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  • Inscrições para o Enem 2025: veja prazos, formas de pagamento e novidades do exame

    Candidatos têm até 6 de junho para se inscrever e pagar a taxa de R$ 85 via boleto, Pix ou cartão. As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 estão abertas a partir desta segunda-feira, 26 de maio, e seguem até o dia 6 de junho. Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela Página do Participante , no site oficial do Inep. O órgão alerta que inscrições feitas em outros canais não são reconhecidas e podem configurar tentativa de fraude. A taxa de inscrição é de R$ 85 e pode ser paga até o dia 11 de junho, sem possibilidade de prorrogação. O pagamento pode ser realizado por boleto bancário (gerado na Página do Participante), Pix, cartão de crédito ou débito em conta corrente ou poupança, dependendo do banco. A inscrição só será confirmada após o pagamento da taxa dentro do prazo. O Enem 2025 será aplicado em todo o Brasil nos dias 9 e 16 de novembro. O exame é composto por quatro provas objetivas, cada uma com 45 questões de múltipla escolha, além de uma redação em língua portuguesa. No primeiro dia, os candidatos respondem às provas de redação, língua portuguesa, língua estrangeira (inglês ou espanhol), história, geografia, filosofia e sociologia, com duração de cinco horas e meia. No segundo dia, as avaliações são de matemática, química, física e biologia, com duração de cinco horas. Os portões dos locais de prova abrem às 12h e fecham às 13h (horário de Brasília), com início das provas às 13h30. O término será às 19h no primeiro dia e às 18h30 no segundo dia. Para quem enfrentar problemas logísticos ou doenças infectocontagiosas nos dias de prova, haverá reaplicação nos dias 16 e 17 de dezembro, mediante solicitação e análise do Inep. O Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil, sendo utilizado em processos seletivos do Sisu, Prouni e Fies, além de ser aceito por instituições de ensino em Portugal conveniadas ao Inep. A edição de 2025 também permite que maiores de 18 anos utilizem o exame para obter o certificado de conclusão do ensino médio, desde que atinjam as notas mínimas exigidas. Para garantir a participação, os candidatos devem ficar atentos ao cronograma, realizar a inscrição no site oficial e efetuar o pagamento dentro do prazo estipulado. Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/

  • Encontro do Projeto Lembranças reúne gerações para resgatar memórias de Rio das Pedras

    Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume Evento que aconteceu no último sábado (24) promoveu troca de experiências, reencontros e construção coletiva da história local. O Ginásio Educacional Tecnológico (GET) Mestre Diego Braga, em Rio das Pedras, foi palco no último sábado, 24 de maio, do primeiro encontro presencial do Projeto Lembranças: Rio das Pedras. A iniciativa, desenvolvida pela Agência Lume, reuniu 23 pessoas entre moradores de diferentes gerações, representantes de organizações sociais, escolas locais e pesquisadores, em uma manhã dedicada ao resgate e à valorização da memória da comunidade. O evento começou às 9h com um café da manhã coletivo, promovendo um ambiente acolhedor para que os participantes compartilhassem experiências e sugestões sobre o projeto. Um dos momentos mais marcantes foi a exibição de um vídeo inédito, produzido a partir das entrevistas realizadas com moradores de Rio das Pedras, que emocionou os presentes ao trazer à tona histórias de vida, lembranças felizes e homenagens a pessoas que deixaram um legado na região. Durante o encontro, a equipe da Lume apresentou as informações históricas já levantadas e utilizou metodologias de Design Thinking adaptadas ao trabalho desenvolvido no projeto. A proposta era estimular a participação ativa dos moradores, permitindo que sugerissem temas, avaliassem o trabalho realizado e opinassem sobre os próximos passos. Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume O clima de reencontro entre vizinhos e amigos antigos marcou a manhã, com relatos emocionados e memórias compartilhadas que reforçaram o sentimento de pertencimento e orgulho local. “O Projeto Lembranças é uma oportunidade única de registrar e salvaguardar a memória dos moradores de Rio das Pedras, contando essa história antes que ela se perca, tornando esse patrimônio acessível às novas gerações e fortalecendo a identidade coletiva do território.", destacou destacou Douglas Teixeira, diretor de Comunicação e Comunidades na Agência Lume. A iniciativa faz parte de uma série de ações do Projeto Lembranças, que busca combater o apagamento histórico de Rio das Pedras por meio de entrevistas, pesquisas, oficinas e encontros comunitários. O objetivo é construir, junto à população, um acervo público e empático sobre a trajetória da segunda maior favela do Rio de Janeiro, valorizando as vozes e experiências de quem faz parte dessa história. O poder de integração entre instituições locais e moradores ficou evidente durante o evento. Muitas pessoas puderam visitar pela primeira vez o Ginásio Educacional Tecnológico, inaugurado no último ano, e, além de reencontrar antigos amigos, tiveram a oportunidade de conhecer novos moradores e representantes de organizações locais. O encontro favoreceu o estabelecimento de novas conexões e ampliou o diálogo entre diferentes atores da comunidade, fortalecendo as redes de apoio e colaboração em Rio das Pedras. O sucesso do primeiro encontro reforça a importância do diálogo intergeracional e da participação ativa dos moradores na construção de uma narrativa própria, comprometida com a verdade, o respeito e o orgulho de ser Rio das Pedras. Assista ao vídeo exibido no encontro: Sobre o projeto Lembranças Rio das Pedras: O projeto Lembranças: Rio das Pedras é uma iniciativa da Agência Lume dedicada ao resgate, registro e preservação da memória histórica da segunda maior favela do Rio de Janeiro. Por meio de entrevistas, pesquisas, oficinas, eventos comunitários e ações educativas, o projeto reúne relatos de moradores de diferentes gerações, tornando esse acervo acessível ao público e combatendo o apagamento histórico comum nas periferias. Ao promover o diálogo intergeracional e valorizar personagens e histórias locais, o Lembranças fortalece o sentimento de pertencimento, inspira as novas gerações e contribui para a construção de uma identidade coletiva positiva e comprometida com a verdade da comunidade. Saiba mais em: https://lembrancasrp.agencialume.com/

