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  • Quando Rio das Pedras era só um rio

    O rio das Pedras, vista na saída do condomínio Floresta. | Foto: Neto Paiva Entre fazendas e sítios, veja as memórias de um território rural e bucólico que, nos anos 1940-1960, atraía tanto elites quanto famílias humildes fascinadas pela liberdade e pelas belezas naturais. Por: Leonardo Soares Quem estivesse em qualquer ponto da Rua Velha nos anos de 1940 poderia contemplar sem nenhum esforço verdadeiras dádivas da flora e fauna do Rio de Janeiro. De um lado, a visão alcançava porções esplendorosas da Floresta da Tijuca, com sua fauna particular (capivaras, pacas, guaribas, gambás) passeando pela região; do outro, um verdadeiro tapete verde, cercado por lagoas e rios, formando uma bacia hidrográfica rica em recursos e possibilidades. Toda essa descrição está presente na obra realizada por Magalhães Corrêa sobre o “ Sertão Carioca ”, como ele chamava a Baixada de Jacarepaguá no início dos anos 1930. Magalhães Corrêa foi um estudioso e naturalista que trabalhou no Museu Nacional e ficou simplesmente arrebatado pelas belezas naturais e pelas formas de vida marcadamente rurais ainda existentes no território. Ele relataria toda essa experiência em artigos que escreveu para o Correio da Manhã entre os anos de 1931 e 1932. Pouco mais de 10 anos depois as descrições seguiam sendo válidas para boa parte dessa região. Inclusive para o que conhecemos hoje como Rio das Pedras. Um exemplo é o da Rua Velha citada acima, que era de tal exuberância que atrairia a atenção de muita gente pelos anos seguintes.    O que conhecemos hoje como a “comunidade” de Rio das Pedras abrangia uma área que se dividia em vários sítios e fazendas. As maiores delas pertenciam a pessoas como Alberto Monteiro da Silva, renomado advogado oriundo do Pará. Figura recorrente das colunas sociais tanto da imprensa paraense quanto da carioca. Além do Dr. Monteiro, figuras como as madames Grimaldi, Kate, Betin e Elsa Lopes Fonseca também possuíam terras na região que abrigava sítios e fazendas pertencentes a pessoas riquíssimas, que certamente faziam parte da elite da cidade. Foto de Angiolina Grimaldi de 1922 | Fonte: Arquivo Nacional. Fundo: Série Interior - Nacionalidades (IJJ6) (A9) Seção/Série: Processos de naturalização. Notação: BR RJANRIO A9.0.PNE.1277 Por que pessoas pertencentes a elite viviam em Rio das Pedras?   Naquela época, a região de Rio das Pedras era um lugar entendido como espetacular, nada menos que isso. Mesmo que o local ainda estivesse relativamente isolado (em relação ao  centro e zona sul) e que tivesse poucos meios de transporte, esse não era um problema para essa gente que possuía os carros mais luxuosos da frota carioca.  E o isolamento era por si só, um atrativo. Por isso resolveram estabelecer verdadeiros recantos para descanso e realização de festas e banquetes com os seus círculos de amigos ricos, influentes e poderosos como eles (na certeza também de que tais festas faziam parte da engrenagem pela manutenção e busca de mais poder, prestígio e benesses).  Mas não só os ricaços buscaram a região. Pessoas humildes que suavam para ganhar a vida também se encantaram pelo lugar. Alguns desses aspectos foram descritos por antigas moradoras em recentes entrevistas realizadas pelo projeto “ Lembranças: Rio das Pedras ”. A equipe conversou com pessoas que começaram a viver em Rio das Pedras entre fins da década de 1940 e início da década de 1950. Contrastando com a ideia de que a antiga área de Rio das Pedras era abandonada e largada no meio do nada, essas mulheres que testemunharam o desabrochar da história recente do território, detalharam a existência de um cenário completamente diferente. A existência de várias nascentes, lagoas, área verde e uma área de baixada propícia para a criação de gado, encorajava a implantação de estabelecimentos agrícolas.  Planta da Baixada de Jacarepaguá, 1932. | Fonte: Arquivo Nacional / Fundo: Diretoria de Saneamento da Baixada Fluminense, DNOS. Notação: BR_RJANRIO_04_0_MAP_0920_d0001Ade0002.  Foi em um deles que o pai de Maria da Rocha Robadey, 80 anos, decidiu se fixar com toda família a partir de 1947, vindos da cidade de Cantagalo, localizada na região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. “Aonde é o Bussunda  [Escola Municipal Cláudio Besserman Vianna] tinha uma grande fazenda ali, um sítio, não era fazenda, era um sítio onde havia muitas plantações, divisa com a Rua Velha. Havia muitas plantações de cana, de banana, batata doce, aipim, e tinha uma pequena horta que era para o consumo da família. Era a família José Simão.” - Maria da Rocha Robadey   E pelo visto, Simão já deveria morar há muito tempo ali. Dona Maria faz questão de enfatizar que o alicerce da casa “era alto, todo de pedra. Aí tinha uma escada, entrava para poder entrar na casa. Mas a metade da casa era de pedra” . Ou seja, segundo o relato, já havia gente ocupando a região de Rio das Pedras antes de 1947.  Em outro momento da entrevista ela faz menção a um certo “Seu Luizito” . Ele morava “ lá perto da estação azul, ali onde é a estação azul, era estação azul, tinha uma casa ali enorme. É, igual a todo lugar, aqueles casarões, como você ainda vê pelo interior, amarela, aquelas casas compridas tipo um armazém” .  Dona Célia Maximiniana, nascida em Rio das Pedras em 1953, acha que os primeiros moradores eram da Família Militão. Segundo ela, eles moravam numa casa de pedra localizada na antiga estrada de Jacarepaguá. Vários outros sítios são mencionados nas entrevistas. Dona Célia menciona alguns deles: “Seu Dudé plantava muita coisa. Seu Dudé tinha muito canavial de cana, Seu Pereira... O sítio do Seu Pereira vinha até aqui na divisa aqui da minha casa. Era tudo plantado - cana, banana, tudo! Muita coisa.” E tudo isso movido por trabalho familiar. Essa é uma interessante questão pontuada pela jornalista Fernanda Calé durante a entrevista com Dona Célia. Além de destacar o emprego de mão-de-obra dos familiares, podemos constatar que a produção local extrapolava o mero nível de subsistência, ou seja, para consumo próprio, voltando-se ao abastecimento de um mercado local no território. Eis o momento em que a questão é colocada na entrevista:  “Fernanda: E aí empregava o pessoal nessa plantação? Célia: Não, não sei não, ele mesmo que fazia com os filhos, com a mulher. Minha tia mesmo, minha tia Madalena morava ali, ela tinha isso aqui, aqui até aqui a atrás da minha casa, até lá na frente na rua. Era tudo plantado de cana, bananeira, era plantava muita coisa. Fernanda: E aí tinha o pessoal então que tinha uma plantação própria? Célia: Tinha. Eles vendiam para fora. Seu avô mesmo, seu avô (bisavó), né, que é pai da sua mãe (avó), né? Ele vendia na carroça, era uma carroça e ele saía vendendo, ele vendia batata-doce, aipim, couve. Essas coisas todinha que ele fazia a plantação.” Sobre as fazendas, Dona Maria da Rocha Robadey faz uma curiosa observação: “Engraçado né, aqui só tinha.. é .. os maridos compravam as fazendas e colocava no nome das mulheres?”  