muita mobilização da sociedade, da luta de movimentos sociais e também de decisão política e de um governo que se planeja para preservar o meio ambiente". O que muda com o Corredor Azul? Foto: Sidney Teixeira O projeto do Corredor Azul visa estabelecer por meio da criação de quatro unidades de conservação da natureza (Refúgio da Vida Silvestre, APA das Lagoas de Jacarepaguá, Monumento Natural da Pedra da Panela e do Parque Natural Municipal do Camorim), uma conexão ecológica vital entre o Parque Nacional da Tijuca. O REVIS das Florestas de Jacarepaguá: organizará o uso do espaço, visando estabelecer restrições com foco total na proteção integrada de ambientes naturais para garantir a reprodução e sobrevivência da fauna e flora nativas da Mata Atlântica. Além disso, a Lei 9985/2000 diz que: “Art. 13 - O Refúgio de Vida Silvestre tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória.” A lei define ainda que a visitação pública estará sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade e às normas estabelecidas pelo órgão responsável pela administração do REVIS e normas previstas em regulamento. A APA das Lagoas de Jacarepaguá: Funcionará disciplinando o processo de ocupação urbana do entorno e garantindo que o uso dos recursos naturais ocorra de forma sustentável, mitigando impactos climáticos e impedindo o avanço de construções irregulares em ecossistemas frágeis. Com a publicação oficial dos decretos (DECRETO RIO Nº 58235 e DECRETO RIO Nº 58236, ambos de 28 de junho de 2026), a luta comunitária segue aguardando os próximos passos, a partir de agora, abre-se um prazo legal de cinco anos para que o município elabore o plano de manejo e institua o conselho gestor das novas unidades de conservação, duas etapas fundamentais para que o controle normativo saia do papel. Para a advogada ambientalista Veronica Beck, integrante da Associação de Moradores da Freguesia (AMAF) e do movimento Floresta em Pé Jacarepaguá, a conquista traz uma proteção jurídica que afasta o risco de construções na região, mas a preservação real não será automática. Segundo ela, o objetivo maior é garantir que a população continue usufruindo das trilhas e cachoeiras com a certeza de que o acesso público e a natureza estarão resguardados, deixando para o bairro um legado semelhante ao do Bosque da Freguesia. "A Prefeitura passa a ser responsável e deve assumir o trabalho de conservação e fiscalização das irregularidades", aponta Veronica. Ela ressalta, no entanto, que é preciso fiscalizar o trabalho dos órgãos e que esse é um trabalho de todos. "Não tem como a associação de moradores fiscalizar todas as unidades da região, como a APA dos Pretos Forros, o Bosque da Freguesia e agora o novo Refúgio de Vida Silvestre. É obrigação de todos observar, filmar, fotografar o que estiver errado e denunciar no 1746 ou no Disque Denúncia. O meio ambiente é um direito coletivo e, como diz o artigo 225 da Constituição, toda a coletividade tem a obrigação de defendê-lo". - Veronica Beck A experiência com outras áreas verdes da Zona Oeste mostra que os moradores precisam se manter mobilizados. Veronica lembra o caso emblemático da APA dos Pretos Forros, criada em 2000, que após 15 anos de sua criação ainda não possuía conselho ou plano de manejo. Segundo a ambientalista, a AMAF recorreu ao Ministério Público Estadual, que ajuizou uma ação civil pública e condenou o município a estruturar a unidade e elaborar o plano de manejo. Atualmente, a vitória judicial conquistada pela AMAF acabou funcionando como um exemplo pedagógico para a própria Prefeitura, gerando reflexos em outras regiões, como na APA da Misericórdia. "Essa condenação fez com que a Prefeitura prestasse mais atenção em cumprir os prazos antes que as pessoas acionassem o Judiciário", avalia a advogada. O otimismo com o avanço do Corredor Azul, portanto, caminha lado a lado com o realismo de quem conhece os gargalos da gestão urbana. Enquanto os planos técnicos e os conselhos do Corredor Azul e da APA do Complexo Lagunar, que deverá ter acompanhamento estratégico da AMAF e do Subcomitê da Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá, não são estruturados, a regra para quem frequenta a região continua sendo a da urgência. "Crimes como desmatamento, poluição e caça de animais silvestres sempre foram proibidos. Não precisamos esperar o plano de manejo para saber que está errado e denunciar", conclui Veronica. Por isso, para os moradores que lutam pela preservação do meio ambiente de Jacarepaguá, o decreto é um marco histórico, mas a luta pela preservação continua.

  • Professores transformam a inclusão em realidade no Colégio CAIC Euclides da Cunha