  • Prefeitura do Rio oferece microcrédito e capacitação para mulheres empreendedoras

    Foto: Prefeitura do Rio. Programa gratuito concede até R$ 3 mil em microcrédito, apoio técnico e participação em feiras; inscrições on-line até 1º de junho. A Prefeitura do Rio de Janeiro abriu as inscrições para a edição 2025 da Rede Empreendedora Carioca, iniciativa voltada para mulheres que já empreendem na cidade e buscam fortalecer seus negócios. O programa, coordenado pela Secretaria de Políticas para Mulheres e Cuidados, oferece formação gratuita, microcrédito, feiras permanentes e apoio técnico para impulsionar o empreendedorismo feminino no município. Lançada em novembro de 2023, a Rede já impactou mais de 10 mil mulheres e suas famílias, ampliando ações iniciadas com a Feira Delas, em 2021. Em 2025, a parceria com o Sebrae garante novas capacitações ao longo do segundo semestre, com novidades que atendem às demandas atuais das empreendedoras cariocas. O que a Rede Empreendedora Carioca oferece em 2025? Entre os principais benefícios desta edição estão: Microcrédito com valor médio de R$ 3 mil para impulsionar pequenos negócios; Novos conteúdos no programa Mulher Empreendedora, incluindo saúde mental e uso do celular como ferramenta de trabalho (fotografia e produção de conteúdo); Mulher Carioca Digital 2.0, com foco em vendas on-line; Feiras permanentes para aplicar conhecimentos adquiridos e gerar mais renda; Apoio técnico e formação gratuita em parceria com o Sebrae; "Nosso compromisso como Prefeitura é garantir que mulheres empreendedoras tenham condições reais de gerar renda, sustentar suas famílias e viver com dignidade." – afirmou a secretária Joyce Trindade. Público-alvo O programa é destinado principalmente a mulheres pretas e pardas, chefes de família, moradoras de comunidades e com renda mensal inferior a R$ 600. No entanto, qualquer mulher que já empreenda no município pode se inscrever gratuitamente. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas on-line entre 20 de maio e 1º de junho de 2025. Para realizar a inscrição acesse: https://survey123.arcgis.com/ O programa é aberto a empreendedoras de toda a cidade, e polos presenciais de apoio à inscrição serão divulgados em breve. Fonte: https://prefeitura.rio

  • Programa oferece bolsa de R$ 700, mentoria e apoio psicológico para jovens negros entrarem na universidade