A exceção teria sido a propriedade de Alberto Monteiro da Silva, o Dr. Monteiro. Sobre ele, Dona Maria, lembra:  “O doutor Monteiro, Alberto Monteiro da Silva, ele era o proprietário de tudo isso que você está vendo aqui, da Pedreira até lá no Pinheiro. Lá em cima no floresta — que hoje em dia é floresta — ele era dono de tudo isso da parte de cima, do lado direito, do lado de baixo, onde essa família morava, cuja casa foi a nossa primeira, era chamado Brejo, da Rua Velha para lá, era chamado Brejo, que hoje em dia é Rio das Pedras. Era um pântano.” O fascínio do advogado pelo lugar era tamanho que, na verdade, sua propriedade alcançava o Itanhangá. Não há dúvida que Dr. Monteiro foi entre aqueles “grandes proprietários” o que mais se encantou pela região. Importante destacar que entre as duas regiões, Rio das Pedras e Itanhangá, Dr. Monteiro acabou priorizando seus investimentos na primeira, em Rio das Pedras decidiu montar uma pedreira, um condomínio voltado para a alta classe média e um clube de elite. Alberto Monteiro da Silva em foto de seu casamento com Esmeralda Blanco Trindade, ocorrido em 3 de abril de 1937. | Fonte:  Vida Doméstica , nº 234, Setembro de 1937, p. 65. A fazenda que o advogado tocava também era a mais produtiva da área. Esse importante detalhe é enfatizado por Dona Maria em sua entrevista:  “Em toda parte que você vê hoje em dia, Cidade de Deus, Muzema, Tijuquinha, Rio das Pedras, tudo era mato, mato e sítio. Sítio, fazendas, a maioria já improdutiva. Só que a fazenda do Dr. Monteiro, sim, era uma fazenda. Fazenda porque havia muitos gados, cavalo, vaca, boi, porcos, muitas aves, e muitos patos. Ele era paraense, então ele trouxe de lá do Pará, muitos animais, mutum, arara, tudo isso tinha na fazenda.” Dr. Alberto (o primeiro no sentido da esquerda para a direita, na foto de baixo) adorava promover grandes almoços em sua fazenda em Rio das Pedras, onde reunia muitas pessoas influentes, fosse do campo político, econômico e até artístico (veja-se Orlando Silva na foto acima, no plano mais a frente à esquerda), como nesse churrasco realizado ali em 1954, para angariar fundos para a construção do Colégio Anchieta de Nova Friburgo. Dr. Alberto reafirmava seu poder e influência por meio desses eventos. Vida Doméstica , nº 436, Julho de 1954, p. 31. O então marido de Dona Maria acabou indo trabalhar exatamente na fazenda do Dr. Monteiro. Anos mais tarde, ele decidiu construir um condomínio - o Floresta, e um clube social - o Floresta Country Club:  “Começaram a construir casas luxuosas, que é o agora o Condomínio do Floresta. E ao mesmo tempo, ele fez o Floresta Country Club, que é um clube lá em cima no alto, tudo dele. E o meu então marido, o pai dos meus filhos, que trabalhava na fazenda dele, ele levou para trabalhar lá no Floresta”. Ainda nos anos 1950, Dr. Monteiro decidiria instalar ali uma escola, a Adalgisa Monteiro, em homenagem a sua mãe. Com o crescente volume de obras (condomínio de casas, clube, ruas) e de serviços ligados a elas, aumentou logicamente a demanda por braços que tornasse tudo isso possível. Tais empreendimentos, portanto, abriam oportunidades de trabalho para pessoas humildes, já que trabalhadores e trabalhadoras de fora teriam que ser atraídas, porque a pequena população local ainda não dava conta. E sendo para ali atraídas para o trabalho, muitas delas perceberam o quanto seria interessante se instalar ali, definitivamente. Outro grande proprietário de Rio das Pedras era uma companhia, a Granja Agrícola Rio das Pedras. Aqui nesse anúncio ela ainda estava em organização. Ela tinha muitos planos para a região. Faltou combinar com os moradores mais humildes. Fonte: Diário de Notícias , 27/01/1948, 2ª Seção, p. 6. Não que fosse uma decisão simples. O local padecia com a falta de meios de transporte. Para quem não tinha carro – e só os donos das “fazendas” o possuíam, teria que contar com o auxílio de cavalos ou burros, porque o ônibus ligando Cascadura e Largo da Barra, que cruzava o local pela estrada de Jacarepaguá, passava apenas de duas em duas horas.  Telefone? Nem pensar. “Só rico que tinha” , resume Dona Elisa Antunes, moradora que vive na região desde 1947. Os únicos telefones instalados eram os dos fazendeiros. Nem água encanada havia. O hospital mais próximo era o Miguel Couto, na Gávea, do outro lado do Joá. Os trabalhos de parto nessa época ficavam a cargo de poucas parteiras, como Dona Eufrásia , parteira que morava desde os anos 1950 ali e que chegou a oferecer seus serviços de forma gratuita em toda a região.  Por outro lado, o local oferecia uma série de comodidades. Nas entrevistas com moradores de Rio das Pedras, esse ponto emerge com força nas falas das entrevistadas. Fica mais fácil compreender porque tantas pessoas decidiram viver ali, em que pese tantos obstáculos. Era difícil sim, pois para quem era humilde e vivia apenas de seu trabalho, não era nada fácil viver ali – não só ali como em toda a Baixada de Jacarepaguá nos anos 1940 e 1950. Contudo, os entrevistados são unânimes em afirmar que apesar de todas as dificuldades, era bom viver em Rio das Pedras. Célia Maximiniana, por exemplo, relembra saudosa o Rio das Pedras quase límpido de sua época: “Ah, o rio, que era bom, tinha peixe, lavava a roupa no rio. Era tudo limpinho aquele rio, era uma beleza” . Fato endossado por Maria da Rocha:  “esse rio que que passa aqui, também era limpinho, tinha muitos peixes, muito camarão...” . E havia ainda a Lagoa da Tijuca, muito próxima e também limpa, onde as crianças adoravam pescar. Mesmo a falta de água encanada parecia ser contrabalançada pelo poço do Seu Pereira, de onde, segundo Dona Célia,  “a água saía geladinha” . Maria da Rocha assim detalha o mesmo aspecto:  “A nossa água era uma bica vinha lá de cima do sertão, porque o sertão Tinha um morador aqui, outro ali, a água era limpa da nascente, aí descia pela pelo mato, aí se colocava uma calha de bambu e ali a gente…eu fui criada tomando aquela água pura e aí tinha um tanque grande de cimento, ali a gente tomava banho, de vez em quando caía camarão”. Dona Maria chega a dizer na entrevista por ela concedida — como que querendo resumir o que era viver na localidade — que hoje chamamos de Rio das Pedras, que “não havia perigo” , pois era  “então, campo imenso, nós éramos igual índio (indígenas), nós tínhamos liberdade” . Bastante significativo que Dona Maria, ao ser perguntada sobre qual época gostaria de viver novamente caso fosse possível voltar no tempo, tenha situado sua escolha nos anos 1950.  Eis sua resposta:  “Sim, então, se eu pudesse voltar atrás, é, eu voltaria em 1956. Fiz a primeira comunhão, que eu era muito católica, fiz a primeira comunhão. A época que o Mário Pinote fez um postinho na Muzema e que dava uma farinha Eubra dos pobres, mas era tudo jogada política. Era uma época em 1956, foi a minha época dos meus sonhos. Dos meus sonhos! Todos que foram criados comigo ainda eram adolescentes como eu naquela ocasião.”   A partir dos anos 1960 muita coisa mudaria, novos desafios se apresentariam aos moradores e moradoras de Rio das Pedras. A região cresceria com a chegada dos migrantes, e outras histórias passariam a ser contadas, com um outro Rio das Pedras começando a tomar corpo. O conteúdo que você acabou de ler faz parte do Lembranças: Rio das Pedras , uma iniciativa da Agência Lume que busca registar e disponibilizar a memória da Favela de Rio das Pedras. Para isso, nossa equipe está entrevistando diversos moradores e ex-moradores que viveram na região entre os anos de 1940 e 1990.  Para construir esta reportagem nós contamos com o apoio dos seguintes moradores: Célia Maximiniano , Elisa Antunes e Maria da Rocha Robadey . Dos nossos colaboradores Fernanda Calé e Douglas Teixeira , e dos voluntários Hérika Freire , Leonardo Soares , Lucas Barros e Wellington Melo .  Se você também fez parte da história de Rio das Pedras e quer nos ajudar, entre em contato com a nossa equipe através do WhatsApp: (21) 99783-6904.