    Equipe de professores articuladores do Colégio CAIC Euclides da Cunha. | Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume Localizada em de Rio das Pedras, a escola utiliza estratégias de articulação pedagógica e acolhimento familiar para garantir a autonomia de estudantes com deficiência, transtornos e altas habilidades. No Colégio Estadual CAIC Euclides da Cunha, a educação especial é conduzida por um grupo de profissionais que enxerga além das limitações diagnósticas para focar nas potencialidades de cada estudante. A equipe da Agência Lume foi até a unidade para conhecer a Equipe de Inclusão da escola, composta por professores articuladores, que trabalham para garantir que o aprendizado seja um direito acessível a todos. Os profissionais atuam como elo fundamental entre os alunos com deficiência, transtornos ou altas habilidades e o ensino regular, promovendo não apenas a permanência escolar, mas uma participação plena e autônoma. O trabalho desenvolvido pela equipe se fundamenta na figura do Professor Articulador Pedagógico da Educação Especial (PAPEE), cuja função é colaborativa para auxiliar os estudantes sem gerar dependência. A professora Lorrayne Tavares destaca a profundidade dessa função: "Esse cargo veio para mim como uma espécie de aprendizado, eu acho que estar nesse cargo é aprender um pouco todos os dias (...) refletir sobre essa prática é se colocar no lugar do aluno o tempo todo". Para ela, o desafio diário é garantir que o conteúdo passado em sala de aula seja, de fato, significativo para a trajetória de vida do estudante. Longe de reforçar o capacitismo, os docentes buscam auxiliar os estudantes sem gerar dependência, trabalhando em conjunto com os professores regentes para adaptar conteúdos e estratégias de ensino. O objetivo da equipe é transformar o colégio CAIC Euclides da Cunha em uma referência estadual em inclusão por meio de práticas que valorizem a singularidade de cada trajetória escolar, utilizando desde planos de intervenção individualizados (PEI) até tecnologias assistivas. A equipe realiza entrevistas com os responsáveis e com os alunos assim que chegam a unidade, e desenvolve o “Inventário de Habilidades”, para que seja possível nivelar cada aluno de acordo com a sua necessidade individual. Outra iniciativa adotada é o "Carômetro Digital", uma ferramenta de visibilidade que apresenta fotos e informações detalhadas dos alunos da inclusão para todo o corpo docente. O recurso é apresentado nos Conselhos de Classe para que os professores regentes reconheçam e acolham os estudantes, humanizando o processo pedagógico e fortalecendo o sentimento de pertencimento dentro da comunidade escolar. Além disso, os profissionais também organizam eventos como o "Café com Acolhimento" e o "Encontro das Famílias Atípicas", que buscam fortalecer o vínculo emocional entre a escola e os responsáveis, oferecendo suporte psicológico e escuta ativa. O processo avaliativo também é uma prioridade da equipe, que desenvolve os "Provões Trimestrais Adaptados" e versões acessíveis de competições nacionais, como a OBMEP Adaptada. “Nós fazemos as provas adaptadas em conjunto, usando o Google Drive e a equipe toda participa dessa confecção, e de acordo com as áreas de conhecimento de cada um. Alguns professores referentes enviam as provas já adaptadas, quando isso não ocorre, cabe a equipe adaptar as provas regulares segundo o nível de suporte da demanda do aluno.”, explica Karla Costa, professora mediadora que faz parte da equipe de inclusão da unidade escolar. Foto: Fernanda Calé / Agência Lume Ao classificar os alunos em três níveis de suporte, desde os letrados até os não letrados, os profissionais conseguem elaborar provas que respeitam o ritmo e a forma de aprender de cada um, garantindo que a avaliação seja um instrumento de inclusão e não de exclusão. Todo esse progresso é registrado em portfólios individuais, que documentam cada pequena vitória acadêmica e socioemocional conquistada ao longo dos anos. Os resultados desse esforço coletivo são visíveis em relatos como o de Aline Gonçalves de Jesus, mãe de Victor Gonçalves, um aluno de 16 anos com diagnóstico de autismo e TDAH que está na escola há dois anos. Aline descreve que, após passar por um momento mais desafiador devido a falta de mediadores e estrutura em anos anteriores, Victor encontrou no CAIC uma estrutura que lhe devolveu a confiança. Segundo ela, o filho hoje se sente seguro para frequentar as aulas e participar das avaliações, desenvolvendo uma independência que o permite sonhar com uma faculdade, "Ele tem vontade de trabalhar ele gosta muito da área de informática, que é a área que ele quer entrar, eu até já inscrevi ele num curso para ele iniciar". Esse sentimento de segurança é fruto direto da estrutura de apoio oferecida na sala de recursos e do acompanhamento próximo da equipe de articuladores. Outro exemplo é o Alison Lima de Carvalho, de 18 anos, que tem diagnóstico de autismo, TDAH e deficiência intelectual. Sua mãe, Maria Ivaneide de Souza Lima, expressa profunda gratidão pelo trabalho da equipe, mencionando especificamente a professora Marluce como seu “braço direito”. Ela conta que, antes, o filho se sentia constrangido e faltava muito às aulas, mas que hoje o cenário mudou completamente: "Hoje ele conversa mais, ele fala mais da escola, ele fala que gosta de vir para escola". Para Neide, a presença de uma profissional dedicada foi o que deu a ela a segurança de deixar o filho seguir em busca de sua independência. Mas apesar dos avanços e do carinho demonstrado pelos profissionais, a realidade estrutural ainda impõe limites ao desenvolvimento dos estudantes. Maria Ivaneide critica a carência de pessoal especializado que sobrecarrega os professores: "O que eu poderia mesmo exigir mais assim era mais acompanhante, sabe? Para essas crianças que têm autismo. Uma pessoa que tivesse ali do lado deles para poder ajudar". Ela reforça que esses profissionais são essenciais para evitar que os alunos se sintam julgados ou desamparados durante as atividades. A falta de mediadores e de materiais básicos, como abafadores de ruído, impede que alguns alunos com maior nível de suporte frequentem a sala de aula comum em tempo integral. Em casos mais graves, a ausência de um cuidador obriga os responsáveis a permanecerem no pátio da escola para caso o aluno precise de auxílio básico. A falta de pessoal, limita o potencial de desenvolvimento de alunos com maior nível de suporte. Nós perguntamos a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC), se o órgão possui um planejamento para a contratação de novos profissionais mediadores, sobre quais são os critérios utilizados para dimensionar o número de mediadores por unidade escolar e se existe um cronograma previsto para alocação desses profissionais no Colégio CAIC Euclides da Cunha. A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, informou que existe um planejamento para a contratação de profissionais de apoio escolar cuja previsão é para o segundo semestre de 2026. Segundo a Seeduc, para realizar o atendimento aos estudantes público-alvo da Educação Especial o critério utilizado é a avaliação pedagógica por meio do estudo de caso, e que havendo a identificação da necessidade desse atendimento por profissional de apoio escolar, a escola solicita os profissionais através de processo administrativo. Veja a nota completa enviada pelo órgão: “A Secretaria de Estado de Educação possui planejamento para contratação de profissionais de apoio escolar, em consonância com o Decreto 12.686/2025, estando em tramitação processo administrativo com fins à licitação para contratação desses profissionais e cuja previsão de atendimento é para o segundo semestre de 2026. Esclarecemos que para atendimento aos estudantes público-alvo da Educação Especial o critério utilizado é a avaliação pedagógica por meio do estudo de caso. Havendo a identificação da necessidade desse atendimento por profissional de apoio escolar, a escola solicita os profissionais através de processo administrativo. Vale destacar que o Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado (NAPES) orienta as equipes diretivas e pedagógicas das unidades escolares quanto às estratégias a serem utilizadas, considerando as necessidades educacionais especiais e a complexidade que cada caso requer.” Mesmo diante desses desafios estruturais, a equipe da escola mantém o foco em um futuro mais inclusivo, com a meta de atender 80% dos alunos da rede com articuladores e consolidar a escola como pólo de referência. Os professores seguem em formação contínua, muitos já pós-graduados em Educautismo, curso oferecido aos professores pela SEEDUC, além de realizarem vários cursos na plataforma de educação (LabEaD), tudo isso para oferecer o melhor atendimento possível. Como define o próprio portfólio da equipe, o trabalho realizado é a construção diária de uma "rede pública cada vez mais inclusiva, humana e transformadora", onde o afeto e a técnica caminham juntos para mudar vidas.

