Janeiro é o mês do padroeiro da cidade
- IHBAJA

- 20 de jan.
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Por: Val Costa.
Professor de Geografia e membro do IHBAJA.
Em 1555, os franceses aportaram na Baía de Guanabara e fundaram o forte de Coligny na então Ilha de Serigipe. Comandados pelo almirante Nicolas Durand de Villegagnon, pretendiam garantir a exploração do pau-brasil e conseguir um território onde os calvinistas franceses pudessem exercer livremente o protestantismo. Essa colônia, chamada de França Antártica, existiu de 1555 a 1567.
No intuito de combater os franceses, o Capitão-mor Estácio de Sá fundou, no dia 1º de março de 1565, entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
A primeira expedição portuguesa para expulsar os franceses foi organizada por Mem de Sá, o terceiro Governador-Geral da América Portuguesa, em 1560. Apesar de ter destruído o forte de Coligny, essa incursão não obteve o sucesso esperado, pois os habitantes do local fugiram para o continente com a ajuda dos tamoios.
A derrota definitiva só ocorreria sete anos depois, quando Estácio de Sá recebeu reforços do seu tio Mem de Sá. Em janeiro de 1567, no Outeiro da Glória, os franceses finalmente foram expulsos da colônia portuguesa e os tamoios tiveram suas aldeias destruídas e suas terras ocupadas e distribuídas entre os portugueses.
A tradição oral diz que São Sebastião foi visto nesta batalha segurando uma espada e lutando ao lado dos portugueses contra os calvinistas. Batalha esta, vale ressaltar, que ocorreu no dia dedicado ao personagem: 20 de janeiro.
Entre 1578 e 1598, foi erguida uma ermida em homenagem ao santo no Morro Cara de Cão, atual bairro da Urca. Em 1922, foi construída uma igreja bem maior na Tijuca, onde atualmente é o Santuário Basílica de São Sebastião.
Sebastós, seu nome de origem, nasceu na cidade francesa de Narbona, no ano de 256. Sua família mudou-se para Milão e o jovem ingressou no exército romano, atingindo o posto de Capitão da Guarda Pretoriana, que era o grupamento de soldados responsável pela segurança do imperador Diocleciano (244-311).
Em um período de intensa perseguição aos cristãos, Sebastião, que também era seguidor de Cristo, pregava o evangelho para os demais soldados e auxiliava os prisioneiros. O imperador, em um primeiro momento, tentou fazê-lo desistir de sua fé oferecendo-lhe presentes e, posteriormente, ameaçando-o. Como essas medidas não adiantaram, Diocleciano ordenou a sua execução.
A maioria dos historiadores afirma que o imperador mandou que ele fosse pendurado em um poste de madeira para ser torturado com flechadas até a morte. Quando todos pensaram que ele estava morto, deixaram-no amarrado para ser devorado pelos animais selvagens. Entretanto, ele sobreviveu ao martírio, sendo resgatado por uma viúva chamada Irene, que cuidou dos seus ferimentos.
Recuperado milagrosamente, Sebastião retorna na presença de Diocleciano e exige que o imperador pare com as perseguições aos cristãos. Dessa vez, o líder máximo romano exigiu que o açoitassem até morrer e depois mandou jogar o seu corpo na chamada cloaca máxima, o sistema de esgoto de Roma. Isso aconteceu no dia 20 de janeiro de 288.
O Rio de Janeiro possui um templo em homenagem a esse santo católico, é o Santuário Basílica de São Sebastião, que fica na Tijuca. Inaugurado em 15 de agosto de 1931, essa igreja abriga os restos mortais de Estácio de Sá, o marco zero da cidade e a uma imagem de São Sebastião esculpida em 1563.

Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.




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