  • Corpo de Bombeiros extingue incêndio na Freguesia após 27 horas de trabalho

    Foto: Fernanda Calé / Agência Lume Operação mobilizou mais de 50 militares, 30 viaturas e uso de drones para evitar a propagação das chamas. Após 27 horas de trabalho intenso, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) extinguiu, na manhã deste sábado (20/09), o incêndio de grandes proporções que atingiu uma edificação comercial localizada na Estrada de Jacarepaguá, nº 7573, no bairro da Freguesia, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O fogo teve início na madrugada de sexta-feira (19/09) e mobilizou uma das maiores operações recentes do batalhão na região. Segundo informações do CBMERJ, o trabalho de rescaldo se estendeu durante toda a madrugada e, neste momento, não há sinais de chamas ou fumaça. As equipes começarão a ser desmobilizadas e o espaço foi entregue à Defesa Civil municipal, responsável pelas vistorias preventivas ao longo do dia. Operação de grande porte Bombeiros se posicionam em cima do telhado de um supermercado para combater as chamas. | Foto: Ângela Góes/ CBMERJ O Corpo de Bombeiros foi acionado às 5h30 da manhã desta sexta-feira (19), para verificar o incêncio na loja de artigos O Amigão, que fica localizada no centro comercial do bairro. Segundo a corporação, a resposta à ocorrência contornou a atuação de 12 unidades, mais de 50 bombeiros militares e aproximadamente 30 viaturas, incluindo uma escada mecânica de 40 metros. A operação também utilizou drones equipados com câmeras térmicas para monitoramento, identificação de riscos e apoio na tomada de decisões estratégicas. Devido ao risco de colapso da estrutura, todo o trabalho foi realizado por parte externa da edificação, com suporte do Grupo de Operações Especiais (GOESP). A atuação técnica e coordenada das equipes foi fundamental para evitar que as chamadas se alastrassem para propriedades vizinhas, resguardando residências e estabelecimentos comerciais. Sem vítimas Foto: Ângela Góes/ CBMERJ O Corpo de Bombeiros confirmou que não houve registro de vítimas durante a ocorrência. Apesar da gravidade do incêndio, vidas e patrimônios próximos foram preservados graças à rápida mobilização operacional. As causas do incêndio ainda serão apuradas pelas autoridades competentes. Enquanto isso, o espaço segue interditado para avaliações de segurança e monitoramento da estrutura. Agentes da Defesa Civil chegaram à região no início da manhã deste sábado para avaliar a estrtura dos imóveis atingidos. Moradores de uma vila vizinha a edificação relataram a equipe da Agência Lume que aguardavam a finalização das ações do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil para entender como poderão buscar uma indenização para as perdas ocasionadas pelo incêndio.