  • Projeto Favela Inteligente inicia oficialmente os trabalhos em Rio das Pedras

    Foto: Divulgação Projeto Favela Inteligente / Instituto Inpro Fruto de parceria que une diferentes órgãos, a iniciativa terá espaço físico na sala de informática na capela Nossa Senhora Mãe da Divina Providência na Rua Nova. Na última terça-feira, dia 9 de junho de 2026, foi inaugurado em Rio das Pedras o projeto Favela Inteligente, uma iniciativa que traz para a comunidade um laboratório moderno de tecnologia e inovação. O grande destaque do projeto é a oferta de cursos gratuitos de Inteligência Artificial com certificado de emitido pela PUC-Rio através do Instituto Ecoa. A inauguração marca também a chegada da nova sede do InPro (Instituto de Pesquisa e Projetos) na região, que foi o responsável por idealizar, estruturar e gerenciar todo o espaço e as aulas. O projeto funciona em um modelo misto e muito dinâmico para facilitar o aprendizado dos moradores. As aulas presenciais serão realizadas nas salas do segundo andar da Capela Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, localizada na Rua Nova, nº 37, onde os alunos terão acesso a computadores novos adquiridos especialmente para o curso. Além dessas atividades, os estudantes também terão momentos de aprendizado na sede do Instituto Ecoa, dentro do centro de tecnologia da PUC-Rio, na Gávea. Complementando a formação, os alunos participarão do programa TIC em Trilhas, que consiste em uma plataforma online e totalmente gratuita onde é possível para estudar no seu próprio ritmo, aprendendo desde conteúdos básicos até os mais avançados sobre desenvolvimento de sistemas, dados e Inteligência Artificial. Segundo João Áureo Lins, representante do projeto, ações como essa impactam diretamente no desenvolvimento social de Rio das Pedras: "Acreditamos que a inovação social é um caminho para o desenvolvimento do território, para a geração de oportunidades e para a construção de uma favela cada vez mais protagonista do seu próprio futuro." - João Áureo Lins, representante do Instituto Inpro e do Projeto Favela Inteligente. Para se tornar realidade o projeto Favela Inteligente contou com diversos parceiros e órgãos que acreditaram no projeto, como a Paróquia São João Batista teve um papel essencial ao ceder o espaço físico na Rua Nova para que os jovens possam estudar com conforto e segurança, a Prefeitura do Rio de Janeiro, atuando por meio da Secretaria Especial de Integração Metropolitana, garantiu o financiamento e a aquisição de todos os equipamentos e computadores que os alunos vão usar ao longo das formações. Por sua vez, a PUC-Rio entra com a excelência educacional, oferecendo as trilhas formativas, o acompanhamento acadêmico e a certificação oficial dos alunos. O projeto Favela Inteligente foi idealizado, construído e será executado pelo Instituto InPro. De acordo com dados fornecidos pela organização do projeto, o curso de Inteligência Artificial já registrou mais de cem jovens inscritos, superando as expectativas iniciais do instituto Inpro. Para acompanhar as novidades e ficar de olho em futuras oportunidades, vale a pena acessar a página oficial do programa na internet, pelo endereço eletrônico do Instituto Ecoa da PUC-Rio. Acesse: https://instituto.ecoa.puc-rio.br/tic-em-trilhas/inpro/

