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O Gigante Adormecido da Guanabara


Na imagem podemos ver uma formação rochosa da cidade do Rio de Janeiro e as aguas do mar  em um dia de sol.
Morros do Pão de Açúcar e da Urca / Val Costa.

Por: Val Costa.

 

Em 22 de agosto comemora-se o Dia do Folclore Brasileiro. O folclore pode ser definido como um conjunto de costumes, lendas e manifestações artísticas preservadas por um povo. Quase todos os habitantes da nossa cidade já ouviram histórias sobre o Saci-Pererê, a Mula-Sem-Cabeça, o Curupira e o Boto. Entretanto, poucos cariocas conhecem lendas sobre personagens e locais do Rio de Janeiro. O texto desse mês pretende apresentar uma delas: o Gigante Adormecido da Guanabara.

 
 

Essa lenda tem como pano de fundo o Maciço da Tijuca, que é constituído por um conjunto de elevações situadas entre o oceano, a planície urbanizada e a Baixada de Jacarepaguá. É, em sua maior parte, de natureza gnáissica, despontando em trechos limitados o embasamento granítico, como é o caso da Pedra da Gávea.


Ao entrar no Rio de Janeiro pela Baía de Guanabara, pode-se ver o formato do corpo de um gigantesco homem deitado, formado pelos contornos dos morros que compõem o Maciço da Tijuca. As partes do seu corpo são constituídas pelo Pão de Açúcar, Corcovado, Pedra da Gávea e outros morros desse maciço. Essa formação abrange sete bairros (Barra da Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Urca) e estende-se por, aproximadamente, 18 quilômetros de extensão.


Existem várias versões sobre o “Gigante Adormecido”. Vamos aqui abordar duas delas.

Há muitos anos, a América do Sul era habitada por um gigante constituído por rochas. Um dia a criatura resolver caminhar para leste, região na qual predominava uma vasta floresta tropical e também um litoral com lindas praias. Parando próximo à Baía de Guanabara, o gigante deitou-se, olhou para o céu azul e adormeceu. Até hoje observa-se o contorno do seu corpo circundando a baía supracitada.


Uma outra lenda diz que, há muito tempo, um gigante foi transformado em rocha pelos deuses por assassinar um bela índia pela qual havia se apaixonado. Em dias nublados ele resolve se levantar e passear pela região, pois, como a área está encoberta por nuvens, as pessoas não notariam a sua falta.


Essa lenda foi retratada no poema “O Gigante de Pedra”, escrito por Antonio Gonçalves Dias. Seguem duas estrofes do mesmo:


Gigante orgulhoso, de fero semblante,

Num leito de pedra lá jaz a dormir!

Em duro granito repousa o gigante,

Que os raios somente puderam fundir.


E lá na montanha deitado dormido

Campeia o gigante! — nem pode acordar!

Cruzados os braços de ferro fundido,

A fronte nas nuvens, e os pés sobre o mar!

 
 Na imagem podemos ver Val Costa, um homem branco com cabelos pretos com fios grisalhos. Val está usando uma camisa cinza com estampa preta de uma mapa mundi.





Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.

 

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