    Seleção vai apoiar 30 jovens com bolsa mensal, mentoria e suporte psicossocial para preparação ao vestibular. O Programa Já É, do Instituto Baobá, é uma oportunidade única para jovens negros, brasileiros ou naturalizados, com idades entre 20 e 25 anos, que ainda não tenham concluído o ensino superior. O objetivo é apoiar o ingresso na universidade e ampliar as oportunidades de trabalho e desenvolvimento pessoal, promovendo a equidade racial no acesso à educação. Durante 17 meses de formação, os participantes selecionados contarão com uma rede completa de apoio que inclui: Bolsa mensal de R$ 700 por até dois anos. Mentoria individual com líderes e profissionais de referência. Mentoria coletiva diversificada. Apoio psicológico individual com especialistas. Atividades interpessoais e socioculturais. O programa oferece autonomia para que os estudantes possam gerenciar o uso da bolsa, adaptando o suporte às necessidades de cada pessoa. Quem pode participar? Para se inscrever, é necessário: Ser pessoa negra, brasileira ou naturalizada. Ter entre 20 e 25 anos na data da inscrição. Não ter concluído, iniciado ou estar cursando graduação (incluindo tecnólogo e cursos de tecnologia equivalentes). Preencher o formulário de inscrição, enviar um vídeo de apresentação e anexar a documentação exigida no edital. Como se inscrever Os interessados devem acessar o edital completo para conferir todos os detalhes e realizar a inscrição até às 17h (horário de Brasília) do dia 06 de junho de 2025. Link para inscrição: https://baoba.org.br/programa-ja-e-2025/ Resultados da primeira edição A primeira edição do Programa Já É contemplou 85 estudantes, desse total, 12 ingressaram em universidades públicas, 32 foram aprovados em vestibulares e 20 ingressaram em universidades particulares como bolsistas do PROUNI.

  • Lembranças Rio das Pedras: Outros carnavais

    Bateria do Gaviões de Jacarepaguá se apresenta. / Foto: Arquivo pessoal Cláudio Oliveira. Conheça a história do Gaviões de Jacarepaguá bloco que embalou o carnaval de Rio das Pedras entre os anos 1980 e 1990. Rio das Pedras foi uma comunidade com forte tradição carnavalesca, principalmente entre os anos de 1980 e 1990, quando os moradores fundaram o Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Gaviões de Jacarepaguá. Desde o início dos anos 1980, os moradores de Rio das Pedras já se organizavam para levar cultura e lazer à região. Antes mesmo do surgimento do Gaviões, dois blocos já despontavam na comunidade. Um deles era composto por moradores da Rua Velha, e um segundo organizado por moradores da Rua Nova. Tempos depois, os dois blocos se uniram para formar o Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Rio das Pedras, que posteriormente se tornou o Gaviões, momento em que a comunidade despontou no cenário de disputa entre blocos carnavalescos na cidade. Cláudio Oliveira, morador de Rio das Pedras desde os anos 1970, explica como aconteceu a união dos blocos que gerou o Gaviões de Jacarepaguá: "Esse bloco era um bloco de rua, que o pessoal no Carnaval se reunia pra sair batucando na rua e se divertir. Em 1980...1982, existiam dois blocos de rua aqui dentro da comunidade. Tinha um na Rua Velha, que os amigos tinham bateria, e tinha um bloco mais da parte de cima, que também tinha bateria. Se não me engano em 1986 começaram a se juntar para fazer um bloco, que era o Bloco do Rio das Pedras, aí mais adiante virou Gaviões de Jacarepaguá." - Cláudio Oliveira (Amaral). Clique aqui e assista a reportagem completa em vídeo. O Gaviões de Jacarepaguá tinha em sua direção Otto Alves de Carvalho (que hoje dá nome a uma das clínicas da família de Rio das Pedras) e sua diretoria. Os ensaios e disputas de samba-enredo que mobilizavam muitos moradores da comunidade aconteciam na antiga quadra do bloco, que ficava localizada na Estrada de Jacarepaguá nº 3.520, onde hoje funciona uma academia. Moradoras de Rio das Pedras prontas para desfilar pelo Gaviões de Jacarepaguá. / Foto: Aquivo pessoal Cládio Oliveira. O Gaviões defendia as cores azul e branco, chegou a contar com 150 ritmistas e fazer desfiles em bairros vizinhos, seja para disputas carnavalescas, seja para compor e ajudar em desfiles de outros blocos. Em 1987, o Gaviões de Jacarepaguá foi eleito campeão do Grupo 5 na disputa entre "grupos de blocos de enredo" com o enredo "A Arte Negra na Cultura Brasileira". No final dos anos 1980, o Gaviões de Jacarepaguá encerrou a sua trajetória. Os moradores entrevistados pela Agência não souberam especificar o ano em que o último desfile aconteceu, e os motivos para o fim do Gaviões também divergem muito. Entretanto, mais importante do que saber o ano de sua despedida ou os motivos que tiraram o Gaviões dos carnavais de Rio das Pedras, é celebrar a sua existência e o seu legado que fomentou a construção de uma cultura carnavalesca de resistência na comunidade. Pouca gente sabe, mas organizar um bloco de carnaval legalizado dá muito trabalho e também gera muitas despesas. Tempo e recursos eram itens raríssimos na vida dos moradores de Rio das Pedras no início dos anos 1990. Entretanto, deixar os moradores sem cultura e diversão numa das datas mais importantes do calendário carioca não era uma opção para moradores como Amaral e Celinho. Carnaval de 1996: Amaral, Celinho e amigos levam alegria e esperança após grande enchente em Rio das Pedras. / Foto: Arquivo pessoal Cláudio Oliveira. Por esses e outros motivos, o fim do Gaviões de Jacarepaguá representou para Rio das Pedras o início de um novo movimento de resistência cultural que marcou a vida dos moradores entre os anos 1990 e 2000, tornando famoso na comunidade o Bloco das Piranhas. Mas essa é uma história para outros carnavais. O conteúdo que você acabou de ler faz parte do Lembranças: Rio das Pedras , um projeto da Agência Lume que busca registar e disponibilizar a memória da Favela de Rio das Pedras. Para isso nossa equipe está entrevistando diversos moradores e ex-moradores que viveram na região entre os anos de 1940 e 1990. Para construir esta reportagem nós contamos com o apoio dos seguintes moradores: Célia Maximiniano, Cláudio Oliveira (Amaral), Gentil Guedes e José Carlos da Silva. E dos voluntários Gabrielle Teles, Leonardo Soares, Lucas Barros e Wellington Melo . Se você também fez parte da história do Gaviões de Jacarepaguá e quer nos ajudar a contar essa história, entre em contato com a nossa equipe através do WhatsApp: (21) 99783-6904.

