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- A Barra da Tijuca de outras histórias
" Barra da Tijuca - RJ " da barrazine está licenciada sob CC BY 2.0 . Por: Leonardo Soares dos Santos. Professor de História/UFF, pesquisador do IHBAJA e do IAP. Barra da Tijuca é um dos bairros de história mais recente no Rio, ao menos daqueles mais notórios. As suas bases foram lançadas ainda nos anos 1920, mas só começou a tomar cara mesmo lá para o final dos anos 1970. Na história então comumente narrada sobre a Barra, ela é associada a imagens paradisíacas (praias, lagoas, canais, ilhas, morros, restingas) e a grupos sociais específicos (classe média alta e novos ricos) e a tipos de habitação diretamente relacionados ao poder aquisitivos daqueles grupos (condomínios de alto padrão, mansões, apartamentos luxuosos). Consolidou-se então uma imagem da Barra da Tijuca como um lugar de desfrute das classes mais abonadas da sociedade carioca: um espaço de recreio dos mais privilegiados. Das práticas de “corrida de submarino” feitas nas praias pelos jovens namorados dos anos 1940 e 1950, a Barra passou a ser a sede por excelência de práticas como o surf, windsurf, voos de ultraleve, passeios no shopping, livre desfile de carros importados, restaurantes finos etc. Nesse retrato sobre o bairro e sua história, havia uma ideia subjacente: a de que o território começou a se desenvolver exatamente quando esses usos se consolidaram no território ali pelos anos 1980. Era como se antes a Barra não tivesse história. Grave erro. Porque a história da Barra é muito anterior. E feita por mãos, braços, suor e sangue de gente de outras categorias sociais. Antes de tudo é preciso lembrar que antes dos portugueses ocuparem o território, os povos originários já a habitavam, nela produzindo vida e saberes. E do período colonial até o fim da monarquia escravocrata a área seria desenvolvida e cuidada pelo trabalho de pescadores e camponeses, e por trabalhadores escravizados, ou seja, tratava-se nos dois casos do povo preto que ali ia tecendo o dia-a-dia da sobrevivência, sob condições muito duras e injustas, mas sempre resistindo e persistindo. Houve ainda uma boa parcela de escravizados alforriados e quilombolas que também atuaram na região desde sempre, ocupando pequenas parcelas nos morros da região e que seguiram vivendo na região por anos a fio, e com seus descendentes atravessando o século XX, mantendo seus roçados e pequenas criações, tão importantes para a subsistência de tantas famílias que ali habitavam. A história dessa gente ainda está para ser devidamente contada. E a história dela foi e é parte integrante da história da Barra da Tijuca. A Barra é muita mais do que shoppings, condomínios e lazeres da classe média bronzeada. Ela também é a Barra do povo preto, pobre e camponês. Leonardo Soares dos Santos é graduado (2003) em História pela Universidade Federal Fluminense, onde realizou também o seu mestrado (2005) e doutorado (2009) em História Social. Suas pesquisas versam basicamente sobre as relações entre o espaço rural e urbano e suas implicações em termos de políticas públicas e configuração de grupos sociais. Atualmente trabalha como professor e pesquisador no Departamento de Fundamentos da Sociedade do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional do Polo Universitário da Universidade Fluminense, localizado em Campos dos Goytacazes. É membro-militante do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá desde 2010.
- A realidade de quem usa ônibus Municipais em Rio das Pedras, Anil e Freguesia
Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume Com mais de mil multas aplicadas no último ano e 13% da frota sem climatização, moradores de Jacarepaguá enfrentam calor, atrasos e superlotação diariamente. Os bairros de Rio das Pedras, Anil e Freguesia, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, enfrentam graves problemas de transporte público. A promessa de uma frota 100% climatizada feita pela Prefeitura em 2018 ainda está longe de ser cumprida. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que 133 ônibus que operam na região circulam sem ar-condicionado, o equivalente a 13% da frota. Além disso, os passageiros convivem com atrasos frequentes, superlotação e veículos em más condições. De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), o Consórcio Transcarioca opera 1.021 ônibus nos bairros de Rio das Pedras, Anil e Freguesia. Destes, apenas 86,97% possuem ar-condicionado. A linha 390 (Curicica - Candelária) é a campeã de reclamações por falta de climatização, com 329 registros no último ano. Outras linhas problemáticas incluem: 565 (Tanque - Gávea): 238 reclamações. 600 (Taquara - Saens Peña): 229 reclamações. 692 (Méier - Alvorada): 210 reclamações. 368 (Riocentro - Candelária): 196 reclamações. O calor extremo dentro dos veículos é uma constante durante o verão carioca. Apesar da criação do programa "Agentes do Verão", que monitora a climatização da frota, muitos moradores reclamam que os ônibus circulam com o ar-condicionado quebrado ou desligado. "Existem ônibus construídos com vidraças no lugar de janelas que trafegam sem ar. Isso deveria ser considerado crime pois nenhum ser humano resiste preso dentro de um carro ou ônibus com os vidros fechados e lacrados exposto ao sol com temperaturas em torno de 40ºC." - Adilson Rodegheri Peçanha, morador da Freguesia e usuário da linha 565. Superlotação e atrasos Além da climatização insuficiente, os passageiros enfrentam superlotação e longos períodos de espera. A linha 692 (Méier - Alvorada) lidera as reclamações por superlotação, com 46 registros nos últimos 12 meses, seguida pela linha 565, com 29 reclamações. Veja as cinco linhas com mais reclamações por superlotação: 692 (Méier - Alvorada): 46 reclamações. 565 (Tanque - Gávea): 29 reclamações. 390 (Curicica - Candelária): 28 reclamações. 766 (Madureira - Freguesia): 28 reclamações. 611 (Camorim - Del Castilho): 21 reclamações. 