  • Bicicletada em Jacarepaguá reivindica melhora na infraestrutura cicloviária e denuncia estagnação de ações na região

    Moradores protestam em bicicletada realizada em 2024. | Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume Moradores promovem ato coletivo na véspera do Dia Mundial Sem Carro e reforçam luta histórica por mais infraestrutura. Na manhã do próximo domingo (21), moradores de Jacarepaguá se reúnem para uma tradicional bicicletada, um ato organizado pela Associação de Moradores e Amigos da Freguesia ( AMAF ) e o coletivo Roller Tour RJ , estimulando a pauta da mobilidade ativa na véspera do Dia Mundial Sem Carro. Com concentração na Praça Professora Camisão, o trajeto vai percorrer as ruas da Freguesia e do Anil, encerrando na Praça Mac Gregor com apresentação de chorinho, buscando unir a manifestação e a celebração coletiva do transporte sustentável. Sidney Teixeira Junior, diretor da FAMRIO (Federação das Associações de Moradores da Cidade do Rio de Janeiro) e associado da AMAF, destaca a participação ativa dos moradores na elaboração e cobrança do Plano de Expansão Cicloviária do município. Segundo Sidney, apesar dos planos já consolidados, como o Ciclo Rio — que promete criar mil quilômetros de ciclovias até 2033 — o avanço das obras em bairros da Zona Sudoeste como Jacarepaguá segue tímido, com investimentos e prazos ainda do necessários. A região município sofre com pouco infraestrutura cicloviária e com a falta de conexões entre ciclovias e estações de transporte. "Nós temos acompanhado as movimentações do poder público desde a construção do Plano de Expansão Cicloviária, o qual ajudamos a construir. Apesar da magnitude da proposta desse plano, não temos percebido o avanço que gostaríamos, inclusive em Jacarepaguá. Nessa mesma lógica, o Plano Estratégico quebrou a esperança inicialmente, com uma tímida proposta de aumento de ciclovias em quatro anos. Questionamos a razão para tanto à CET-RIO durante a audiência pública, e a resposta dada foi de que não se limitarão à meta escrita. Disse-se que o programa Asfalto Liso será utilizado também para as intervenções cicloviárias. Esperamos que pelo menos essa promessa saia do papel! Enquanto isso, resta à sociedade civil organizada a manifestação para reivindicar para a Prefeitura do Rio espaços seguros para o transporte ativo.” A mobilização por ciclovias em Jacarepaguá é antiga. Desde 1983, a AMAF articula demandas junto ao poder público; na ocasião, um passeio ciclístico reuniu mais de 300 pessoas para exigir a ligação cicloviária da Freguesia à Barra da Tijuca, conquista que só viria anos mais tarde. Todos os anos , o grupo organiza bicicletadas para manter a causa em evidência. A associação também participou do grupo técnico que contribuiu para o mapeamento e diagnóstico dos principais gargalos e potencialidades na malha cicloviária local e monitora sistematicamente a execução das políticas públicas do setor, realização de audiências e protocolos de sugestões junto à prefeitura. Diego Luiz, organizador do Roller Tour RJ, aponta também a necessidade de padronização e qualidade nos pisos cicloviários e destaca o papel de outros modais não motorizados, como os patins, na defesa de espaços seguros para todos os tipos de rodas. Ele lembra que, muitas vezes, ciclovias mal conservadas ou mal localizadas tornam-se inutilizáveis ​​e reforçam a sensação de insegurança, atrapalhando a popularização da bicicleta como modo de deslocamento diário. "(...) vejo também como um reconhecimento que patins é sim um modal de transporte elegível para usar a ciclovia. O roller é muito prático para unir com outros modais: entra fácil em uma mochila com a qual podemos pegar um ônibus, carro de aplicativo, trem, metrô, BRT e até avião e depois seguir viagem patinando. Chamo atenção máxima ao padrão de piso para se construir ciclovias. Não há um padrão exato. Por vezes encontramos ótimas pistas com chão liso, porém em outros lugares fazem as ciclovias sobre pedras portuguesas ou mesmo paralelepípedo. Modais de rodas maciças como patins, skateboard e até mesmo algumas bicicletas acabam tendo muito sacrifício para passar em locais com chão assim, tão ruins - o que é uma constante em Jacarepaguá e Barra da Tijuca fora da Orla.” Neste domingo, vépera do Dia Mundial Sem Carro comemorado no dia 22 de setembro, os movimentos convidam os moradores dos bairros da região de Jacarepaguá, e de outras regiões da cidade, a se unirem na luta por uma melhor infraestrutura cicloviária. Serviço Data: 21/09/2025 (domingo) Ponto de Encontro: Praça Professora Camisão Concentração: às 8h (e saída às 9h aproximadamente). Trajeto: Praça Professora Camisão, Estrada de Jacarepaguá até nível da Estrada do Engenho D'Água, retorno por essa estrada até Praça Jorge da Costa Pinto, Rua Tirol, Estrada do Bananal, Rua Araguaia, e encerramento na Praça Mac Gregor.