  • Cedae realiza manutenção preventiva no Sistema Guandu na terça-feira (20/5)

    Estação de Tratamento de Águas do Guandu. / Foto: Divulgação Cedae Suspensão temporária do abastecimento vai afetar o municípios do Rio de Janeiro. Veja: A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) vai paralisar o Sistema Guandu na próxima terça-feira, dia 20 de maio, das 0h às 20h, para a realização de uma manutenção preventiva voltada à modernização e ao ajuste operacional do sistema. Durante esse período, a produção de água ficará temporariamente suspensa para os municípios do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, Belford Roxo e Queimados. Segundo a Cedae, a paralisação é necessária para a execuçã o de obras de modernização, incluindo a instalação de macromedidores – equipamentos que medem grandes volumes de água, aumentando a precisão do controle do fornecimento às concessionárias e contribuindo para a redução de perdas no sistema. Além disso, serão realizados ajustes técnicos, reparos e intervenções estruturais para garantir mais eficiência e segurança operacional. Segundo Daniel Okumura, diretor de Saneamento e Grande Operação da Cedae, “esses serviços são essenciais para assegurar a continuidade da operação plena do sistema de produção de água. Com eles, conseguimos identificar e corrigir falhas de forma preventiva, além de aferir com mais precisão o volume de água fornecido pela Companhia às concessionárias”. Orientações à população A Cedae recomenda que a população dos municípios afetados armazene água com antecedência e adie tarefas que exijam grande consumo durante o período da manutenção. A distribuição de água nas localidades é de responsabilidade das concessionárias Águas do Rio, Iguá e Rio+Saneamento, conforme as respectivas áreas de atuação. A companhia informou ainda que após a conclusão dos serviços, o abastecimento será retomado de forma gradativa, podendo levar algumas horas para a normalização completa em todas as regiões abastecidas pelo Sistema Guandu. Municípios afetados pela paralisação: Rio de Janeiro; Duque de Caxias; São João de Meriti; Nova Iguaçu; Mesquita; Nilópolis; Belford Roxo; Queimados.