555 (Rio das Pedras - Gávea): 19 reclamações. Nos horários de pico, o tempo médio de espera nas paradas é de aproximadamente 12 minutos, mas atrasos significativos são frequentes. A linha 692, novamente, se destaca negativamente: foram registradas 44 queixas por atrasos, com relatos de espera superior a uma hora. Outras linhas com altos índices de atraso incluem: 348 (Riocentro - Candelária): 43 reclamações, tempo médio 1 hora. 766 (Madureira - Freguesia): 33 reclamações, tempo médio 40 minutos. 601 (Saens Peña - Santa Maria): 27 reclamações, tempo médio 1 hora. 611 (Camorim - Del Castilho): 25 reclamações, tempo médio 1 hora. Lélio Araújo é morador da Freguesia e reclama da superlotação nos horários de pico. Segundo o Lélio, do início da manhã até às 9h e das 17h às 19h, é muito difícil embarcar nos ônibus que seguem o itinerário pela serra Grajaú-Jacarepaguá. "A maioria das linhas que atendem a Freguesia sai de bairros periféricos como Taquara, Cidade de Deus, Barra da Tijuca e Tanque, atendendo aos moradores dessas regiões e ao passar na Freguesia já estão bastante cheios, muitas vezes impossibilitando o ingresso em condições adequadas." Multas e fiscalizações Entre março de 2024 e março de 2025, o Consórcio Transcarioca foi autuado mais de mil vezes pela SMTR. As principais infrações foram: Inoperância do ar-condicionado: 308 multas. Outras irregularidades operacionais e de manutenção: 764 multas. Quem depende do transporte reclama do número de fiscalizações realizadas na região. Gabriel Nunes é entrevistador do IBGE e por conta do seu trabalho circula utilizando transporte público por toda a região de Jacarepaguá, ele diz que apesar das penalidades aplicadas, como corte no subsídio de empresas que sejam autuadas em fiscalizações, os problemas persistem. "Se não tem fiscalização, não tem como eles verem que as frotas estão em desacordo com a climatização. Se não tem fiscalização, não tem prova, então não tem punição contra as empresas. Então eu acho que realmente não está surtido nenhum efeito essa medida" - conclui. Linhas mais problemáticas Com base nos dados fornecidos pela Prefeitura via LAI, as linhas mais criticadas são: 390 (Curicica - Candelária): Maior número total de reclamações (499) e líder em problemas relacionados à climatização. 565 (Tanque - Gávea): Maior número médio diário de passageiros (8,3 milhões em 2024) e destaque negativo em superlotação. 692 (Méier - Alvorada): Linha com maior número de reclamações por atrasos e superlotação. Impacto na saúde O calor extremo dentro dos ônibus sem climatização ou com janelas lacradas pode trazer sérias consequências para a saúde dos passageiros. Segundo o médico de família e comunidade Sidney Teixeira, o ambiente fechado e sem circulação de ar transforma os veículos em verdadeiras "estufas", agravando ainda mais o calor externo. "O tempo quente por si só já desencadeia adaptações que os nossos corpos têm de fazer, mas a nossa capacidade enquanto organismo não é infinita, e o calor pode justamente ultrapassar e provocar dano. Pensando-se em uma estrutura fechada e com vidro, e como muitos reclamam muitas vezes sem circulação de ar (ônibus com janelas lacradas), tal como uma estufa, a temperatura interna tende a aumentar, exacerbando qualquer calor externo. Mais intenso do que no contexto de janelas abertas e pior ainda do que com a refrigeração artificial." Sidney explica que os efeitos do calor podem variar de desconfortos leves, como dor de cabeça, fadiga, enjoos e cãibras, até problemas graves como hipertermia, desidratação severa, danos renais, infarto agudo do miocárdio e até morte. Ele também alerta que grupos vulneráveis — como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas — estão mais suscetíveis a esses riscos. Além disso, o especialista destaca outro problema relacionado à falta de ventilação nos ônibus lacrados: o aumento do risco de transmissão de doenças infecciosas. "A restrição da circulação do ar nesses ônibus lacrados e com sistema de climatização não funcionante pode multiplicar o risco de transmissão de doenças infecciosas em situações de aglomeração, especialmente durante períodos mais frios. A abertura eventual das portas não é suficiente para provocar uma troca de ar adequada." A importância do registro de reclamações Muitos usuários de linhas de ônibus que circulam na região estão se mobilizando para cobrar medidas mais efetivas. A Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (AMAF) informou à Agência Lume que, no dia 28 de janeiro de 2025, protocolou um ofício junto à Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), solicitando maior rigor nas fiscalizações da frota de ônibus que circula pelo bairro. O documento, registrado sob o número MTR-CAP-2025/00524, destaca a persistência de problemas como a ausência de climatização em veículos e a má conservação da frota, mesmo após autuações aplicadas nos últimos anos. No ofício, a AMAF anexou uma lista com 33 protocolos registrados no sistema 1746 apenas em janeiro de 2025, evidenciando reclamações recorrentes feitas por moradores sobre diversas linhas que atendem a região. Entre os principais pontos levantados pela associação estão a necessidade de intervenções mais eficientes para garantir o cumprimento das normas de qualidade e estimular o uso do transporte coletivo. "A Associação de Moradores e Amigos da Freguesia (AMAF) promove há anos uma campanha de denúncia de ônibus sem ar-condicionado a partir da plataforma municipal do 1746, considerando a própria campanha e a promessa da Prefeitura. No entanto, os passageiros perceberam mudanças pequenas nesses últimos anos, notando até piora das condições em algumas linhas. Sem a resolução do calor nos ônibus, no início de 2024, comunicamos a Secretaria Municipal de Transportes, o que gerou fiscalizações a várias linhas de ônibus mas não culminou em melhora contínua da frota. Cientes desse compromisso público do prefeito em climatização total da frota de ônibus, voltamos a reclamar com a Secretaria, pedindo ação mais eficaz inclusive. Ainda aguardamos uma resposta oficial ao nosso comunicado, mas