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Conjunto Sanatorial de Curicica, atual Hospital Municipal Raphael de Paula Souza, completou 70 anos em 2021


Podemos ver uma imagem antiga em preto e branco que mostra a construção de um prédio.
Obras do Sanatório de Curicica”, fotografia de 1950. / Fonte Base Arch da Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz.

Por: Janis Cassília.

Mestre em História das Ciências e da Saúde / professora e pesquisadora do IHBAJA.

 

Inaugurado em 1951, o Conjunto Sanatorial de Curicica teve seu funcionamento iniciado em fevereiro de 1952 e foi destinado a internação de tísicos e do tratamento da tuberculose. A criação do hospital fazia parte do programa federal Campanha Nacional contra a Tuberculose (CNCT), do Serviço Nacional de Tuberculose (SNT) que propunha a erradicação da doença no Brasil em até 10 anos.

 
 

O tratamento para a tuberculose foi criado em 1946 e, portanto, acreditava-se que o isolamento dos doentes em Jacarepaguá, proporcionava solução para a disseminação e a cura através do tratamento pelo antibiótico estreptomicina.


O local escolhido para a criação do hospital era próximo a outro hospital de isolamento a Colônia Juliano Moreira e estava em terras da antiga Fazenda do Camorim. Assim, antes das obras foi necessário a abertura e asfaltamento de vias de acesso para o material da obra.


O hospital foi projetado pelo arquiteto Sérgio Bernades, em projeto de hospital pavilhonar, o que o tornou um exemplo arquitetônico único entre os hospitais de isolamento de Jacarepaguá, na história da assistência pública de saúde no país e na história da tuberculose no Brasil. 


Em uma área de 25 mil m², o Conjunto Sanatorial Curicica possuía capacidade para 1.500 leitos, era composto biblioteca, enfermarias, laboratório, centro cirúrgico, maternidade, biblioteca, administração, necrotério, alojamento para médicos e diretor, centro médico, biotério, capela, estação de tratamento de esgoto, subestação de luz e força, entre outros prédios típicos de hospitais de isolamento e que também existiam na Colônia e no Curupaiti.


Porém, ao contrário destes dois, não previa a existência de uma comunidade dado ao alto grau de contágio da tuberculose e do plano de erradicação da doença. A imprensa na época noticiava a existência do hospital ligando sua inovação no tratamento e na arquitetura moderna à grandiosidade espacial do hospital.


A partir da década de 1980, o hospital foi dividido em duas partes. Uma administrada pelo município do Rio de Janeiro, que compunha o hospital, os serviços ambulatoriais e a administração, e outra composta pela Casa do Diretor e alojamentos que passaram a compor um centro de pesquisa, Centro de Referência Hélio Fraga, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), Fiocruz.


Devido a falta de investimentos públicos em sua infraestrutura, a parte sob responsabilidade do município encontra-se em estado de má conservação e completo abandono, com pavilhões, enfermarias fechadas, inclusive o centro cirúrgico.


Parte do terreno original do hospital sofreu com invasões havendo a criação de uma comunidade. Além disso, foi construída uma creche municipal e pavilhões foram demolidos pelo poder público alegando-se perigo de desabamento.

 

Janis Cassília é membro do IHBAJA. Graduada em História pela UFRJ. Mestre em História das Ciências e da Saúde pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). Professora da rede pública de São João de Meriti. Pequisa sobre a História da Psiquiatria no Brasil, com ênfase na Colônia Juliano Moreira (atual Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira).

 


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