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  • Foto do escritorFernanda Calé

Tatuador de Jacarepaguá é premiado nos Estado Unidos


Um homem sorri e aponta para um homem que está ao seu lado de costas mostrando uma grande tatuagem com desenhos orientais.
Foto: Arquivo pessoal / Bruno Freitas.

Bruno Freitas ficou em segundo lugar na categoria costas, no The All Star Tattoo Convention, considerada uma das maiores convenções da área no país.

 

Nascido e criado no Pechincha, Bruno era bancário, mas largou a profissão há mais de 20 anos para correr atrás de seus sonhos. Há 9 anos vive na Flórida onde montou seu estúdio para trabalhar com os estilo oriental conhecido como Yakuza e também chamado de Irezumi.

 
 

O evento que premiou Bruno aconteceu no dia primeiro de outubro em Miami, na Flórida, e reuniu mais de 900 tatuadores de 46 países que competiram em diferentes categorias. Para participar da convenção era preciso ser convidado.


"Eu considero uma das maiores dos Estados Unidos não por tamanho nem por quantidade, mas sim pela qualidade dos artistas que vieram. A gente tá falando dos melhores artistas do mundo, literalmente, entendeu? Eu 'tava' de cara com um artista que eu só via pela internet e derrepente o cara tá ali na fila do almoço do seu lado." - Bruno Freitas


A tatuagem vencedora demorou 120 horas para ficar pronta, e o desenho se estende pelas costas, nádegas e metade das coxas de André Santana, amigo de Bruno. Segundo o profissional, uma tatuagem como essa demora mais de um ano para ser finalizada.


As tatuagens do estilo Yakuza costumam cobrir todo o corpo, ou grande parte dele, com desenhos que possuem um forte simbolismo oriental.


Início no mundo da tatuagem

Bruno contou a Agência Lume que começou a dar seus primeiros passos na carreira de tatuador ainda em Jacarepaguá. Ele aprendeu a tatuar no estúdio Arte Factory em Ipanema, e também contou com o apoio de amigos como Kiko Lopes, que o incentivou ensinando um pouco do seu trabalho.


"Quando fiz a primeira tatuagem o Kiko presenteou com uma maquininha velha e um restinho de tinta (...)"


A partir daí Bruno começou a improvisar usando a criatividade para superar os desafios financeiros. Em uma época em que fazer tatuagens era muito caro, oferecia aos clientes uma opção de qualidade com preço acessível.


O que começou como um hobby se tornou uma paixão, o então morador do Pechincha começou a viajar o mundo e conhecer mais sobre o trabalho em outros países. Após 13 anos tatuado no Rio de Janeiro, decidiu se mudar para os Estados Unidos.


"Foi difícil no começo, não tinha muito dinheiro, meu inglês era zero, o transporte público aqui não existe, na verdade é um ônibus de manhã, um ônibus de tarde e acabou. Aqui na Flórida meu primeiro veículo aqui foi um skate, que eu lembro bem que eu caí, não tinha dinheiro para tomar ponto, foi no queixo, e eu colei com Super Bonder. Depois eu consegui comprar uma bicicleta usada, aí melhorou um pouquinho mas assim não foi fácil não."


Apesar das dificuldades enfrentadas, Bruno afirma que não se arrepende da escolha, que trabalha muito duro, mas que tem orgulho da carreira que construiu nos Estados Unidos, e das possibilidades que o país lhe ofereceu, tanto na vida profissional, como na vida pessoal.


"Financeiramente falando é tudo mais viável. Eu fiquei sabendo que no Brasil o tatuador brasileiro só tem direito a duas marcas de tinta, aqui eu tenho inúmeras marcas de tinta que eu posso escolher. Esse monopólio aí, é insuportável imaginar essa situação de não poder trabalhar com uma outra tinta, sem contar com máquina, eu vejo tatuador juntar dinheiro dois anos para comprar uma máquina boa. Enquanto aqui em um mês você compra entendeu? Não tô dizendo que é melhor, mas pelo menos é mais acessível."


Saudades de casa

Quando o assunto é Jacarepaguá o tatuador lembra com saudades da família, e dos amigos que fez por aqui. Diz que não voltaria a morar no Brasil, mas que um dia pretende fazer uma visita.


"Jacarepaguá é meu berço, né? Eu lembro de bastante coisa, às vezes fico chateado quando eu esqueço o nome de rua, ou então quando um lugar que eu gostava, tipo uma casa de fliperama fechou...E eu curtia mesmo, eu ia para o Castelo das Pedras, eu andava de skate na pista do tanque, o Pechincha é meu berço, né, então conhecia tudo...Freguesia, eu lembro sim bastante coisa.


O que eu mas sinto saudade são dos meus amigos mesmo, né, aqui assim, eu conheço muita gente, mas a vida aqui é muito corrida, então eu não posso falar que não tenho amigo aqui, mas se precisar de alguém para fazer minha mudança, carregar uma geladeira, ou sei lá é difícil, entendeu? Porque a galera não tem tempo, eu mesmo costumo falar que a gente junta dinheiro por não ter tempo de gastar. Eu trabalho aqui uma média de 70 a 80 horas por semana."


Dicas para quem quer entrar no mercado da tatuagem
Um homem está tatuando uma mulher que está sentada de costas para ele.
Foto: Acervo pessoal / Bruno Freitas.

Bruno pretende continuar tatuando e evoluir, hoje está muito feliz com o que conseguiu conquistar. E para os jovens de Jacarepaguá que sonham em se tornar tatuadores de sucesso ele deixar uma dica muito importante, não trabalhar apenas pelo dinheiro.


"O primeiro conselho que eu daria para qualquer pessoa que tá querendo iniciar, ou está iniciando a carreira é primeiro não tatuar pelo dinheiro. Muito menos por fama, entendeu? Isso aí vem com o resultado de um bom trabalho, simples assim. Eu não sou o tatuador mais famoso do mundo, não pretendo ser."









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