  • Lembranças Rio das Pedras: O dia em que Rio das Pedras não deixou o governador dormir

    Recorte do jornal Correiro da Manhã, edição de 22 de junho de 1966. | Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Como a mobilização de cerca de noventa famílias garantiu o direito à moradia e salvou o futuro daquela que se tornaria a segunda maior favela do Rio de Janeiro. Por: Fernanda Calé e Leonardo Soares Em junho de 1966 cerca de noventa famílias de lavradores que compunham o núcleo de ocupação inicial da comunidade estavam sob ameaça de remoção. Essa ação poderia mudar para sempre a região que conhecemos hoje, mas a resistência dos moradores mudou completamente o futuro e garantiu a continuidade daquela que veio a se tornar a segunda maior favela do Rio de Janeiro. O ano de 1966 trouxe muitos desafios para os moradores de Rio das Pedras, em um momento de expansão territorial e populacional da região, os moradores precisaram enfrentar ações judiciais de proprietários que haviam adquirido posses no local nos anos de 1940 e 1950, e desejavam valorizar suas propriedades. Essas ‘figuras’ recorreram à justiça para fazer valer seus “direitos” de senhores possuidores da área “invadida”, o que na prática significava a tentativa de despejo dos pequenos lavradores que se estabeleceram naquela região. Esses primeiros habitantes de Rio das Pedras, construíram habitações humildes de madeira e plantavam laranja, aipim, coco, milho, cana-de-açúcar e banana. Mesmo quando a agricultura não era suficiente para o sustento das famílias, eles recorriam à generosa oferta de peixes da Lagoa de Jacarepaguá, localizada muito próxima a comunidade. Os pretensos proprietários, em sua maioria profissionais liberais - alguns deles advogados e arquitetos - eram donos de companhias imobiliárias e sócios em várias empresas como bancos, seguradoras, mineradoras, siderúrgicas e tinham outros planos para aquelas terras que, na visão desse grupo, deveriam existir para dar lucro, sob a forma de loteamentos urbanos, mas para isso, a área precisava ser esvaziada de qualquer ocupação. Em abril de 1966, ocorreria a primeira tentativa de despejo de cerca de 92 famílias. A I Vara da Justiça do Rio havia acatado o pedido da Granja Rio das Pedras e do advogado Dalmo Esteves de Almeida que representava esta organização. O pedido de reintegração por parte dos supostos donos havia sido protocolado em 1963. Os moradores de Rio das Pedras já tinham conhecimento dessa iniciativa e de certa forma foram se preparando para a eventualidade de terem que resistir à sua expulsão daquelas terras. Os jornais da época se referiam a população local como “lavradores” e contavam sobre o movimento de mobilização que pretendia impedir a remoção das famílias: “Rio das Pedras não dorme para garantir suas terras. Os moradores de Rio das Pedras passaram mais uma madrugada de vigília para defender o caminho que liga a Estrada de Jacarepaguá ao centro da localidade, embora descrentes de uma atitude do governador Negrão de Lima no sentido de fazer a desapropriação da área medida que lhes permitiria continuar cultivando as glebas [lotes de terra].” Jornal Tribuna da Imprensa, edição de 6 de maio de 1966. | Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Nesse primeiro momento, a resistência dos moradores surtiu efeito, gerando a decretação da suspensão temporária da ordem de despejo. Os moradores comemoram, chegaram até a cogitar a realização de um churrasco para celebrar a vitória obtida. Mas seguiram mantendo a vigilância. Menos de dois meses após a suspensão da ordem de despejo, em junho de 1966, a I Vara voltaria a autorizar o despejo. No dia 20 de junho os oficiais compareceram à área de litígio para executar a ordem de despejo de cerca de mil pessoas, com forte aparato policial e com vários funcionários do governo munidos de picaretas e martelos para pôr abaixo as dezenas de casas que ocupavam os terrenos. Apenas cerca de 20 casas permaneceram de pé, salvas pela interrupção dos trabalhos com o fim do dia se aproximando. Os moradores desalojados não saíram da comunidade e montaram um acampamento provisório nos limites da comunidade. Percebendo que o momento exigia medidas mais importantes, os moradores tiveram a ideia de realizar um protesto junto ao governador Negrão de Lima. Eles já haviam realizado um movimento anterior no Palácio Guanabara que não havia surtido o efeito desejado. Desta vez os moradores decidiram realizar uma vigília na residência oficial do governador, localizada às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. No dia 21 de junho de 1966, cerca de 200 moradores chegaram à residência do governador por meio de ônibus fretados. Assim detalha a edição do jornal Correio da Manhã do dia 22 de junho: “A visita ao governador foi decidida anteontem [...] Em ônibus fretado pela associação de moradores, cerca de duzentas pessoas rumaram de Jacarepaguá para a Lagoa, chegando em casa do governador de madrugada” (p. 8). Ao chegar no local, foram recebidos pelo governador Negrão de Lima, que muito surpreso tentou controlar a situação prometendo viabilizar uma solução para a questão das terras, declarando que a “situação seria resolvida da melhor maneira possível”. Para isso, Negão de Lima mobilizou várias secretarias de governo para que pensassem em medidas efetivas. O governador afirmou que mandaria suspender a ordem de despejo e satisfeitos com o encaminhamento, os moradores retornaram para Rio das Pedras. Negão de Lima cumpriu com a palavra, a ordem de despejo foi suspensa e vários secretários e técnicos de várias pastas foram mobilizados para organizar estudos sobre a localidade. As principais secretarias que passaram a atuar ali foram da economia e agricultura. Esta, numa rápida visita constatou que a região era dominada por atividades agrícolas. O que fundamentou a decisão daquela em iniciar um estudo com vistas a desapropriação da área reivindicada pelos posseiros para fins de reforma agrária. A desapropriação de parte da região sairia no ano seguinte. Ela não significou uma vitória definitiva daqueles moradores, mas a pressão e o protesto exercido sobre as autoridades políticas demonstraram que esse era o caminho a ser seguido. O que foi feito nas décadas que se seguiram. O conteúdo que você acabou de ler faz parte do Lembranças: Rio das Pedras, um projeto da Agência Lume que busca registar e disponibilizar a memória da Favela de Rio das Pedras. Para isso nossa equipe está entrevistando diversos moradores e ex-moradores que viveram na região entre os anos de 1940 e 1990. Para construir esta reportagem nós contamos com o apoio dos seguintes voluntários Hérika Freire, Leonardo Soares, Lucas Barros e Wellington Melo. Se você também fez parte dessa história e quer nos ajudar, entre em contato com a nossa equipe através do WhatsApp: (21) 99783-6904.