a partir da Lei de Acesso à Informação já pudemos verificar que mais de 200 autuações a diferentes linhas de ônibus foram feitas. Esperamos apenas que agora resolva." - Concluiu a associação. Qualquer cidadão pode registrar reclamações e colaborar para a fiscalização. As reclamações são muito importantes, e a longo prazo podem ajudar na melhoria do serviço de transporte oferecido na nossa região. Os moradores podem registrar suas reclamações pelos seguintes canais: Telefone: Ligue para o número 1746. Basta clicar nas teclas 1746 ou, se preferir (21) 3460-1746, que são tarifadas ao custo de uma ligação de telefone fixo; Internet: Acesse https://www.1746.rio para realizar um registro, basta clicar no serviço relacionado e escolher o tipo e subtipo do tema que pretende acionar. Ou baixe o aplicativo do 1746 na loja de Apps do seu celular. Presencialmente: Neste caso, o cidadão deverá se direcionar à loja de serviço na Rua Afonso Cavalcanti, 455, térreo - Cidade Nova- Rio de Janeiro - RJ. O que dizem os citados? A Prefeitura afirmou que está trabalhando para melhorar a qualidade do serviço por meio da intensificação da fiscalização. O programa "Agentes do Verão" foi criado para monitorar as condições dos ônibus durante os meses mais quentes, e que tenta dar efetividade aos dispositivos legais e regulamentares que estabelecem o dever de climatização, a exemplo da Resolução SMTR no 3626/2023 e o Código Disciplinar (Decreto Rio no 36.343/2012, art.23, inciso II). Além disso, esse assunto de climatização fez parte das Metas Estratégicas para cumprimento dos órgãos, como exemplo: 4.a. Implantar o sistema de monitoramento da climatização dos ônibus do SPPO. O Município conclui dizendo que está aprimorando as ações de fiscalização tendo em vista a adequada prestação do serviço, notadamente quanto à climatização. O Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro, Rioônibus respondeu por meio de nota, segundo o Rioônibus, 95% da frota que circula na cidade está equipada com ar-condicionado. Veja a nota completa: Nota Rio Ônibus Todas as linhas municipais de ônibus atendem às determinações de planejamento da SMTR. Na cidade do Rio, 95% da frota de ônibus está equipada com ar-condicionado, sendo este um dos maiores percentuais do país. É importante lembrar que a sequência ininterrupta de abertura das duas portas ao longo das viagens dificulta em muito o resfriamento interno, ao contrário do que ocorre em veículos de passeio. Vale ressaltar ainda que, segundo a norma NBR 15570 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os equipamentos de refrigeração dos ônibus urbanos devem assegurar que, quando a temperatura externa for superior a 30°C, a temperatura interna se mantenha pelo menos 8 graus abaixo. No verão carioca, temperaturas externas superiores a 40 graus acabam, infelizmente, por gerar desconforto nos passageiros. Os consórcios trabalham em força-tarefa e mantém diálogo constante com a secretaria a fim de viabilizar outras melhorias.
- Município do Rio inicia campanha de vacinação contra a gripe
Campanha começa com profissionais de saúde e se estenderá a outros grupos prioritários nas próximas semanas. Saiba mais: A cidade do Rio de Janeiro deu início, no último sábado (29), à campanha de vacinação contra a gripe (Influenza), começando pelos trabalhadores da saúde. A ação é promovida pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e busca prevenir complicações, internações e óbitos causados pela infecção do vírus influenza, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. A vacina, que é atualizada anualmente, protege contra três cepas do vírus: H1N1 (Victoria), H3N2 (Tailândia) e B (Áustria). A vacinação é gratuita e segura para os grupos indicados. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a imunização é essencial para evitar problemas respiratórios graves, especialmente com a chegada do inverno. Em 2024, mais de dois milhões de doses foram aplicadas na cidade. Este ano, já foram registrados nove óbitos e 64 internações por influenza no município. Para atender à demanda inicial da campanha de 2025, o Rio recebeu 220 mil doses da vacina para a primeira semana. Cronograma da Campanha 29 de março: Início da vacinação para trabalhadores da saúde. 1º de abril: Vacinação para crianças de seis meses a seis anos, idosos acima de 60 anos e gestantes. 7 de abril: Inclusão das pessoas com comorbidades no cronograma. 12 de abril: Imunização dos demais grupos prioritários. Os interessados devem acompanhar o cronograma e comparecer às unidades de saúde portando documento de identificação, caderneta de vacinação e comprovante que ateste sua inclusão no grupo prioritário (como laudo médico ou documento funcional). Outras campanhas em andamento Além da vacinação contra a gripe, o município do Rio segue mobilizado em outras campanhas importantes. Sarampo: a vacinação contra o sarampo ganhou reforço com novos pontos estratégicos espalhados pela cidade, incluindo aeroportos, terminais rodoviários e shoppings. Desde o início da mobilização, mais de 3 mil doses já foram aplicadas. Podem se vacinar crianças a partir de 12 meses até adultos de 59 anos. Pessoas acima de 30 anos precisam de apenas uma dose, enquanto os mais jovens (até 29 anos) devem completar o esquema vacinal com duas doses, sendo necessário um intervalo de um mês entre elas Nos dias 3 e 4 de abril, a campanha de vacinação contra o Sarampo chegará ao shopping ParkJacarepaguá, no Anil. Equipes da Secretaria Municipal de Saúde estarão aplicando a vacina das 10h às 16h. Dengue: Outra ação relevante é a vacinação contra a dengue, que também está sendo intensificada devido ao aumento sazonal dos casos da doença no estado. Ambas as campanhas refletem o compromisso da SMS em proteger a saúde dos cariocas por meio da imunização gratuita e acessível em todas as regiões do município. Podem se vacinar crianças e adolescentes entre 10 e 16 anos (16 anos, 11 meses e 29 dias). E recentemente, foi ampliada para adolescentes de 17 e 18 anos, até o dia 26 de março.