  • Centro Unificado Profissional: uma Universidade à frente de seu tempo

    Por: Val Costa. Professor de Geografia e membro do IHBAJA. O bairro da Praça Seca foi o local escolhido pela Profª. Dra. Amélia Lacombe para receber uma experiência inovadora de aprendizagem no Ensino Superior: o Centro Unificado Profissional (CUP). O famoso casarão localizado na Rua Albano, número 319, abrigou três cursos: Letras Jornalismo e Turismo.  As atividades do CUP tiveram início em julho de 1974, quando a professora Amélia deixou a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) para fundar essa instituição de ensino em uma localidade que, mesmo estando enquadrada pelo Decreto nº 322/76 como Área Residencial, possuía ainda muitas características rurais.  O corpo docente era formado por jovens professores que estavam concluindo o mestrado e o doutorado. Esses profissionais não recebiam por hora-aula, mas por uma carga horária fixa de trabalho mensal realizada na instituição. Diferentemente da maior parte das faculdades privadas, existia um forte estímulo ao desenvolvimento de pesquisas, que eram realizadas nos modernos laboratórios do casarão.  O Centro Unificado Profissional possuía alunos de diversas localidades do Estado do Rio de Janeiro. Vinha gente da Baixada Fluminense, da Zona Norte, da Zona Oeste e da Zona Sul. Em um período de forte perseguição aos estudantes e aos professores universitários, o CUP era uma espécie de “oásis” do livre pensamento e da democracia.  Em 1982, o Centro Unificado Profissional se associou à Faculdade Brasileiro de Almeida, em Ipanema, criando a Faculdade da Cidade. Dez anos depois, a Faculdade da Cidade incorporou a Faculdade de Administração e Ciências Contábeis São Paulo Apóstolo, no Méier, e a Faculdade da Lagoa, constituindo a Sociedade Educacional São Paulo Apóstolo. Em 2011, já com o nome de UniverCidade, a instituição foi comprada pelo grupo Galileo Educacional. Em 2014, ela foi descredenciada pelo Ministério da Educação e, em 2016, a Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência do grupo Galileo. Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.

  • Viradão Cultural da Rocinha celebra cultura e diversidade com entrada gratuita

    Foto: Acervo Fala Roça Festival acontece nos dias 13 e 14 de setembro na Biblioteca Parque da Rocinha, com programação cultural, feira gastronômica e mesas de debate sobre temas urgentes para as favelas. O mês de setembro chegou e com ele um evento que está se consolidando como um dos principais festivais de favela do Rio de Janeiro. Nos dias 13 e 14 de setembro (sábado e domingo) , das 10h às 21h, a Biblioteca Parque da Rocinha vai receber mais de 20 horas de atividades culturais gratuitas durante o Viradão da Rocinha. O Viradão é uma realização do Fala Roça, organização de comunicação comunitária sem fins lucrativos que atua há 12 anos na maior favela do Rio. Para a organização, o evento é mais do que um festival: "é um ato político, social e cultural que reafirma o protagonismo das favelas na construção da identidade carioca. A programação é construída em parceria com coletivos locais, organizações sociais e artistas da Rocinha, valorizando a força da economia criativa da favela." - Fala Roça. Em sua segunda edição, o festival amplia a proposta de ser um espaço de produção de conhecimento, arte e geração de renda trazendo debates sobre temas urgentes para as favelas como: Juventude e Identidade, Economia Criativa na Favela, Diversidade e Protagonismo LGBTQIAPN+ e Justiça Climática e Território. Além dos debates, o Viradão Cultural da Rocinha contará com uma agenda cultural diversificada: apresentações de música, espetáculos de teatro, intervenções de grafite, exposição de arte, literatura, além de moda, artesanato e uma feira gastronômica organizada por empreendedores da própria comunidade. Foto: Acervo Fala Roça A proposta é dar visibilidade ao que já é produzido dentro da Rocinha, mostrando que a cultura também é motor econômica , capaz de gerar oportunidades e movimentar a renda local. A acessibilidade também é um compromisso do evento, que contará com intérpretes de Libras em todos os debates. A programação também será acessível para todas as idades, com oficinas, exposições interativas e apresentações em espaços abertos. O evento é financiado pelo edital Fomenta Festival, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Sececrj), com recursos da Lei Aldir Blanc. Serviço – Viradão Cultural da Rocinha 2025 Datas : 13 e 14 de setembro de 2025 (sábado e domingo) Horário : das 10h às 21h Local : Biblioteca Parque da Rocinha – Estrada da Gávea, 454, Rocinha – Rio de Janeiro Entrada : gratuita e acessível para todas as idades Mais informações: www.falaroca.com | @jornalfalaroca | osvaldo@falaroca.com

  • Lei sancionada por Eduardo Paes aprova a criação da nova Zona Sudoeste

    Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume Nova região abrange Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Freguesia e outros bairros; decisão foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (09). Veja: O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sancionou nesta terça-feira (9), data em que se comemora o Dia de Jacarepaguá, a Lei Complementar nº 286/2025 , que cria oficialmente a Zona Sudoeste da cidade . A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial desta terça-feira e marca a institucionalização de uma região que reúne bairros de grande peso econômico, cultural e demográfico da cidade. A nova área abrange os bairros atualmente inseridos na Área de Planejamento 4 (AP-4) : Anil, Barra da Tijuca, Camorim, Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Grumari, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Praça Seca, Pechincha, Rio das Pedras, Recreio dos Bandeirantes, Tanque, Taquara, Vargem Grande, Vargem Pequena e Vila Valqueire . Etapas do processo legislativo A criação da Zona Sudoeste começou com o Projeto de Lei Complementar nº 47/2025 , de autoria do vereador Dr. Gilberto (Solidariedade). A proposta foi discutida na Câmara Municipal, onde passou por duas votações: A primeira votação foi um debate inicial sobre a pertinência da nova nomenclatura; A segunda votação (14 de agosto) contou com 32 votos a favor, dois contrários e quatro abstenções . Após a aprovação legislativa, o texto foi enviado para a sanção do prefeito Eduardo Paes, que optou por validar a mudança. Motivos da decisão Segundo os defensores da lei, a criação da Zona Sudoeste não altera a estrutura administrativa da Prefeitura nem implica mudanças tributárias, como cobrança de IPTU . O objetivo principal é considerar a identidade regional de uma área que concentra importantes polos de crescimento urbano, econômico e cultural da cidade. Mapa da Zona Sudoeste | Imagem: Diário Oficinal do Rio de Janeiro. A região abriga desde bairros históricos, como Jacarepaguá, Praça Seca e Freguesia, até zonas de expansão, como Recreio e Vargens, além da Barra da Tijuca. A nova denominação também busca valorizar a identidade dos moradores e facilitar o planejamento estratégico da cidade em áreas de mobilidade, infraestrutura e políticas públicas. A publicação da lei ocorreu justamente no dia em que se comemora o Dia de Jacarepaguá, 9 de setembro , data simbólica para a localidade que é considerada um dos corações da nova Zona Sudoeste. Com a sanção da lei, a cidade do Rio de Janeiro passa a contar oficialmente com mais uma grande região geográfica de referência, regularizando a Zona Sudoeste como parte fundamental de sua dinâmica social e urbana.