  • Agência Lume realiza atividade sobre Justiça Climática em Rio das Pedras

    Alunos assistiram a palestras sobre mudanças climáticas e seus impactos em favelas como Rio das Pedras. | Foto: Douglas Teixeira. Em parceria com o projeto Planeta Território, a organização capacitou cerca de 200 estudantes da rede pública para transformar a comunicação em ferramenta de reivindicação ambiental. A Agência Lume realizou, no dia 15 de abril, uma imersão em letramento climático e midiático voltada para jovens de 16 a 18 anos, alunos do terceiro ano do Ensino Médio de uma escola em Rio das Pedras. A iniciativa, batizada de Se Liga no Clima, levou para a unidade escolar informações sobre como a crise ambiental global impacta diretamente o cotidiano das periferias urbanas e de que forma a comunicação pode ser usada para pautar soluções. O evento foi estruturado para desenvolver o pensamento crítico dos estudantes, estimulando a interpretação de dados ambientais e a síntese de informações complexas em mensagens acessíveis para a comunidade. Ao aproximar o tema da preservação da Mata Atlântica da realidade do território, a Lume reforça seu papel como ponte entre o conhecimento técnico e a vivência comunitária. O mini-seminário contou com a participação de nomes que unem ativismo e ciência: Maiara Oliveira, internacionalista e moradora da região com experiência nas COPs 29 e 30; Charlie Gomes, da Agenda 2030 Rocinha e Marcelo Calvano, liderança do Instituto Limpa Brasil e da AMAF. Um dos diferenciais da ação foi a integração entre a expertise de comunicação da Lume e o planejamento pedagógico da escola. O objetivo foi criar um ambiente onde os alunos não apenas recebessem informações, mas se reconhecessem nos porta-vozes e nos exemplos apresentados. Para Douglas Teixeira, Diretor de Comunicação Comunidades da Agência Lume, essa conexão é o que torna o aprendizado efetivo. "A Lume chegou com uma proposta aberta e construímos o roteiro junto com a equipe pedagógica para agregar ao que os alunos já aprendem em sala. Além disso, trouxemos palestrantes que vivem ou atuam na região. Ver os jovens se identificarem com quem luta pelo meio ambiente aqui gera uma representatividade essencial para que eles se sintam parte dessa luta", pontua Douglas. A parte prática do encontro desafiou os estudantes na atividade "Feed da Sustentabilidade: Influenciadores do Clima". Os jovens aplicaram técnicas de comunicação para identificar problemas ambientais no trajeto entre suas casas e a escola. As soluções propostas por eles foram transformadas em conteúdos digitais que foram veiculados nas redes sociais da Agência Lume, dando visibilidade ao olhar desses novos comunicadores territoriais. Confira aqui. Sobre o projeto A ação faz parte do escopo da Agência Lume, que, como Organização da Sociedade Civil (OSC) fundada em Rio das Pedras, utiliza a comunicação estratégica para o desenvolvimento social e o fortalecimento da cidadania e da identidade local. O projeto também contou com a parceria do Planeta Território um projeto do Território da Notícia desenvolvido desde 2022 para ampliar a pauta do clima entre as mídias periféricas, além de promover o letramento climático nas periferias por meio da veiculação em nossa plataforma de distribuição. Diante do atual cenário desafiador para comunicar a crise climática em nossas localidades, o Território da Notícia quer fomentar a co-criação e utilização de ferramentas que auxiliem a coleta de interesses do público, a produção e distribuição de conteúdos e a mensuração de impacto entre mídias periféricas e independentes de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

  • Projeto Formou! inicia oficinas de comunicação e história local em Rio das Pedras

    Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume Iniciativa da Agência Lume com apoio do Instituto David Miranda, capacita jovens para preservar a memória local e fortalecer a identidade comunitária. Neste sábado, 11 de abril, a Agência Lume deu o pontapé inicial ao projeto Formou!, realizando a primeira oficina voltada para estudantes de 12 a 15 anos de duas escolas públicas de Rio das Pedras, Zona Sudesde do Rio. O encontro, que aconteceu das 9h às 12h, e reuniu alunos dos GETs Mestre Diego Braga e Professor Célio Lupparelli, marcou o começo de uma jornada de seis meses que transformará 30 jovens em protagonistas da comunicação em seus territórios. O tema da primeira oficina, "Quem eu sou? + Meu lugar" , buscou construir vínculos entre os alunos por meio da sensibilização e do autoconhecimento. A atividade começou com a narração do poema "Quem sou eu?", de Pedro Bandeira, que convida à reflexão sobre a essência humana além das aparências e dos bens materiais. Para quebrar o gelo e promover a observação positiva, os jovens participaram da dinâmica "Retrato Falado", exercitando a empatia e o reconhecimento do outro sem rótulos. Pertencimento e Território Foto: Fernanda Calé / Agência Lume A segunda parte da manhã foi dedicada ao fortalecimento da relação com a comunidade. Através da dinâmica "linha de Pertencimento " , os alunos compartilharam vivências sobre os desafios e o orgulho de morar em Rio das Pedras, transformando experiências individuais em um senso de coletividade. Um dos momentos mais práticos foi a construção de um mapa afetivo da comunidade. Utilizando post-its, os jovens identificaram as joias locais, figuras e lugares queridos, como o barbeiro da rua ou o campinho de futebol. As Zonas de Conforto e Luta: espaços onde se sentem seguros e áreas que demandam mudanças urgentes, e as Zonas de Sonho: o que desejam construir para o futuro do bairro. Sobre o Projeto Formou! O nome do projeto utiliza a gíria carioca "Formou" para conectar o aprendizado formal à linguagem das ruas, simbolizando acordo e crescimento. Durante o curso, os núcleos de jornalismo receberão oficinas de educação midiática, jornalismo, cultura e história local. Ao final de seis meses, os resultados serão apresentados em um evento de culminância organizado pelos próprios estudantes nas suas unidades de ensino.

  • Clínica da Família Helena Besserman Vianna celebra dez anos em Rio das Pedras

    Equipe da unidade comemora dez anos. | Foto: Divulgação / Secretaria Municipal de Saúde. Unidade de saúde se consolidou como centro de referência, formação profissional e cuidado humanizado na segunda maior favela do RJ. A Clínica da Família Helena Besserman Vianna, localizada em Rio das Pedras, celebrou na última sexta-feira, 6 de março, seu décimo aniversário. Inaugurada em 2016 como a 86ª unidade do tipo na cidade, a clínica tornou-se um pilar fundamental para a saúde da região. Ao longo dessa década, a unidade foi moldada por diferentes lideranças que mantiveram o foco na empatia e na qualidade do serviço. Jéssica Ribeiro, atual gestora da unidade, destacou a felicidade de celebrar a data: "É uma alegria muito grande estar nessa unidade que está comemorando dez anos hoje (...) é um trabalho que vem sendo feito por diversos outros gestores, outras gestoras que já passaram por aqui, que hoje eu tô estou há 8 meses enquanto gestora, dando continuidade, a esse serviço de qualidade, de cuidado e de empatia com usuário, levando a saúde à população aqui da comunidade Rio das Pedras.” Para Maria Cassiana Dias, ex-gerente da unidade e atual supervisora técnica, o momento é de nostalgia e reflexão sobre a evolução do espaço: "Entrei aqui logo depois da inauguração enfermeira de cinco equipes, depois fui enfermeira responsável técnica, fui gestora da unidade e olhar para essa unidade, ver esse jardim, como ele tá lindo, me faz lembrar o quanto a gente constrói e reconstrói saúde aqui no território. Tivemos uma meta que era 'doe uma planta, doe um amor' e hoje o jardim se transformou nesse espaço maravilhoso". A alegria também foi relatada por Marcelle Ribeiro, ex-gerente da unidade e atualmente assessora da Superintendência de Atenção Primária: “Gente, tô muito feliz de estar aqui hoje, comemorando dez anos de Helena, um lugar que me acolhe sempre que eu preciso, que me ensina, que me evolui e que foi semente no meu coração e que eu levo por onde eu vou hoje. Tem muito tempo que eu não tô aqui, toda vez que eu venho esse lugar traz muitas lembranças, muitas emoções, de todas as dificuldades que eu passei, de todas as lutas que eu travei junto com essa equipe, junto com essa comunidade que tem tanto para ensinar para esse Brasil inteiro." Referência em formação e integração A unidade não atua apenas no atendimento direto; ela é um importante centro formador no Rio de Janeiro. Segundo o secretário Municipal de Saúde, Daniel Soranz, a clínica é uma unidade de formação que capacita médicos, enfermeiros e outros profissionais para atuarem em toda a rede municipal. Daniel Soranz, esteve presente no evento e enfatizou a importância do atendimento integrado: "A Clínica da Família Helena Besserman Vianna, juntinho aqui da escola Bussunda (E.M. Cláudio Besserman Vianna) em Rio das Pedras é uma unidade que simboliza a construção do Sistema Único de Saúde aqui na região. Desde o primeiro posto de saúde, Luiz Gonzaga, Rei do Baião, até a Clínica da Família Otto, que era uma grande referência, até a inauguração da Helena, a gente avançou bastante. Também queria falar da importância de todos os setores, de todas as clínicas estarem atendendo de maneira integrada, a gente não pode pensar numa unidade isolada. O Helena também é uma unidade de formação que forma médicos, enfermeiros, profissionais de diversas categorias para atuarem em diversas unidades de saúde do município, então um grande centro formador." Paulo Barros, agente Comunitário de Saúde integra a equipe da unidade desde a sua inauguração e relembrou como foi viver esses dez anos atuando diretamente com os moradores da comunidade: " Tô aqui desde o início na formação das primeiras turmas, do primeiro grupo que veio trabalhar, que desbravou um pouco do que seria o trabalho do agente de saúde nessa parte da comunidade. No começo a gente não tinha o projeto da clínica ainda todo todo completo, estava em construção, aqui era um terreno, onde tudo foi feito do zero, e é muito gratificante fazer parte dessa família e ver como o projeto deu certo. Nesses dez anos de caminhada a gente conseguiu implementar no território o nosso cuidado, a nossa atenção com os pacientes e eu me sinto muito feliz de fazer parte disso tudo, olhar para trás e ver como é hoje deixa o sentimento mais forte.” Cerimônia de inauguração realizada em março de 2016. | Foto: Beth Santos e Tarso Ghelli / Prefeitura do Rio. A inauguração, ocorrida originalmente em um sábado de 2016 , marcou o encerramento do projeto "Prefeitura Itinerante" na Zona Oeste. Na época, o investimento foi de R$ 5,2 milhões. O nome da unidade de saúde é uma homenagem à médica e psicanalista Helena Besserman Vianna, reconhecida por sua luta pela ética na psicanálise e sua atuação contra a ditadura militar. A localização da clínica possui um simbolismo familiar único: ela está situada ao lado da que leva o nome de um dos três filhos de Helena Besserman, o humorista Cláudio Besserman Vianna, o Bussunda. Durante a inauguração, Sérgio Besserman, então presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), e filho primogênito de Helena Besserman Vianna emocionou-se com a homenagem. "Agradeço a homenagem a minha mãe, que está ao lado da escola que tem o nome do meu irmão, o Bussunda. Já havia lido no Diário Oficial do Município que se tratava de uma clínica espetacular e realmente é. Isso vai ficar no meu coração para sempre.".