- Tuberculose: Desafios e avanços no combate à doença
Veja como ter acesso ao tratamento em Jacarepaguá e conheça os dados sobre a doença em nossa região. No dia 24 de março, celebramos o Dia Internacional de Combate à Tuberculose, uma doença que continua a ser um desafio global. A tuberculose é uma infecção bacteriana que afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos. No Rio de Janeiro, a doença é um problema persistente, com incidência significativa em áreas de alta vulnerabilidade social. Sintomas e diagnóstico Os sintomas mais comuns da tuberculose incluem tosse persistente, febre, suor noturno, perda de peso e cansaço. O diagnóstico é feito principalmente por meio da baciloscopia e do teste rápido molecular (TRM-TB) do escarro, além da radiografia de tórax. Em casos suspeitos, é essencial procurar atendimento médico para avaliação e tratamento adequados. Tratamento e avanços O tratamento da tuberculose é feito com antibióticos, geralmente por seis meses, e é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Recentemente, avanços significativos no tratamento da tuberculose resistente, com a introdução de novos medicamentos como a Pretomanida, possibilitaram a redução do tempo de tratamento que chegava a 18 meses para 6 meses. Valeria Cavalcanti Rolla, médica infectologista e chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Micobacterioses do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas - Fiocruz, destaca que "a tuberculose é uma doença que continua a desafiar os médicos. Com a epidemia de HIV, houve um grande avanço no desenvolvimento de novos medicamentos e testes diagnósticos que beneficiaram a tuberculose. Hoje, temos tratamentos mais eficazes e menos tóxicos para tuberculose resistente, como o esquema BPaL, que inclui a Pretomanida". Serviços públicos e benefícios O tratamento da tuberculose exige estratégias que envolvem diferentes órgãos governamentais, como o Ministério da Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES). A união dessas esferas governamentais garante que os pacientes possam ter acesso adequado e igualitário ao tratamento, independente da região onde vivem. A Secretaria Municipal de Saúde informou que tem investido na capacitação das equipes de saúde da família para melhorar a detecção e o manejo da tuberculose. Além disso, a Secretaria de Estado de Saúde oferece um cartão alimentação para pacientes em tratamento, visando melhorar a adesão ao tratamento, capacitação para equipes de saúde, além de atuar junto com o Governo Federal e a Prefeitura do Rio para ajudar na disponibilização de insumos e na conscientização sobre a doença. Para ter acesso ao Cartão Alimentação o paciente precisa ser cadastrado no sistema SINAN pelos profissionais da unidade de saúde onde está realizando o tratamento. Marneili Martins, gerente de Área Tuberculose da SES, explica como é feito esse processo: "Uma vez que o usuário chega numa unidade com suspeita de tuberculose, a equipe vai fechar esse diagnóstico e uma vez diagnosticado com a certeza de início de tratamento, ele é notificado no Sistema de Informação Nacional que é o SINAN. E uma vez que ele está cadastrado no SINAN, notificado no SINAN, ele é cadastrado no Sistema de Auxílio Alimentação (Sisa). (...) Então ele chega na unidade para fazer o tratamento, então ele recebe esse cartão mensalmente, ele é recarregado com um valor de R$250, que inclusive esse cartão não pode ser usado para bebida alcoólica, mas é para alimentação, especificamente para alimentação. Nós temos certeza que é um dos fatores uma grande estratégia para adesão do tratamento, inclusive na melhora nutricional destes doentes.” Fatores de risco e prevenção A tuberculose é mais comum em áreas com alta densidade populacional e falta de ventilação. A prevenção inclui a vacinação com a vacina BCG aplicada em crianças ao nascer, e o tratamento preventivo de contatos de casos confirmados. Ambientes bem ventilados e com luz solar direta ajudam a reduzir o risco de transmissão. Renato Cony, subsecretário de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde, enfatiza que "a região do Anil e do Rio das Pedras, assim como os outros grandes complexos de favelas no município do Rio de Janeiro, são áreas de grande preocupação em relação à tuberculose da Secretaria. Nesses locais, onde os determinantes sociais de saúde mais aparecem, mais se destacam, e é por isso que as nossas ações precisam ser muito fortes na saúde, mas integradas com os outros serviços e outros sistemas da prefeitura.” As clínicas da família das regiões de Rio das Pedras e Anil ( CF Bárbara Mosley, CF Helena Besserman Vianna e CF Otto Alves de Carvalho) e também as demais unidades básicas municipais de saúde da cidade oferecem serviços de diagnóstico, tratamento e acopanhamento para o caso índice e toda a sua família. Da dos Epidemiológicos Em 2023 foram registrados no Estado do Rio de Janeiro 18 mil casos de tuberculose. Já a cidade do Rio de Janeiro registrou em 2024, 9.387 casos notificados de tuberculose, com 1.017 notificações na região de Jacarepaguá e Barra. Em 2025, a região de Jacarepaguá e Barra já contabiliza 55 notificações Para mais informações sobre a tuberculose e os dados epidemiológicos de outras regiões, visite o site do EpiRio: https://epirio.svs.rio.br/ . A Tuberculose no Brasil e em Jacarepaguá A tuberculose foi uma doença que fomentou mudanças importantes em Jacarepaguá, como a construção de complexos hospitalares que tinham como objetivo tratar a doença. Esse foi o caso do Conjunto Sanatorial da Curicica, ou Raphael de Paula Souza, como é conhecido hoje. Janis Cassília, mestre em História das Ciências e da Saúde, além de integrante do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá (IHBAJA), explica que o Conjunto Sanatorial foi o mais importante Sanatório do Governo Federal durante a maior parte da década de 1950. “Ele foi construído dentro da proposta da Campanha Nacional de Tuberculose iniciada em 1946 e que tinha como objetivo a erradicação da tuberculose em até 10 anos no Brasil. Ao longo da década de 1940, vários sanatórios foram construídos no Brasil, promovidos e financiados pelo governo federal em parceria com estados e municípios. Em Jacarepaguá, vamos ter outros dois hospitais para internação de tuberculosos, que são o Hospital Santa Maria inaugurado em 1943 e o Hospital Cardoso Fontes inaugurado em 1945, todos federais à época.” Saiba mais sobre a história do Conjunto Sanatorial de Curicica Segundo a pesquisadora, a tuberculose foi vista desde o século XIX de forma romântica, difundida entre artistas e poetas, em especial do movimento do romantismo. Entretanto a visão foi se modificando e no início do século XX, passou a ser associada a miséria, a aglomeração urbana e a comportamentos considerados desregrados como péssimas condições de higiene, moradia e alimentação. “Ela passou a ser vista como um “mal social”, que assim como outras doenças, no contexto das reformas urbanas no Rio de Janeiro do início do século XX deveriam ser combatidas. A cidade já havia passado por inúmeras epidemias de tuberculose, tanto que esta doença era considerada uma das três principais causas de óbito na cidade.” - Completa Janis. Além da mudança da visão romântica para uma visão que gera estigmatização das pessoas acometidas pela tuberculose, com o passar dos anos as formas de tratar a doença também foram se modificando devido a avanços científicos. Abordagens como o isolamento em regiões de clima ameno e ar limpo, que faziam com que muitos pacientes mais abastados buscassem tratamentos em cidades como Nova Friburgo e São José dos Campos, foram substituídas após a descoberta da Estreptomicina em 1943. O antibiótico, com eficácia no tratamento e cura da doença, e a invenção da vacina BCG como forma preventiva para infecções da doença em crianças fizeram com que o isolamento de pacientes fosse encerrado, dando início aos tratamentos domiciliares. “Com o desenrolar da década de 1940, pesquisas desenvolvidas usando outras drogas e substâncias químicas mostram resultados eficazes no tratamento e cura da doença. No Brasil, a chegada da Estreptomicina e de outras drogas, na década de 1960, no sistema público de saúde permitiu o fim do isolamento e o início dos tratamentos domiciliares. Esse fator encontrou ajuda junto às críticas do meio médico do período: os longos internamentos, ao contrário de serem preventivos a novas infecções, eram na verdade fatores de disseminação da tuberculose, o alto custo de manutenção de hospitaissanatórios e dispensários.” - Explica Janis.