  • Dia de Rio das Pedras: Estamos em construção

    Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume O Dia de Rio das Pedras chegou e, aproveitando a onda das comemorações dos cinco anos da Agência Lume, resolvemos brincar de historiologia/futurologia para fazer um balanço histórico de Rio das Pedras enquanto adivinhamos seu futuro. Esse tipo de exercício é muito arriscado, porque o futuro não pertence a ninguém e o natural é que muitas tendências acabem indo na contramão do que previmos. A verdade é que todo esse texto, daqui a cinco anos (ou menos), pode simplesmente azedar como leite em cima da pia no verão. Mas vale ressaltar que os futuros possíveis só se tornam reais se a vontade presente de realizá-los de realmente existirem. Então, depois dessa introdução que mais parece um 'mea culpa' adiantado, vamos juntos trazer um pouco do que analisamos criticamente sobre o nosso território. Pensamos em trazer essas análises com base no que acompanhamos no território, sendo a Agência Lume a organização que trabalha cobrindo jornalisticamente Rio das Pedras, e, por isso, acompanha muitas iniciativas e atividades nas áreas culturais. A propósito, todos os tópicos tratados neste texto têm a ver com cultura, educação e identidade local, área na qual atuamos e, por isso, temos mais embasamento. O que vimos até aqui Apesar dos colaboradores da Lume, em sua maioria, serem moradores ou ex-moradores de Rio das Pedras, para fazer nosso exercício de historiologia vamos focar no período de 2020 a 2023, justamente porque foi nesse período que começamos a acompanhar profissionalmente as tendências e novidades do nosso território. Quem vive ou viveu em Rio das Pedras sabe que, apesar de ser a segunda maior favela do Rio de Janeiro, nunca tivemos a mesma quantidade de projetos sociais ou equipamentos culturais públicos que existem em outras grandes favelas da cidade. E sim, é possível afirmar isso sem, necessariamente, criticar o que já conquistamos até aqui e nem criticar os avanços em outras áreas periféricas. A verdade é que, por precisarmos lutar pelo saneamento básico, mais unidades de saúde, escolas e, principalmente, creches — questões importantes e de primeira necessidade — não tivemos tempo para pleitear equipamentos culturais e/ou apoios às organizações sociais já existentes no território. Crescemos com a visão de que "nunca tem nada em Rio das Pedras" , e aqui vamos entender esse "nada" como opções de cultura e lazer gratuitas. A verdade é que essas opções são escassas não só em Rio das Pedras, mas também nos bairros do entorno. Seguindo com o exercício da historiologia, em 2020 acompanhamos um fortalecimento da rede local de organizações sociais, muito pressionado pelo contato da pandemia de COVID-19. Sofreremos bastante, mas, olhando para trás, a necessidade nos fortaleceu e exigiu a criação de estratégias conjuntas para ajudar os moradores. E, apesar de tantas pessoas queridas terem nos deixado, o sofrimento deixou seu legado. A partir de 2021, vimos algumas organizações sociais surgindo e tantas outras ganhando força e representatividade, o que fez com que os movimentos sociais de Rio das Pedras voltassem a debates populares sobre melhores condições de vida. Panorama atual Todo o movimento visto até 2023 fez com que chegássemos ao momento atual, com a comunidade sendo mais vista e também representada nos debates públicos. Surgiram mais editais que incluíam Rio das Pedras e, com isso, mais possibilidades. Outro movimento importante é o das iniciativas que buscam olhar para o passado, para que, dessa maneira, possamos construir um futuro mais representativo. Estamos buscando mais a nossa própria história. Entendemos que é preciso, sim, lutar por demandas urgentes, mas não podemos deixar toda uma geração de mestres e mestras ir embora sem passar adiante o seu legado. Se, nos anos anteriores, as gerações de 1970, 1980 e 1990 plantaram as lutas por moradia, saneamento básico e mais dignidade, agora as novas gerações estão colhendo a representatividade de que tudo produziu isso. Com a juventude (não tão jovem assim) devolvendo os conhecimentos da academia para o território. São professores, historiadores, geógrafos, cientistas sociais, enfermeiros, assistentes sociais, comunicadores e tantos outros que estão pensando o território de acordo com suas vivências, aliadas aos aprendizados acadêmicos, o que gera uma riqueza de conteúdos e materiais que, no futuro, poderão ser utilizados nos âmbitos educacional, cultural e social. Brincando de prever o futuro E agora chegou o temido momento de praticar a futurologia: prever o futuro, ou os futuros possíveis. Como já disse o Dr. Estranho em Vingadores: Guerra Infinita, existem mais de 14 milhões de futuros possíveis, mas, diferente do filme, podemos trabalhar para que a maioria deles seja positiva. Assim, evitando narrar exatamente o que esperamos que aconteça, vamos elencar algumas tendências que estão despontando fortemente e que podem povoar esse futuro ainda desconhecido. Fortalecimento das redes locais Entendemos, por aqui, que a representatividade só pode ser construída se formos nós — moradores e agentes locais — os responsáveis ​​por pensar e desenvolver o nosso próprio território, respeitando aqueles que vieram primeiro e suas histórias. Por isso, é importante que as redes locais se respeitem mutuamente e reconheçam o trabalho dos que já trilharam esse caminho. E sim, é permitido inovar e pensar diferente, mas sempre respeitando e entendendo que não estamos em disputa. No futuro, as redes locais fortalecidas serão a garantia de que os projetos desenvolvidos serão realmente alinhados às necessidades do território e às suas tradições, podendo representar grandes avanços em áreas que ainda hoje exigem mais atenção. Luta por mais cultura Como comentado anteriormente, estivemos, por anos, envoltos em temas essenciais à vida humana, e que ainda não foram atendidos adequadamente em Rio das Pedras (algumas questões nem atendidas foram). Mas é importante que, nos próximos anos, nos dediquemos à busca por mais equipamentos e ações culturais. Atualmente, já conseguimos enxergar ações culturais que são frutos de muito esforço e articulação de projetos sociais locais. Quem sabe, no futuro, tenhamos mais espaços para o desenvolvimento dessas ações e o apoio necessário para que elas sejam cada vez mais frequentes. A força das novas gerações O mundo digital cresce rápido e se desenvolve, e, com ele, novas gerações chegam sedentas para ver a mudança sonhada acontecer. Querem participar, contar suas histórias e, principalmente, querem ser ouvidos. Quem achou que era 'nova geração' hoje já está na faixa dos 30 a 40 anos. Por isso, para construir o futuro, será preciso abrir mão das vaidades e escutar, mas não apenas escutar: também abrir espaço e apoiar. A nova juventude virá orgulhosa da representatividade conquistada. Eles largaram nessa corrida muitos metros à frente, recebendo de nós o bastão para ver no horizonte distante uma brisa de linha de chegada. Serão eles que tornarão mais longevas as iniciativas existentes hoje, porque, sem eles, o presente será apenas mais uma história a ser relembrada. Estamos em constante construção Neste Dia de Rio das Pedras, vamos todos fazer o exercício de olhar para dentro: como podemos construir o futuro hoje? Será que nos meses de setembro que virão teremos mais motivos para comemorar o presente ou seguiremos falando, com saudosismo, das alegrias do passado? A confirmação ou negação das tendências depende de nós. Independente do seu trabalho, pergunte: "Não que eu posso melhorar hoje?" Será que meu melhor é buscar o local correto de descarte para o meu lixo? Será que o meu melhor é estar mais presente nas atividades escolares do meu filho? Ou o meu melhor é ser voluntário em alguma organização social? Só você tem essa resposta, mas tenha certeza de que estaremos juntos nessa jornada.