  • A História do Hino Nacional Brasileiro e a sua relação com Jacarepaguá

    Retrato de Francisco Manuel da Silva, por Paulo do Valle Júnior - Acervo Museu Paulista da USP, acessado via Google Arts & Culture Por: Val Costa. Professor de Geografia e membro do IHBAJA. Segundo a Constituição Federal, os quatro símbolos oficiais do Brasil são: a Bandeira Nacional, o Hino Nacional, as Armas Nacionais (Brasão Nacional) e o Selo Nacional. A música do nosso hino foi feita em 1822, por Francisco Manuel da Silva (1785-1865). Ele compôs essa melodia em um armarinho localizado no Centro da Cidade do Rio de Janeiro.   Francisco nasceu em um sítio na então Freguesia de Nossa Senhora do Loreto e Santo Antônio de Jacarepaguá. Em 1809, ingressou como soprano no coro da Capela Real. No ano de 1816, passou a estudar com o compositor e pianista austríaco Sigismund von Neukomm. Em 1841, assumiu o cargo de mestre geral da Capela Imperial. Fundou também a Sociedade Beneficente Musical. Em 1857, foi condecorado pelo Imperador D. Pedro II com a Imperial Ordem da Rosa.   Em 1831, a melodia do nosso hino ficou muito popular com uma letra que comemorava a abdicação ao trono do Imperador D. Pedro I em favor de seu filho, D. Pedro II. Ela tinha sido escrita pelo poeta e magistrado piauiense Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva. Apesar de nunca ter sido sancionada como a música oficial do Governo Imperial, a melodia composta por Francisco ficou muito identificada com a monarquia.  Após a Proclamação da República (1889), o Governo Provisório de Deodoro da Fonseca convidou Antônio Carlos Gomes para elaborar o novo hino pátrio. Com a recusa do compositor, ficou decidido que seria organizado um concurso para a escolha da nova canção. Foram 29 concorrentes e 4 finalistas. Em 20 de janeiro de 1890, no antigo Theatro Lyrico, a música de Leopoldo Américo Miguez foi escolhida como a campeã. Após a execução da canção vitoriosa, o público presente ao evento pediu para tocar o hino de Francisco Manuel da Silva. Percebendo a popularidade da melodia, o Marechal Deodoro da Fonseca baixou o Decreto nº 171, que determinava:  “O Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil constituído pelo Exército e Armada, em nome da Nação, decreta: Art. 1º - É conservada como Hino Nacional a composição musical do maestro Francisco Manuel da Silva. Art. 2º - É adotada sob o título de Hino da Proclamação da República a composição do maestro Leopoldo Miguez, baseada na poesia do cidadão José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros Albuquerque.” O hino pátrio ficou sem letra até 1909, quando o governo instituiu um novo concurso “para escolha de uma composição poética a se adaptar com todo o rigor à melodia do Hino Nacional”. O vencedor foi o poeta fluminense Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927). Apesar da vitória, essa composição só foi declarada oficialmente a letra do “Hino Nacional Brasileiro” em 1922, através do Decreto n°15.671.  Waldemar Costa, saudoso jornalista e pesquisador sobre a História da Baixada de Jacarepaguá, mencionou em seu livro “Imagens de Jacarepaguá” que Francisco Manuel da Silva se inspirou no canto de um pássaro existente em seu sítio em Jacarepaguá para compor a melodia do Hino Nacional.  Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.