- Time do Areal vai representar nossa região na Taça das Favelas 2025
Foto: Divulgação / Projeto Rei dos Reis. Equipe estreia nesse domingo jogando contra o time Parada de Lucas, no campo do Realengo FC. Veja como acompanhar: Neste domingo, 23 de março, o Time Favela do Areal, fruto do projeto social Rei dos Reis, fará sua estreia na Série B masculina da Taça das Favelas no campo do Realengo Futebol Clube. A competição, que reúne equipes de diferentes favelas do Brasil, é mais do que um torneio esportivo; é um instrumento de integração social e desenvolvimento comunitário. A equipe vai representar a nossa região na competição, enquanto busca inspirar jovens através do esporte. Keven Kauã, de 15 anos joga como centroavante e não esconde a alegria por participar do campeonato. "Estou com uma expectativa enorme. A equipe está forte e unida. Sinto uma felicidade enorme em representar o Areal." O que é a Taça das Favelas? A Taça das Favelas é um dos maiores campeonatos de futebol de base do país, proporcionando visibilidade aos jovens talentos das comunidades. O torneio segue com grande expectativa, promovendo não apenas o esporte, mas também a integração social e oportunidades para os jogadores. “A Taça das Favelas é um projeto que transforma vidas. Mais do que um campeonato, é uma oportunidade para jovens talentos das favelas mostrarem seu potencial dentro e fora dos campos. A cada edição, vemos histórias incríveis de superação e conquista, e 2025 não será diferente” , destacou Elaine Caccavo, vice-presidente da Cufa. É possível acompanhar a competição por meio do perfil oficial da Taça das Favelas Rio ou no site . O Projeto Rei dos Reis Foto: Fernanda Calé / Agência Lume. Iniciado em 2023, o projeto Rei dos Reis visa tirar crianças e jovens das ruas, oferecendo-lhes a oportunidade de praticar esportes e desenvolver suas habilidades. Os treinos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, no campo da Via Light. O projeto atende jovens de 7 a 17 anos. Para participar, basta procurar Guilherme Oliveira, o técnico do time, ou Igor, o diretor do projeto pelas redes sociais oficiais do projeto ou pelo telefone: (21) 9653-9499. O esporte desempenha um papel crucial na vida dos jovens, promovendo a saúde física, o desenvolvimento mental e emocional, além de ensinar habilidades sociais essenciais como trabalho em equipe e liderança. A prática esportiva também contribui para a construção de laços sociais fortes e ajuda a manter os jovens engajados em atividades positivas. "Gosto dos treinos, que são intensos e ajudam no desenvolvimento físico. Estudo de manhã e treino à tarde. Tenho planos de me tornar profissional para ajudar minha família." - diz Paulo Henrique, de 15 anos. O técnico Guilherme Oliveira, a quem os jovens chamam carinhosamente de Mister convocou a população a apoiar os jovens durante a competição: "A expectativa é a melhor possível. Os garotos estão treinando com empenho, e estou confiante para o campeonato. A população pode apoiar indo aos jogos e acompanhando nosso Instagram, Rei dos Reis." Para apoiar o projeto, basta procurar Guilherme Oliveira, o técnico do time, ou Igor, o diretor do projeto pelas redes sociais oficias do projeto, ou pelo telefone: (21) 9653-9499. Acompanhe as atualizações no Instagram do Rei dos Reis e incentive os jovens a se envolverem com o esporte, promovendo um futuro mais saudável e inclusivo para a comunidade. Estreia na competição Foto: Douglas Teixeira / Agência Lume. O time Favela do Areal vai fazer seu primeiro jogo contra a equipe Parada de Lucas pelo Grupo E da Série B da Taça das Favelas. A disputa acontece neste domingo às 15h40 no Campo do Realengo Futebol Clube, que fica localizado na Estrada São Pedro de Alcântara, 4520, Realengo. A partida é aberta ao público.
- Curso de Libras gratuito está com inscrições abertas até amanhã (20)
A formação é oferecida pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de forma presencial e online. Veja como participar. Terminam amanhã as inscrições para a quinta edição do Curso de Libras gratuito da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. São, no total, 480 vagas para moradores da cidade do Rio de Janeiro. Os interessados podem escolher entre duas modalidades: Presencial ou online. As aulas presenciais serão realizadas nos cinco Centros de Referência da Pessoa com Deficiência - Centro, Campo Grande, Irajá, Mato Alto e Santa Cruz. O curso online começa em 4 de abril, e o presencial, três dias depois, no dia 7. As vagas são destinadas a pessoas com ou sem deficiência, a carga horária é de 40 horas com professores especializados e apoio de videoaulas. O curso também vai fornecer aos alunos que cumprirem 75% de frequência o certificado de conclusão. Para participar do curso é preciso morar na cidade do Rio de Janeiro e ter mais de 16 anos. As inscrições podem ser feitas pelo link https://abrir.link/SSvAv . Mais informações pelos telefones 22241227 e 989091373 ou pelo email centralcariocadelibras.smpdrio@gmail.com .