  • Exposição Memória Climática das Favelas chega a Rio das Pedras para fortalecer memória e luta ambiental

    Foto: Alexandre Cerqueira / ComCat Até 13 de setembro, mostra itinerante leva debates sobre clima, moradia e justiça social para instituições da comunidade. Veja o calendário completo: Rio das Pedras, inaugurou nesta semana uma importante etapa da exposição Memória Climática das Favelas, que ficará aberta ao público e passará em diversos pontos do território entre os dias 1 e 13 de setembro, das 10h às 16h. A exposição foi lançada no dia 3 de maio deste ano pela Rede Favela Sustentável, e chega a Rio das Pedras com o apoio do coletivo de comunicação popular Conexões Periféricas RP, junto aos movimentos sociais e instituições da comunidade, a mostra coloca a favela na linha de frente da discussão sobre as mudanças climáticas, a relação com a natureza e o futuro coletivo. A exposição revela como a memória e saberes dos moradores de Rio das Pedras, e de outras nove favelas, são ferramentas essenciais para enfrentar os desafios ambientais e sociais que afetam as favelas do Rio de Janeiro. Ela destaca também o inseparável entre o debate climático, o direito à moradia digna e a luta por justiça social, ressaltando o papel ativo da comunidade local em criar soluções e construir resistência. A programação vai circular em espaços diversos de Rio das Pedras, dentre eles escolas, centros culturais e clínicas família, incentivando a participação de toda a comunidade. Alguns dos locais que estão recebendo a exposição são o Projeto Social Semeando Amor, o Colégio Estadual CAIC Euclides da Cunha, o Ponto de Cultura Social e Esportivo Cine & Rock, e a Clínica da Família Helena Besserman Vianna. Douglas Heliodoro, professor e representante do coletivo Conexões Periféricas RP, destaca a importância da iniciativa: “Essa exposição é a prova de que a memória coletiva é um instrumento de luta. Ao registrar como sempre enfrentamos as mudanças do clima, Rio das Pedras não está só olhando para trás, está se armando de conhecimento para demandar um futuro mais justo e sustentável. Levar essa exposição para as escolas é plantar uma semente de pertencimento e ação. É mostrar para nossas crianças e jovens que a solução para os desafios climáticos também moram na sabedoria da sua própria favela. Aqui no território, a memória coletiva não é algo do passado, mas sim uma importante ferramenta que nos ajuda a entender o presente e construirmos um futuro mais seguro e justo ambientalmente. As lutas e saberes apresentados nesta exposição, mostram como a favela é potência e vem construindo tecnologias sociais e soluções ao longo de sua história." Como surgiu a exposição Roda de Memória Climática de Rio das Pedras | Foto: Alexandre Cerqueira / ComCat A Rede Favela Sustentável explicou que a ideia de levantar a 'memória climática das favelas' nasceu no GT de Cultura e Memória Local da Rede Favela Sustentável, em 2021, com o objetivo de resgatar e registrar as memórias e histórias que guardam os moradores de longa data das favelas do Rio de Janeiro, sobre o tema do clima, "para que possamos enxergar formas de nos preparar para as mudanças climáticas que estão por vir". A organização reforçou que o tema é, tradicionalmente, raramente abordado, apesar de ter sido sempre muito presente no cotidiano das favelas. Em mais de 50 reuniões, dez dias de rodas de conversa e exposições parciais, entre 2022 e 2024, o projeto e exposição, Memória Climática das Favelas, foi desenvolvido a partir do conhecimento produzido e registrado em rodas de conversa, com a participação de 382 moradores, realizadas em dez favelas da capital fluminense, entre 2023 e 2024. "(...) a exposição final busca reconhecer a importância das memórias que protagonizam vivências faveladas do Rio de Janeiro, para gerar um futuro de realização de direitos, resiliência climática, florescimento e valorização do conhecimento ancestral destes territórios. Traz conhecimentos inusitados e demarca as favelas como centrais nas discussões sobre mudanças climáticas e o futuro que queremos." - destaca a organização. Confira a programação completa e participe: 1 e 2/09: Projeto Social Semeando Amor (Rua Espada de São Jorge, 405, Areal 1); 03/09: Projeto Social Recanto da Areinha; 4 e 5/09: Colégio Estadual CAIC Euclides da Cunha (Av. Eng. Souza Filho, 0, Itanhangá); 06/09: Pré-Vestibular Social Construindo o Saber (Av. Eng. Souza Filho, 0, Itanhangá); 07/09: Ponto de Cultura Social e Esportivo Cine & Rock (Estrada de Jacarepaguá, 3640); 09/09: Espaço Cultural Celinho (Vila Joel, 38); 10/09: Escola Municipal Rio das Pedras (Estr. de Jacarepaguá, 3335); 11/09: EDI Professora Emília Maria Vieira de Oliveira (Rua Velha, s/n) *local à confirmar; 12 e 13/09: Clínica da Família Helena Besserman Vianna (Via Light, s/n); 14/09: Feira de Rio das Pedras (Via Light, s/n); Não perca a oportunidade de conhecer melhor a história e a força da favela de Rio das Pedras em relação ao clima e ao meio ambiente, e de fortalecer os laços de luta e resistência junto à sua comunidade.