  • Lembranças Rio das Pedras: Eufrásia da Rocha Robadey

    Imagem: Agência Lume. Conheça a história da mulher que ajudou a trazer ao mundo as primeiras crianças nascidas em Rio das Pedras. No final dos anos 1940, a região que viria a se tornar Rio das Pedras era um território de sítios, fazendas e poucas casas espalhadas entre plantações de cana, banana e batata-doce. A população local era composta por fazendeiros ricos e pessoas humildes que trabalhavam em suas terras. Foi nesse cenário rural, de escassez e solidariedade, que Dona Eufrásia da Rocha Robadey chegou, vinda de Cantagalo, no interior do Rio de Janeiro, trazendo consigo a família e o saber ancestral do parto. Eufrásia nasceu em 1900 e, segundo sua família, teria chegado à região de Rio das Pedras em 1945 para morar no sítio da família de um senhor chamado José Simão. A casa ficava localizada onde hoje se encontra a Escola Municipal Cláudio Besserman Vianna. “A minha mãe já fazia parto lá em Cantagalo, embora ela ainda fosse uma mulher nova, porque ela teve a minha irmã caçula, aos 47 anos. Então, ela deve ter vindo o quê? Com 45 [anos]. Era uma mulher nova ainda, né? Mas já era parteira. E aqui havia escassez de tudo.”, relembra Maria da Rocha Robadey, filha de Dona Eufrásia, hoje com 80 anos. Pouco tempo depois, a família de Dona Eufrásia se mudaria e começaria a trabalhar na fazenda do Dr. Alberto Monteiro da Silva, grande proprietário de terras que ficavam localizadas onde hoje conhecemos como a região do Pinheiro e do Floresta. O cotidiano era de trabalho duro, mas também de vizinhança próxima, onde cada chegada era motivo de acolhimento e partilha. “O intuito das pessoas humildes era de ajudar umas as outras. Não havia ganância”, conta Maria. Da esq. para dir. João Bento, Eufrásia e Maria Robadey. | Foto: Aquivo pessoal Maria Da Rocha Robadey. Encurtando distâncias em prol da vida Naquele tempo, os moradores da região tinham muita dificuldade para conseguir assistência à saúde. Os hospitais públicos disponíveis na cidade ficavam em bairros distantes de Jacarepaguá, como o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea; o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes; e a Santa Casa de Misericórdia, no Centro. A distância entre os bairros se tornava ainda maior pela dificuldade de acessos e pela escassez de transporte. O Elevado do Joá, que liga a Barra a São Conrado, por exemplo, foi inaugurado em 1971. Até o ano de 1966, a principal forma de transporte para sair de Jacarepaguá e chegar à Zona Norte eram os bondes elétricos, que ligavam o bairro da Freguesia ao bairro de Cascadura. Era comum ver moradores de Rio das Pedras caminhando até a Praça Professora Camisão, na Freguesia, para embarcar nos bondes. “Não havia hospitais, não havia Lourenço Jorge, não havia Cardoso Fontes naquela época. Só tinha o Miguel Couto, que era muito longe, e o Carlos Chagas, que era mais longe ainda. Não havia posto de socorro nenhum”, recorda Maria. As poucas opções exigiam viagens longas e difíceis, muitas vezes impossíveis para mulheres em trabalho de parto. Por isso, o papel das parteiras era importantíssimo, para que as mulheres pudessem ter apoio durante um momento tão importante. Foi o que aconteceu com Eliza Antunes Caetano, atualmente com 78 anos. A aposentada lembra até hoje o dia em que seu segundo filho nasceu. O ano era 1967 e Dona Eliza entrou em trabalho de parto. A família tentou chamar um táxi, mas não deu tempo. A solução foi contar com o apoio de Dona Eufrásia. "O mais novo não deu tempo, chamou o táxi, chamou a assistência, quando chegou ele nasceu! Aí teve que chamar a Dona Eufrásia pra cortar o umbigo [...] O Rogério, pulou logo! Se eu tivesse na rua, eu acho que ele tinha nascido na rua.." - Relembra Da esq. para dir. Maria da Rocha Rodabadey e Eliza Antunes Caetano. | Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume O historiador, professor e pesquisador do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Luiz Teixeira, explica que o parto hospitalar era uma realidade distante para a maioria. “A forma de nascer em hospitais e maternidades é muito nova ela vem mais principalmente do século XIX, mas só nas grandes cidades [...] Rio de Janeiro teve algumas maternidades célibes, como a Maternidade das Laranjeiras, Maternidade Escola, que existe até hoje, que foi uma das primeiras, fundada em 1904 e outras tantas posteriores, mas essas maternidades, elas atingiam um grupo pequeno de pessoas em relação ao acesso, principalmente pela distância, pelo número de leitos, pela possibilidade de ser atendida, essa maternidade era para poucos." - Explica. O saber das parteiras: cuidado além do nascimento Dona Eufrásia não apenas trazia crianças ao mundo. Seu trabalho era integral: envolvia o acompanhamento da gestante, avaliação dos riscos, o parto em si e o cuidado pós-parto. O ritual era completo; a parteira acompanhava a gestante, orientando sobre rotinas de alimentação e outros cuidados com a saúde. Após o parto, orientava a puérpera e a família sobre como cuidar do recém-nascido. Dona Eufrásia também preparava a alimentação da mãe, o banho do bebê, lavava as roupas da criança e chegava a limpar a casa nos primeiros sete dias após o parto. O ciclo se encerrava após a queda do umbigo; a partir daí, os cuidados eram deixados sob responsabilidade da mãe. "Muitas vezes eu fui com a minha mãe para lavar a roupinha da criança, para varrer a casa. Isso sem cobrar nada, absolutamente nada." - relembra Maria. O respeito e a admiração por Dona Eufrásia atravessaram gerações. Maria da Conceição Antunes, a Dona Quinha, era afilhada de Dona Eufrásia e relembra com carinho os momentos com a madrinha: "Era uma pessoa muito meiga, carinhosa, não tem o que falar mais, porque olha... eu fui privilegiada com isso. Eu estudava lá no Floresta, ela morava ali, toda vez que passava ela tava lá. Sempre aquela pessoa de dar aquele abraço, aquele carinho. A gente dava bênção, né, que naquela época a gente beijava a mão, passava pra lá, pra cá… ela vinha pra fazer os partos aqui por perto, aqui em cima, na família de um amigo nosso, eu que ia com ela." - conta. Da dir. para esq. Maria da Rocha Robadey e Maria da Conceição Antunes. | Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume O renhecimento