• Agência Lume

O carioca que chega ao dia 31 é um sobrevivente.



 

Se 2021 fosse uma pessoa, já nasceria cheia de responsabilidades, culpada pelos atos de seu antecessor. 2020 foi um ano muito difícil, foi daqueles que serão lembrados e usados de parâmetro: "nossa como esse ano está ruim ! Só não está pior que 2020".


Muita coisa aconteceu nos últimos 366 dias. A vida como conhecemos mudou muito, nossas certezas se despedaçaram. Crises e revoluções aconteceram, e quando o nosso cotidiano foi alterado, foi quando mais tivemos que aprender.


Alguns prisioneiros em suas próprias casas, outros prisioneiros do medo em transportes lotados e hospitais. Cada um viveu uma luta particular em 2020. Desde a luta financeira, com o desemprego gerado pela crise, a luta pela vida.


Desde o mais cético ao mais crédulo, o vírus pegou todo mundo. Se não pela doença, pela inflação, pela falta do alimento, pela mudança nos paradigmas. Todos foram reféns de um inimigo invisível que pode nos tornar vítimas ou disseminadores.


Home Office, palavra em inglês que nesse ano caiu na boca do povo, virou gancho numa revolução tecnológica que poderia durar alguns anos para se concretizar. Em apenas 12 meses, virou regra.


E para quem pensou que trabalhar em casa era um sonho distante de países europeus, teve que aprender os benefícios desse novo modo de vida, que fez muita gente sonhar com a volta dos escritórios.


A cada dia enfrentamos as consequências de nossas escolhas, de anos de descaso na saúde, de anos de descaso na hora de escolher quem iria cuidar da saúde. Cada manchete de jornal lida mostrava ao eleitor mais descompromissado que a culpa também era dele.


E no meio de tanta revolta, um eleição municipal. Como fazer uma eleição na pandemia? Um recorde de abstenções e faltas. No Rio de Janeiro, mais um governador foi afastado do cargo. E a menos de 10 dias do fim de seu governo, o prefeito é preso.


O carioca que pôde chegar ao dia de hoje (31) sem ter perdido uma pessoa querida, e sem ter sucumbido a tamanho estresse é um sobrevivente. E digo sucumbido, porque as consequências financeiras e físicas estamos vivendo.


Não tem psicólogo que dê conta de tanta gente ansiosa e depressiva. E não é porque não tem psicólogos suficientes, é porque não tem psicólogos na rede pública para atender quem mais precisa.


E daqui a algumas horas vamos inaugurar um ano totalmente novo, que chega tendo que atender tantas expectativas. Coitado. Será que ele vai dar conta de aplicar tanta Vacina?

Não importa, vamos seguir resistindo. E deixando viva a memória de quem merece ser lembrado.


Uma coisa engraça é que em 2019 ficou famosa a hashtag #AnoPassadoEuMorriMasEsseAnoEuNaoMorro inspirada na música 'Sujeito de sorte' de Belchior. Parece que fomos ingratos com 2019.

Com tantas mortes, com tantas pessoas praticamente renascendo após internações complicadas. Com tanta gente que está aprendendo a viver sem pessoas importantíssimas, parece agora, mais do que antes, que uma parte de nós morreu em 2020. E mais vale agora o uso da música de Belchior principalmente do trecho a seguir:


"Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro."

Que 2021 seja tudo o que precisamos.


 

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