- Agência Lume realiza evento para reunir rede de instituições de Rio das Pedras e Jacarepaguá
Foto: Felipe Migliani / Agência Lume O seminário Territórios de Memória promoveu a troca de experiências entre representantes de organizações que realizam trabalhos importantes na região. No último sábado (23), a Agência Lume promoveu um encontro da rede de instituições que trabalham na promoção de ações na área social, da educação, pesquisa e comunicação em Rio das Pedras e Jacarepaguá. O seminário Territórios de Memória aconteceu no Colégio Estadual CAIC Euclides da Cunha, localizado na comunidade de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, e teve como objetivo reunir representantes das organizações atuantes no território para promover a troca de experiências e diálogos em prol da região de Rio das Pedras e da Baixada de Jacarepaguá. O evento ‘Territórios de Memória: Rio das Pedras e a Baixada de Jacarepaguá’ foi realizado com o apoio da Énois , por meio do programa Diversidade Nas Redações. A iniciativa da Agência Lume, convidou representantes de organizações locais, pesquisadores e moradores do território para debater temas importantes para a região através de painéis de discussão sobre história local, ecologia e comunicação. Da esq para dir. Marcelo Burgos, Kássia Pedrosa, Fernando Tomaz, Bruna Neres e Adão Castro. / Foto: Felipe Migliani. Com o tema ‘Rio das Pedras: Orgulho, Identidades e Desafios’ , a primeira mesa de debate explorou a história e os desafios da comunidade a partir das vivências de moradores, ex-moradores e pesquisadores com atuação na região. Entre os participantes estavam Adão Castro, doutor em Geografia pela UFRJ; Bruna Neres, mestre em Geografia pela PUC e integrante da Agenda Rio das Pedras 2030; Fernando Tomaz, residente de Rio das Pedras e co-fundador do coletivo Conexões Periféricas; Kássia Pedrosa, mestre em Ciências Sociais pela PUC-Rio, que desenvolveu uma pesquisa sobre memória e migração na comunidade; e Marcelo Burgos, sociólogo e coordenador do estudo que resultou no livro ‘A Utopia da Comunidade: Rio das Pedras, uma favela carioca’ . A conversa abordou a forma como iniciativas de moradores podem mudar a visão que o resto da cidade tem sobre comunidade de Rio das Pedras. Além disso, os convidados debateram como a rede local pode se fortalecer e trabalhar em conjunto para vencer os desafios enfrentados pela população local. Adão Castro comentou a importância de eventos como o seminário para a população local: "Esse evento é muito importante para dar voz a favela de Rio das Pedras e ao entorno, o conjunto de favelas e bairros que estão aqui nessa região da Baixada de Jacarepaguá, e trazer um pouco do que é produzido aqui de conhecimento de cultura de experiência e de vivência." Douglas Teixeira e Fernanda Calé apresentam o projeto Lembranças: Rio das Pedras. / Foto: Felipe Migliani / Agência Lume. Após a primeira mesa, a Agência Lume apresentou em primeira mão o ‘Lembranças: Rio das Pedras’ , uma iniciativa que tem como objetivo registrar e salvaguardar a memória dos moradores de Rio das Pedras disponibilizando-a e tornando-a pública através de projetos de comunicação. "O Rio das Pedras não tem uma memória, ou uma lembrança que esteja documentada em algum lugar. E a gente queria ter uma biografia mais vasta aqui do Rio das Pedras, onde as pessoas possam contar a sua história, a qual a gente possa resgatar" , disseram Douglas e Fernanda durante a apresentação. O vídeo de apresentação do projeto foi lançado e está disponível no canal do YouTube da Agência Lume . Da esq. para dir. Enalva Lima, Ana Melo, Marcelo Calvano e Leonardo Santos. / Foto: Felipe Migliani / Agência Lume. A segunda mesa, intitulada ‘Yakaré Upá Guá: O Turismo Histórico e Ambiental da Baixada de Jacarepaguá’ , abordou o potencial turístico, histórico e ambiental da região, destacando sua trajetória histórica desde a Taba Tupinambá até os dias atuais. Entre os participantes estavam Ana Melo, doutora em História com especialização em história indígena; Enalva Lima, guia de turismo da Casa de Cultura de Jacarepaguá; Leonardo Santos, professor vinculado ao Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá (IHBAJA); e Marcelo Calvano, gestor líder do Instituto Limpa Brasil no Rio de Janeiro. Durante a conversa os convidados falaram sobre o potencial turístico, histórico e ambiental da região da Baixada de Jacarepaguá, além de ressaltarem a importância da sociedade civil se unir para a preservação e divulgação dessas riquezas locais. "Esse evento dá visibilidade a baixada de Jacarepaguá, podendo trazer para as pessoas o quanto Jacarepaguá é rico em história, o quanto Jacarepaguá tem lugares lindos, não para serem explorados mas para serem conhecidos." - Enalva Lima. Da esq. para dir. Karen Fontoura, Fernanda Calé e Wesley Brasil. / Foto: Wellington Melo / Agência Lume. Encerrando o evento, a terceira mesa trouxe uma discussão sobre comunicação periférica. Com o título ‘Papo Reto: O Papel da Comunicação Independente e Comunitária na Luta contra a Desinformação’ , o debate contou com a participação de Fernanda Calé, jornalista, diretora executiva e co-fundadora da Agência Lume; Karen Fontoura, jornalista do Fala Roça; e Wesley Brasil, criador do Site da Baixada. Durante a conversa os convidados falaram sobre os desafios de fazer jornalismo em regiões periféricas da cidades e sobre a importância das organizações que já vem atuando para combater desinformação e a estigmatização nesses territórios. "Quando pessoas como essas que são formadoras de opinião, pensadores, tomadores de decisão se encontram, aí eu acho que dá um samba, dá um caldo que pode traçar rumos para a nossa sociedade, para a nossa metrópole do Rio de Janeiro". - Wesley Brasil. Foto: Felipe Migliani / Agência Lume. O evento contou com diversos convidados que atuam na rede local de Rio das Pedras e Jacarepaguá. Izabel Farias, coordenadora do Preparatório Construindo o Saber falou sobre a importância de eventos como este para a troca de experiências: "Ver esse evento é uma experiência única, pois vejo outros projetos que existem aqui no Rio das Pedras que eu não conhecia. É muito bonito ver que tem outras pessoas lutando com a gente, e que a gente não está sozinho" , diz Izabel. Léu Oliveira, fundador do Cine & Rock, contou que é de vital importância todos conhecerem o território e sua região. Ele também espera que, com eventos como este, a comunidade possa resgatar a sua história. "Acredito que possa ter um resgate da história, e conversas para que os primeiros moradores da comunidade possam dar seus depoimentos e trazerem um material rico, falando da onde surge o Rio das Pedras, de uma vilazinha para a terceira maior comunidade do Brasil", diz Léu. IHBAJA apresenta exposição com imagens históricas da Baixada de Jacarepaguá Foto: Felipe Migliani / Agência Lume. Durante o evento, o Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá (IHBAJA) exibiu quadros com registros históricos da região. Intitulada ‘Vida e Luta na Baixada de Jacarepaguá’ , a exposição trouxe à tona fragmentos da rica trajetória local, permitindo que visitantes conhecessem mais sobre sua história. Renato Dória, professor e pesquisador do IHBAJA, falou sobre a importância de fortalecer laços através de trabalhos como o da exposição: "Trazer a exposição para o Rio das Pedras tem uma importância muito grande, pois fortalece os laços de pertencimento e contribui para a construção da identidade local" , disse Renato.