e respeito da comunidade Mesmo desempenhando um papel tão importante a favor da saúde da mulher, com o avanço da medicina, a prática das parteiras começou a ser estigmatizada. Luiz Teixeira explica que, com a construção de novas maternidades nos centros urbanos, o debate sobre qual seria a forma correta de nascer passou a se tornar mais frequente e, com isso, o papel das parteiras foi sendo colocado na clandestinidade. "Quando o parto hospitalar passa a ser cada vez mais frequente, passa a ser mais uma norma as mulheres terem suas crianças dentro das maternidades. Esse processo se conjuga com outro, que vem desde o início do século XX, dos médicos quererem tirar das parteiras essa possibilidade. Assim, cada vez mais as parteiras são identificadas pelos médicos e, consequentemente, pelos jornais, pela imprensa, como mulheres sem conhecimento, como mulheres que estão fazendo mal a outras mulheres e mesmo como mulheres que fazem aborto e coisas assim. Esse processo vai equiparar as parteiras ao que eles chamam de charlatões, pessoas que fazem a medicina, praticam a medicina sem o direito de praticá-la." – explica o pesquisador. Apesar do debate na sociedade, a dedicação de Dona Eufrásia foi muito valorizada em Rio das Pedras, até porque estima-se que sua atuação mais intensa tenha ocorrido entre o fim das décadas de 1940 e 1960, período em que a disponibilidade de serviços públicos não atendia às demandas das mulheres humildes da região. “A minha mãe fez mais de 1.000 partos, não cobrava nada a ninguém, ela nunca cobrou nada. Era chamada a qualquer hora, por qualquer pessoa, e não recusava ajuda, mesmo quando a sua saúde já estava debilitada." – diz Maria. Eufrásia da Rocha Robadey faleceu aos 76 anos, em março de 1976. Na ocasião, muitas pessoas se organizaram para prestar homenagens, comparecendo ao enterro que aconteceu no cemitério do Pechincha. É o que lembra Célia Maximiniano, hoje com 72 anos; a aposentada nasceu por meio de um parto realizado por Dona Eufrásia. "Foi muita gente, muita gente. Ela era muito querida, porque era uma pessoa que chamava ela, fosse a hora que fosse, ela ia. Ia para Rio das Pedras, Gardênia, Muzema... Todo mundo. Nossa Senhora! Quando ela faleceu, foram dois ônibus... cheios, só de afilhado que ela tinha!” – conta a aposentada. Dona Maria Rocha Robadey se emociona ao lembrar o legado deixado por sua mãe, que foi responsável por trazer ao mundo a primeira geração de nascidos em Rio das Pedras. “A minha mãe merecia ter uma rua com o nome dela. A minha mãe merecia ter uma estátua, com o busto dela. Porque ela não era só uma parteira. Ela era, acima de tudo, um ser humano fantástico. Não é porque eu sou filha dela que estou falando, não. Ela foi uma criatura extraordinária.” - relembra Parteiras ontem e hoje: a luta por reconhecimento Hoje, o cenário da Obstetrícia ainda é de disputa e resistência. Mariane Marçal, enfermeira obstétrica, sanitarista e integrante do Sankofa Atendimento Gestacional - coletivo de enfermeiras obstétricas que atua no Rio de Janeiro desde 2018, oferecendo acompanhamento gestacional, partos domiciliares planejados e pré-natal social, com foco especial em mulheres negras, periféricas e em situação de vulnerabilidade - esclarece que ainda é preciso que a sociedade avance nos direitos da mulher, principalmente no momento do parto. “É um campo de disputa de maneira geral. Embora a gente já tenha o reconhecimento das parteiras tradicionais como patrimônio cultural do país, e embora exista a luta pela humanização do parto, esse não é um cenário consolidado; é um cenário de tensão e de disputa política ferrenha." Segundo a profissional, o entendimento atual de parte da sociedade é o de que o saber ancestral não pode andar junto com a ciência, o que faz com que o trabalho dessas profissionais seja desvalorizado. "A Obstetrícia, enquanto campo do saber dentro da saúde, passou a ser centrada na figura do médico e na valorização de uma intelectualidade baseada no conhecimento científico e estritamente acadêmico. Existe um entendimento social de que o saber legítimo é aquele produzido dentro das universidades, respaldado por pesquisas formais e legitimado pelas instituições médicas. Nesse contexto, as parteiras tradicionais são frequentemente colocadas à margem, uma vez que seus saberes, embora ancestrais e enraizados na experiência, na vivência e na oralidade, são desvalorizados por não se enquadrarem nos padrões da ciência hegemônica. Seus conhecimentos são frequentemente vistos como populares, informais, e por vezes até criminalizados ou considerados perigosos, por destoarem do que a medicina institucionalizada define como seguro ou adequado." Apesar dos desafios, grupos como o Sankofa lutam pela valorização de um trabalho obstétrico que vá além da medicina baseada em fatos e leve também em consideração saberes, identidades, crenças e histórias particulares de cada família atendida. O futuro do parto e da memória A história de Dona Eufrásia é, acima de tudo, uma história de resistência, cuidado e construção coletiva. Sua atuação como parteira foi fundamental para a saúde e o bem-estar de gerações de Rio das Pedras, em um tempo de ausência do Estado e de solidariedade entre vizinhos. Hoje, seu legado inspira a luta pela valorização dos saberes ancestrais e pelo direito à autonomia das mulheres. Como disse sua filha Maria: “O importante é lembrar do bem que a minha mãe fez. Ela merecia ser lembrada com carinho”. Que a memória de Dona Eufrásia siga viva, como exemplo de humanidade, força e justiça para as futuras gerações de Rio das Pedras. O conteúdo que você acabou de ler faz parte do  Lembranças: Rio das Pedras , um projeto da Agência Lume que busca registar e disponibilizar a memória da Favela de Rio das Pedras. Para isso nossa equipe está entrevistando diversos moradores e ex-moradores que viveram na região entre os anos de 1940 e 1990. Para construir esta reportagem nós contamos com o apoio dos seguintes moradores: Célia Maximiniano, Eliza Antunes Caetano, Maria da Conceição Antunes (Dona Quinha) e Maria Da Rocha Robadey. E dos voluntários Leonardo Soares, Lucas Barros e Wellington Melo . Se você também fez parte dessa história e quer nos ajudar, entre em contato com a nossa equipe através do WhatsApp: (21) 99783-6904.

