A História do bairro do Campinho
- IHBAJA
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Por: Val Costa.
Professor de Geografia e membro do IHBAJA.
O atual Largo do Campinho era um entroncamento existente na Estrada Real de Santa Cruz. Nele, os viajantes descansavam e os seus cavalos pastavam em um verdejante gramado que, por sua dimensão reduzida, passou a ser chamado de “campinho”.
A Estrada Real de Santa Cruz foi construída seguindo o trajeto do antigo Caminho dos Jesuítas, criado por essa ordem religiosa no século XVII. Essa via iniciava em São Cristóvão e ia até a Fazenda Imperial de Santa Cruz. Daí se ligava a Itaguaí. A seguir, prosseguia, entrando na Província de São Paulo por Bananal.
No início do século XVIII, toda a área compreendida entre os morros do Dendê, Valqueire e da Bica era chamada de Campinho. Nesse período, a circulação de tropeiros transportando ouro e diamantes das Minas Gerais e de Mato Grosso era intensa na Estrada Real. Essa riqueza era levada até o porto do Rio de Janeiro, onde era embarcada para Portugal.
O líder da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, pernoitou em uma estalagem no Largo do Campinho. Ele fazia a sua última viagem, pois, no dia seguinte, foi preso na Rua dos Latoeiros, atualmente Rua Gonçalves Dias, no Largo da Carioca. Ao lado da estalagem onde pernoitou Tiradentes havia o oratório da Fazenda do Campinho, de propriedade de Dona Rosa Maria dos Santos. Atualmente, no mesmo local, existe a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.
Na metade do século XIX, o Largo do Campinho se consolidou como um dos principais Pólos Atacadistas de produtos alimentícios dos subúrbios cariocas. Nessa época, foram construídos galpões e trapiches nos quais esses produtos eram armazenados.
Em 1822, no alto de uma colina no Largo do Campinho, foi construído o forte de Nossa Senhora da Glória. Em 1852, ele foi transformado em Imperial Laboratório Pirotécnico do Exército. No século XX o local abrigou o Regimento Moto – Mecanizado e o Núcleo da Companhia de Comunicações da Divisão Blindada do Exército.
A estalagem onde pernoitou Tiradentes e o conjunto arquitetônico formado por lojas e armazéns foram tombados pelo poder público municipal, pelo decreto-lei no 24.560, de 25/08/2004. No ano de 2010, esses imóveis foram destombados, desapropriados e demolidos pela prefeitura para a construção do Mergulhão Clara Nunes, primeira etapa para a implementação do corredor viário do BRT Transcarioca.

No bairro do Campinho nasceu e foi criada Arlette Pinheiro da Silva Torres, cujo nome artístico é Fernanda Montenegro. A pacata Rua Alaíde “testemunhou” o nascimento de uma das maiores estrelas da nossa teledramaturgia, sendo indicada ao Oscar de Melhor atriz pela sua atuação no filme “Central do Brasil”.

Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.
