• Fernanda Calé

Setembro chegou e o Dia da Comunidade de Rio das Pedras também


A foto foi tirada de um local alto para mostrar a movimentação de uma rua, na igem podemos ver casas e prédios, ao fundo um morro com moradias de uma favela, na rua pode-se ver carros parados e um ônibus circulando, além de pessoas e um céu azul com nuvens brancas.
Foto: Agência Lume.

Desde 2005, o dia 6 é uma data oficial no calendário do município.

 


 

O momento é de celebração. No mês passado a Lume completou 2 anos, e agora setembro chegou com mais uma data importantíssima, o Dia da Comunidade de Rio das Pedras. Instaurado no calendário oficial do município do Rio de Janeiro, desde o ano de 2005.


Se Rio das Pedras tem uma data de aniversário não sabemos, mas de fato, há 17 anos tem um dia só seu. Um momento de parar e pensar sobre todos os caminhos que nos trouxeram a este lugar, que para nós é tão complexo e representativo.


A Lume vive falando de Rio das Pedras, ano passado fizemos um outro editorial bem nostálgico que tentou traçar os diversos sentimentos que envolvem ser um Rio das Pedrense. (você pode ler aqui).


Mas nesse ano de 2022, pensamos em deixar algumas reflexões. Cada um pode pensar ou não sobre o tema, pode responder ou não, e também pode ou não gostar, mas vale a reflexão.


Durante todos esse anos, uma das coisas que mais incomodaram muitos moradores foi como nos marginalizavam em todos os cantos. A propósito, esse foi um dos motivos pelo qual a Lume e sua equipe decidiram criar uma agência de notícias com moradores, e que falasse para moradores.


A forma como se referem ao lugar onde vivemos e construímos não só uma vida, mais uma história, não é um exclusividade de Rio das Pedras, está presente em diversas áreas periféricas, mas não deixa de incomodar. Somos constantemente reduzidos ao clichês mais injustos, e dizer "moro em Rio das Pedras" se tornou muito difícil.


Desde as primeiras ocupações, moradores mais antigos já se queixavam da falta de serviços públicos e do preconceito que moradores de bairros vizinhos, e mais ricos, tinham com a região. Éramos vistos apenas como massa trabalhadora. É um orgulho muito grande ser um trabalhador, ser inferiorizado é o problema.


O tempo foi passando e os serviços foram chegando, Rio das Pedras ficou enorme, com um contingente populacional maior do que em muitas cidades do Brasil. Mas ainda hoje nem mesmo a mídia sabe dizer onde começa e o onde termina Rio das Pedras.


Quantas vezes corremos até a frente da TV para assistir uma matéria, pois o repórter dizia "estamos em Rio das Pedras", mas grande era nossa cara de surpresa ao perceber que o jornalista estava na Muzema.


Não saber onde se inicia e onde termina uma região não é um erro qualquer. Com certeza as mídias sabem onde começa e onde termina o bairro de Copacabana, e tantos outros do Rio. Ninguém é obrigado a saber, mas tem o dever de perguntar já que pretende 'informar'.


Ou será que colocar na conta do Rio das Pedras, ou da Muzema, problemas que não são desses lugares não vai fazer diferença? "Rio das Pedras já vive alagado mesmo, e daí que era Muzema?"


Então a reflexão que deixo hoje é a de que depois de tantos anos, Rio das Pedras e seus moradores ainda não tem sua identidade local respeitada. Pessoas que chegam a outros lugares e falam bem de Rio das Pedras muitas vezes são mal vistas.


"Como pode alguém gostar de viver num lugar tão sujo?"


Entretanto, se calar ou dizer alguma coisa depende apenas da gente. Por isso, neste dia 6, convido você leitor, a publicar uma foto de Rio das Pedras. Pode ser você na comunidade, pode ser uma paisagem, ou qualquer outra imagem que ache importante.


Publique uma foto de Rio das Pedras e marque a Agência Lume. Vamos juntos comemorar mais um dia 6 de setembro, e mostrar ao resto da cidade que existe sim muita coisa boa na nossa comunidade.



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