  • Território Mídias Brasil lança plataforma inédita para mídias periféricas

    Nova iniciativa quer fortalecer coletivos, conectar territórios e combater a desinformação. As inscrições estão abertas para mídias de SP, RJ, BA e RS. O Território Mídias Brasil (TMB) acaba de lançar uma plataforma inovadora voltada para fortalecer e conectar mídias periféricas em todo o país. A iniciativa, realizada em parceria com o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e a Fundação Banco do Brasil, abre inscrições para coletivos de comunicação popular - jornais, sites, zines, TVs e rádios comunitárias - dos estados da Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O objetivo central do TMB é impulsionar a troca de conhecimento entre as mídias, promovendo a democratização da informação, a valorização da cidadania e o enfrentamento à desinformação nos territórios periféricos. A plataforma foi pensada por e para as periferias, oferecendo até 100GB de armazenamento gratuito para cada coletivo: 40GB liberados ao completar o cadastro e mais 60GB desbloqueados conforme a interação com a plataforma e outras mídias. Além do espaço de armazenamento, o TMB disponibiliza bibliotecas individuais e públicas para compartilhamento de conteúdos, encontros virtuais mensais e um evento presencial em cada estado participante em 2025. Os coletivos também terão acesso a conteúdos exclusivos sobre políticas públicas, direitos sociais e experiências comunitárias, produzidos pelo próprio Território Mídias Brasil. Segundo Dad Matos, coordenadora de comunicação do TMB, “não dá pra assistir ao que está acontecendo no Brasil sem reunir as Mídias Periféricas e criar um plano de ação junto com elas. A cidadã, o cidadão brasileiro que rala, que vive a dura realidade decorrente do capitalismo predador e excludente precisa ter acesso à boa informação, saber identificar as causas da realidade social que os oprime e reconhecer a manipulação a que estão sujeitos. O dia que essa ficha cair, teremos outro Brasil”. Cecília Figueira, coordenadora de comunicação social da iniciativa, reforça: “Apesar da dura realidade do dia a dia em nosso país, diante dos índices escandalosos de desigualdade social, a partir da luta nos territórios surgem alternativas e esperança para o Brasil. Não abrimos mão de nossos sonhos. Venha desvendar a realidade e colaborar com a construção de um mundo mais digno e justo para todos.” Como participar Mídias interessadas podem se cadastrar diretamente pela plataforma e obter mais informações pelo e-mail contato@territoriomidiasbrasil.com.br . Para conhecer melhor a iniciativa, acesse www.territoriomidiasbrasil.com.br e acompanhe as novidades no Instagram oficial .