  • Novo movimento cultural está unindo músicos e estúdios de dança para fortalecer o lazer em Jacarepaguá

    Foto: Isis Vieira / Forró d'Esquina Forró d'Esquina acontece nesta quinta-feira (04) no Bar do Telão na Freguesia. Veja: A região de Jacarepaguá, mais especificamente o bairro da Freguesia, está presenciando o nascimento de um novo movimento cultural que tem como objetivo incentivar a prática da dança de salão, apoiar empreendedores da área da dança e oferecer uma opção de lazer a preços populares. O Forró d'Esquina se prepara para sua segunda edição nesta quinta-feira, 4 de setembro, ocupando mais uma vez o Bar do Telão com muita música, dança e aquele clima de confraternização. A principal atração será o grupo Forró de Esmeralda, que traz um repertório cheio de xotes, baiões e arrasta-pés para manter a pista animada, com direito a sanfona, zabumba e triângulo. Os ingressos são vendidos antecipadamente e costumam ter boa procura, refletindo o entusiasmo dos moradores da região. Mais do que um baile, o Forró d'Esquina se configura como um projeto cultural que reúne músicos, professores de dança das escolas locais e o público em geral. A cada edição, os professores colaboram na criação de um ambiente acolhedor para iniciantes e veteranos, proporcionando interação e aprendizado espontâneo durante o baile. Foto: Isis Vieira / Forró d'Esquina A iniciativa, criada por Isis Vieira, produtora cultural e fotógrafa, surgiu para criar um espaço permanente para a prática do forró, fortalecer o trabalho dos profissionais da dança na região e promover o acesso à cultura popular como lazer e resistência. "Jacarepaguá é uma região com uma cultura muito rica, que conta com a mistura de pessoas de diversas idades, origens e interesses. O Forró d’Esquina foi pensado para romper as barreiras que ficam entre esses grupos, para que as pessoas de diferentes bairros se conhecessem e experimentassem algo novo, mas que também fosse de fácil acesso e a preço popular. Temos muitos desafios pela frente ainda mais estamos animados para fixar esse ponto de encontro para dançar forró bem perto de casa" - Comentou Isis. Para Vanessa Rodriguez, frequentadora do Forró d'Esquina e aluna de dois estúdios de dança na região de Jacarepaguá, o evento proporcionou a oportunidade de lazer mais próxima de casa: "Como aluna de dança de salão, senti falta de um baile só de forró. Todos são muito distantes, então eu nunca consegui ir. Quando soube que teria um baile perto, já fiquei ansiosa. Gostei muito do baile. O trio é ótimo. Tem coisa para comer e beber, o ambiente estava climatizado. Acho que, para o primeiro, foi muito bom. Só senti falta de mais espaço para dançar, coisa que se resolve facilmente. Mas a música estava boa, a energia das pessoas era de alegria, clima amistoso. Eu amei o evento!" Serviço: Onde: Bar do Telão - Freguesia de Jacarepaguá, RJ Data: Quinta-feira, 4 de setembro. Horário: A partir das 19h. Atração: Forró Esmeralda Ingressos: R$ 20 antecipado via PIX: forrodesquina@gmail.com (até o dia 03/09) e R$ 30 reais na porta do evento. Mais informações: Direct Instagram - @forrodesquina

  • Prefeitura realiza audiência pública para debater o planejamento estratégico da cidade

    Foto: Agência Lume. Evento aberto à população acontece neste sábado (06) no Pechincha. Veja como participar: A Prefeitura do Rio vai realizar uma Audiência Pública para discutir o Planejamento Estratégico do município para o ciclo 2025–2028. O encontro será realizado no dia 6 de setembro de 2025 (sábado), das 9h às 12h, na Areninha Jacob do Bandolim, localizada na Praça do Barro Vermelho, s/nº, Pechincha. O evento é aberto ao público e integra o processo participativo previsto na legislação municipal, possibilitando que os moradores dialogem diretamente com o poder público sobre as principais metas e iniciativas previstas para os próximos quatro anos. Mais detalhes e o documento oficial do plano estão disponíveis no portal Participa.rio . O que é o Plano Estratégico O Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro é um instrumento de gestão que orienta as ações e projetos da Prefeitura, organizando 88 metas e 134 iniciativas estratégicas para diferentes áreas, como saúde, educação, mobilidade urbana e desenvolvimento social. Elaborado com base em consultas públicas e dados levantados junto à população, o Plano “Rio Legado e Futuro” visa melhorar a qualidade de vida e manter a transparência na aplicação dos recursos públicos. Sua publicação ocorreu em agosto de 2025, subsidiando o debate das audiências e promovendo resultados mais eficazes para a cidade. Por que a participação popular é fundamental A presença e a contribuição direta dos moradores nas audiências públicas são essenciais para democratizar as decisões, aprofundar a transparência e fortalecer o controle social sobre as políticas municipais. Esse espaço permite que os cidadãos expressem suas necessidades, opiniões e sugestões, impactando a formulação e a implementação das metas e projetos. A participação ativa fortalece a legitimidade das ações da Prefeitura e resulta em políticas mais aprovadas aos interesses reais da comunidade.

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