  • A História do bairro do Campinho

    Conjunto arquitetônico do Largo do Campinho destruído para as obras da Transcarioca. | Foto: Val Costa Por: Val Costa. Professor de Geografia e membro do IHBAJA. O atual Largo do Campinho era um entroncamento existente na Estrada Real de Santa Cruz. Nele, os viajantes descansavam e os seus cavalos pastavam em um verdejante gramado que, por sua dimensão reduzida, passou a ser chamado de “campinho”. A Estrada Real de Santa Cruz foi construída seguindo o trajeto do antigo Caminho dos Jesuítas, criado por essa ordem religiosa no século XVII. Essa via iniciava em São Cristóvão e ia até a Fazenda Imperial de Santa Cruz. Daí se ligava a Itaguaí. A seguir, prosseguia, entrando na Província de São Paulo por Bananal. No início do século XVIII, toda a área compreendida entre os morros do Dendê, Valqueire e da Bica era chamada de Campinho. Nesse período, a circulação de tropeiros transportando ouro e diamantes das Minas Gerais e de Mato Grosso era intensa na Estrada Real. Essa riqueza era levada até o porto do Rio de Janeiro, onde era embarcada para Portugal. O líder da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, pernoitou em uma estalagem no Largo do Campinho. Ele fazia a sua última viagem, pois, no dia seguinte, foi preso na Rua dos Latoeiros, atualmente Rua Gonçalves Dias, no Largo da Carioca. Ao lado da estalagem onde pernoitou Tiradentes havia o oratório da Fazenda do Campinho, de propriedade de Dona Rosa Maria dos Santos. Atualmente, no mesmo local, existe a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Na metade do século XIX, o Largo do Campinho se consolidou como um dos principais Pólos Atacadistas de produtos alimentícios dos subúrbios cariocas. Nessa época, foram construídos galpões e trapiches nos quais esses produtos eram armazenados. Em 1822, no alto de uma colina no Largo do Campinho, foi construído o forte de Nossa Senhora da Glória. Em 1852, ele foi transformado em Imperial Laboratório Pirotécnico do Exército. No século XX o local abrigou o Regimento Moto – Mecanizado e o Núcleo da Companhia de Comunicações da Divisão Blindada do Exército. A estalagem onde pernoitou Tiradentes e o conjunto arquitetônico formado por lojas e armazéns foram tombados pelo poder público municipal, pelo decreto-lei no 24.560, de 25/08/2004. No ano de 2010, esses imóveis foram destombados, desapropriados e demolidos pela prefeitura para a construção do Mergulhão Clara Nunes, primeira etapa para a implementação do corredor viário do BRT Transcarioca. Estalagem onde pernoitou Tiradentes. | Foto: Val Costa. No bairro do Campinho nasceu e foi criada Arlette Pinheiro da Silva Torres, cujo nome artístico é Fernanda Montenegro. A pacata Rua Alaíde “testemunhou” o nascimento de uma das maiores estrelas da nossa teledramaturgia, sendo indicada ao Oscar de Melhor atriz pela sua atuação no filme “Central do Brasil”. Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.

  • Movimento Floresta em Pé Jacarepaguá promove mutirão de limpeza e banho de cachoeira no Vale do Rio Papagaio

    Foto: Sidney Teixeira Ação ambiental reforça mobilização pela criação de Unidade de Conservação na faixa florestal que margeia Jacarepaguá a leste, fora do Parque Nacional da Tijuca. Há anos , moradores e ativistas ambientais de Jacarepaguá se mobilizam para que toda a faixa florestal que margeia o bairro a leste, fora dos limites do Parque Nacional da Tijuca, seja reconhecida oficialmente como uma Unidade de Conservação da Natureza. Esse processo já passou por abaixo-assinado, sucessivas reuniões com tomadores de decisão, estudo técnico e consulta pública , e recentemente avançou ao ser aprovado no Gabinete do Prefeito da cidade, aumentando a expectativa de que uma das maiores proteções ambientais do Rio enfim saia do papel. Em alusão à Campanha Floresta em Pé Jacarepaguá, será realizado um mutirão de limpeza seguido de banho de cachoeira no Vale do Rio Papagaio, no dia primeiro de fevereiro, véspera do Dia Mundial das Zonas Úmidas. O encontro pretende reunir moradores, coletivos e organizações socioambientais para cuidar da trilha, fortalecer o vínculo com o território e demonstrar, de forma concreta, o apoio à criação da nova Unidade de Conservação. O evento acontece no dia 01 de fevereiro (domingo), com concentração às 8h, na Estrada do Quitite, 715, ponto de encontro para acesso à área do Vale do Rio Papagaio. A proposta é unir cuidado com a natureza, mobilização comunitária e vivência em área verde, reforçando a importância da preservação da biodiversidade e dos recursos hídricos locais. Além de contribuir diretamente para a conservação do território, a ação também busca dar visibilidade à luta pela criação da Unidade de Conservação na região. A expectativa dos organizadores é que o reconhecimento oficial amplie a proteção da flora e da fauna, garanta o uso responsável do espaço por moradores e visitantes e fortaleça a gestão ambiental em Jacarepaguá. O mutirão é organizado pela Associação de Moradores e Amigos da Freguesia ( AMAF ), pelo coletivo Legislação Ambiental para Todos, pelo Reflorestamento Quitite e Urubu e pelo Eco Yoga Rio, com apoio do Instituto Limpa Brasil e da iniciativa Eu Cuido do Meu Quadrado. Os organizadores convidam a população para participar, compartilhar a atividade e chamar mais pessoas para somar na defesa da floresta em pé e do patrimônio natural de Jacarepaguá.

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