- Inscrições abertas para curso gratuito de liderança feminina da Universidade de Cornell
Insituto Aupaba oferece 2 mil vagas para mulheres interessadas em fortalecer sua atuação profissional e amplia o networking. O Instituto Aupaba, instituição sem fins lucrativos com atuação em turismo regenerativo, oferece 2 mil bolsas gratuitas para o programa de capacitação e liderança feminina "Take The Lead", oferecido pela Universidade de Cornell, uma das mais prestigiadas do mundo. A iniciativa é realizada em parceria com a Mexoxo, organização internacional que já beneficiou mais de 140 mil mulheres diretamente e 570 mil indiretamente por meio da educação, e conta com o apoio do Fundo para Mulheres da L´Oréal. O curso, totalmente online e flexível, tem como objetivo ampliar as oportunidades de mulheres no mercado de trabalho, oferecendo ferramentas estratégicas para o desenvolvimento profissional e a conquista de posições de liderança. As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de março pelo site: https://institutoaupaba.org/take-the-lead2025/ . Para Luciana De Lamare, presidente do Instituto Aupaba, a educação é um instrumento poderoso para diminuir as desigualdades de gênero no mercado de trabalho, especialmente em cargos de liderança. "Temos muito que avançar e o fortalecimento da presença feminina em espaços de liderança passa pela educação e qualificação. Mas esse programa vai além, queremos também apoiar e incentivar as atuais lideranças femininas, criando uma rede de networking e espaços de trocas" Saiba mais sobre o Take The Lead Voltado para mulheres a partir dos 18 anos, o programa é estruturado em cinco módulos: tornando-se um líder poderoso, fundamentos do marketing digital, pensamento empreendedor, habilidade de avaliação de carreira e gerenciando tempo e prioridades. São cerca de 20 horas de conhecimento baseado em habilidades e competências, que por não serem em tempo real, permitem que as participantes tenham maior flexibilidade e maior controle no ritmo de aprendizado. Após a finalização, é emitido certificado emitido pela Universidade de Cornell. Os cursos têm transcrição e material de apoio em português. Serviço Programa para liderança feminina Take The Lead O programa é voltado para mulheres a partir dos 18 anos e disponível para países de língua portuguesa. Inscrições até 20 de março, pelo link: https://institutoaupaba.org/take-the-lead2025/ Sobre o Instituto Aupaba O Instituto Aupaba (do Tupi-guarani "terra de origem") é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que nasce em 2023 como um hub de projetos dedicados a ações e iniciativas de impacto voltadas para o aprimoramento social, ambiental e cultural do território. De maneira criativa, inovadora e enxuta, desenvolve projetos e também oferece expertise na elaboração e execução de programas ambientais, culturais e educacionais que visem apoiar o desenvolvimento local onde o turismo pode ser um instrumento de transformação social e econômica. Sob a presidência de Luciana De Lamare, cofundadora e profissional com mais de 20 anos de experiência no setor de turismo, o Instituto Aupaba destaca-se por sua governança transparente, idônea e dinâmica. Seu Conselho Estratégico é composto por 45 membros e líderes nas áreas ambiental, de cultura, turismo e ciência política, refletindo a pluralidade e o compromisso do Instituto com a inclusão. Conheça mais sobre o instituo acessando: https://institutoaupaba.org/
- Incêndios na Floresta do Quitite causam preocupação em moradores da Freguesia e Anil
Imagem do incêndio registrada ontem (04/03). / Foto: Reprodução Redes sociais. Além dos danos ao meio ambiente diversos moradores relam problemas respiratórios devido a fumaça que invadiu suas residências. Moradores da Freguesia e Anil estão denunciando focos de incêndio consecutivos na Floresta do Quitite nos últimos quatro dias. A situação tem causado grande preocupação em relação a preservação da floresta e aos problemas de saúde para a população local, que relata dificuldades respiratórias e forte presença de fumaça em suas residências. Juliana Fernandes, diretora da Associação de Moradores e Amigos da Freguesia, informou que os incêndios começaram no dia 1º de março, atrás do clube da Caixa Econômica Federal, e se espalharam pelo morro do Quitite. "A região inteira da Freguesia ficou tomada de fumaça e cheiro fortíssimo de queimada que persiste até agora. Garganta seca e nossas vias aéreas são muito afetadas nesses eventos. Ontem (04/03) presenciei a queda de uma enorme árvore da espécie ficus spp que ficava colada ao morro do Quitite.", relatou. Yuri Leal, morador da Estrada do Engenho D'água, no Anil, descreveu a situação crítica: "Hoje às 3:30 acordamos com um forte cheiro de queimada dentro do apartamento. Quando olhamos pela varanda, todo o céu estava coberto por uma densa cortina de fumaça, dificultando, inclusive, a visibilidade." Dificuldades no registro de ocorrências Os moradores relatam enfrentar obstáculos para registrar as ocorrências junto ao Corpo de Bombeiros. Alguns afirmam que a central 193 apresenta instabilidades e que os atendentes se recusam a fornecer números de protocolo. Outros moradores relataram a Agência Lume que tiveram a ligação encerrada ao solicitar o número de protocolo do registro. Na noite de ontem (04/03), a reportagem da Agência