  • Rio retoma vacinação contra Covid-19 com doses atualizadas para variante JN.1

    Idosos em instituições de longa permanência e crianças de 6 meses a 4 anos são os primeiros a receber o novo imunizante. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro retoma nesta quarta-feira (7/5) a vacinação contra a Covid-19 com doses atualizadas para a variante JN.1. O município recebeu 20.700 doses do novo imunizante, que inicialmente será aplicado em idosos residentes em instituições de longa permanência (ILPI). Além disso, chegaram 13.040 doses da Pfizer Baby, destinadas a crianças de 6 meses a 4 anos. A nova vacina é segura, protege contra a variante mais recente e reduz o risco de internação e mortalidade. Para receber a dose, é necessário ter tomado a anterior há pelo menos um ano. Nos próximos dias, conforme a chegada de mais vacinas, outros grupos prioritários serão contemplados nas 240 salas de vacinação da rede municipal e nos Super Centros Carioca de Vacinação, em Botafogo e no Park Shopping Campo Grande. A Secretaria reforçou a importância de manter em dia outras vacinas da temporada, como contra influenza, febre amarela e sarampo. A campanha da gripe segue em andamento, com o Dia D marcado para este sábado, 10 de maio. Fonte: https://prefeitura.rio/

  • A História do bairro do Pechincha

    Por: Val Costa. Professor de Geografia e membro do IHBAJA. O Pechincha é um bairro localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Ele faz parte da XVI Região Administrativa (Jacarepaguá) e possuía, no ano de 2022, 37.487 habitantes, que estavam distribuídos por uma área de 3,044 km². O local onde as estradas do Tindiba e do Pau Ferro se encontram, passou, no final do século XIX, a ser chamado popularmente de “Pechincha”. A denominação é uma referência ao comerciante José “Pechincha”, que possuía um armazém de secos e molhados no qual ele comercializava os produtos dos sitiantes da localidade. Esse estabelecimento visava atender as demandas dos moradores do entorno. Para concorrer com o comércio da Taquara e da Freguesia, o Sr. José vendia os seus produtos por preços menores do que os dos outros comerciantes, passando a ser conhecido como José “Pechincha”.  No bairro está o Cemitério de Jacarepaguá, no qual foram sepultadas grandes personalidades da cidade, como o engenheiro Edgard Werneck, o médico sanitarista Cândido Benício, o político Quintino Bocaiúva e a cantora Carmélia Alves.  Por iniciativa do ator Leopoldo Fróes foi fundada nesse bairro, em 1918, a “Casa dos Artistas”. No ano seguinte, Fróes recebeu uma doação de um grande terreno também localizado no Pechincha, onde foi instalado o Retiro dos Artistas. Essa instituição acolhe artistas idosos que passam por dificuldades financeiras ou são abandonados pelas suas famílias. Dentro do local fica o Teatro Iracema de Alencar, um ótimo lugar para a realização de espetáculos e shows musicais, pois abriga confortavelmente 282 pessoas.  No dia 14 de dezembro de 2024, a prefeitura reinaugurou dois importantes equipamentos culturais nesse bairro: a Areninha Jacob do Bandolim e a Biblioteca Pública de Jacarepaguá. Localizados na Praça Geraldo Simonard, popularmente conhecida como Praça do Barro Vermelho, ambos foram revitalizados por meio do programa Cultura do Amanhã, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.

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