Lume tentou contato com a central de Confirmação de Ocorrências, mas foi informada de que não havia registros confirmados de incêndio no local. Lucia Helena, moradora do Anil há 15 anos, expressou sua preocupação com a falta de infraestrutura para lidar com a situação: "Nesta madrugada um forte cheiro de mata queimando invadiu o bairro (...) Aqui em casa sofremos com problemas respiratórios e ficamos sufocados. Fechei todas as janelas e portas e liguei os aparelhos de ar condicionado, mas já era tarde. O efeito é o mesmo de inalar fumaça de incêndio em prédios. Em dois momentos pela manhã senti pânico. Respirei mas o ar não chegou aos pulmões. Parecia que os alvéolos estavam tomados de fuligem. Ainda de madrugada liguei 193 mas a ligação não completava, então, entrei em contato com o Corpo de Bombeiros pelo WhatsApp. Foi uma conversa informal que não gerou protocolo. Apesar do desconforto e danos causados na saúde dos moradores, não ouvi a movimentação de bombeiros no bairro de manhã." A exposição à fumaça das queimadas pode causar diversos problemas de saúde, especialmente em grupos vulneráveis como crianças, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e animais. Posicionamento oficial A reportagem entrou em contato com o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) para obter esclarecimentos sobre as ações de combate aos incêndios, orientação à população e sobre as dificuldades de registro pela central 193. O CBMERJ respondeu por meio de nota: "O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) informa que, ao longo dos últimos quatro dias, equipes realizaram vistorias na área da Floresta do Quitite para análise do cenário. Durante as inspeções, os militares percorreram a trilha até o ponto final e não identificaram chamas visíveis próximas às áreas de acesso aos recursos operacionais. Apenas focos distantes foram observados, sem risco imediato à vida humana ou ao patrimônio da população. Nesta quarta-feira (05/03), equipes retornaram à região e novamente não constataram chamas na mata. O CBMERJ monitorou o local com sobrevoo de aeronave e foi avistado apenas fumaça branca e áreas já queimadas."
- Fregobloco embala cerca de 300 foliões em Jacarepaguá
O primeiro desfile levou centenas de pessoas à Freguesia. / Foto: Divulgação Fregobloco Bloco fez seu primeiro desfile neste domingo de Carnaval (02). Veja: Mais de 300 pessoas se reuniram na Estrada dos Três Rios, aos pés do Morro do Galo, para cantar e dançar ao som do novo bloco. O desfile, que começou às 10h e se estendeu até às 13h, foi marcado por um repertório de sucessos inesquecíveis que fizeram o público cantar e dançar junto com a bateria. Priscila Pires, fundadora, mestre de bateria e cantora do Fregobloco, expressou sua alegria com a receptividade e apoio do público: "Ver as famílias do bairro nas ruas, curtindo um Carnaval bonito, leve e tranquilo, era exatamente o que sonhávamos. Conseguimos criar novas memórias e mostrar que é possível ter um Carnaval seguro e alegre na Freguesia." Fregobloco faz sua estreia aos pés do Morro do Galo. / Foto: Divulgação Fregobloco. Apesar do calor intenso, característico do verão carioca, a animação dos foliões não diminuiu. O público, composto por pessoas de todas as idades, incluindo muitas famílias, manteve o alto astral do início ao fim do cortejo. O asfalto da Estrada dos Três Rios virou pista de dança, e o que se viu foi um baile de Carnaval a céu aberto, onde os foliões dividiam coreografias e trocavam energia com os integrantes da Bateria Abusada. Um dos destaques do evento foi a segurança e a atmosfera pacífica que prevaleceu durante todo o desfile. Ao final do desfile, a Bateria Abusada do Fregobloco conduziu um animado cortejo até a Avenida Geremário Dantas. Após o retorno à Estrada dos Três Rios, o público se dispersou amigavelmente, encerrando a festa com o mesmo espírito de união e alegria com que começou. A Bateria Abusada da mestre Priscila esquentou os tamborins neste domingo. / Foto: Divulgação Fregobloco. O sucesso do Fregobloco em seu primeiro ano demonstra o potencial para o renascimento do Carnaval de rua na região, prometendo se tornar uma tradição nos próximos anos. Com sua estreia bem-sucedida, o bloco já se estabelece como uma opção atraente para os foliões que buscam uma experiência carnavalesca autêntica e familiar em nossa região. A Agência Lume é uma das apoiadores do movimento cultural que está em expansão na Freguesia e neste Carnaval divulgou todas as iniciativas carnavalescas da região de Jacarepaguá. Todos os moradores de Jacarepaguá estão convidados para participar dessa nova onda de cultura que está movimentando a região, seja como foliões, seja como ritmistas ou apoiadores, cada pessoa tem um papel importante nesta celebração cultural de Jacarepaguá. O Fregobloco promete retornar ainda mais forte no Carnaval de 2026, continuando sua missão de revitalizar a cultura carnavalesca na Freguesia de Jacarepaguá e unir o bairro em torno desta celebração tão carioca. O Fregobloco oferece aulas de percussão através de sua oficina que funciona durante todo o ano. As inscrições para participar das oficinas e integrar a bateria do bloco já estão abertas. Para acompanhar as ações do Fregobloco e participar das oficinas de percussão, basta seguir o perfil @fregobloco no Instagram.










