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  • Foto do escritorFernanda Calé

Verão 2024: Jacarepaguá está pronta para o período de chuvas?

Atualizado: 3 de jan.

Na imagem podemos ver o bairro da Freguesia pelo alto.
Foto: Agência Lume.

Questionamos os órgãos municipais sobre ações realizadas e planejamentos para as chuvas típicas da estação.

 

O verão trouxe muito calor e uma preocupação agravada pela ação do fenômeno climático El Niño, que é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, e que elevou as temperaturas no país, além dos impactos do aquecimento global.

 
 

Se nos anos sem a presença desses fenômenos agravantes a população de Jacarepaguá, região marcada por um geografia favorável a alagamentos, sofreu com chuvas fortes, que são características da estação, não é de se espantar que os moradores estejam preocupados com o que pode acontece no verão de 2023/2024.


Na região da Baixada de Jacarepaguá, muitos moradores se lembram com tristeza de um temporal que no dia 14 de fevereiro de 1996, precisou de apenas quatro horas para encher o Rio Grande, que atravessa a Cidade de Deus, fazendo-o transbordar e inundar as construções existentes nesse bairro. Dados oficiais relataram que 67 pessoas morreram soterradas, afogadas ou eletrocutadas e mais de 2 mil ficaram desabrigadas.


Na imagem podemos ver uma rua alagada.
Rua de Rio das Pedras após forte chuva no ano de 2020. / Foto: Wellington Melo.

O geógrafo e professor Val Costa, que também é membro do Instituto Histórico da Baixada de  Jacarepaguá (IHBAJA), comentou as características geográficas da nossa região, que fazem com que Jacarepaguá sofra tanto com as fortes chuvas.


"A Baixada de Jacarepaguá é um ambiente costeiro formado por uma planície litorânea situada na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. A bacia hidrográfica dessa região é delimitada pelas encostas do Maciço da Pedra Branca (Oeste), pelo Maciço da Tijuca (Leste) e pelo Oceano Atlântico (Sul). Engloba as Lagoas de Marapendi, das Taxas, de Jacarepaguá, do Camorim e da Tijuca.


Estas lagoas formaram-se após um processo de assoreamento marítimo que resultou na restinga onde se situam os bairros da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes. O conjunto lagunar de Jacarepaguá possui uma área de, aproximadamente, 13,24 km². O desmatamento das vertentes das elevações existentes nesses maciços reduziu a capacidade de infiltração da água no solo, favorecendo o aumento do escoamento superficial e, consequentemente, o acúmulo dessa água nas áreas de planície.


A intensificação da impermeabilização do solo nos últimos 40 anos, a canalização de grande parte dos rios da região e a supressão da mata ciliar dos corpos hídricos locais contribuíram para um aumento considerável dos alagamentos em toda a Baixada de Jacarepaguá."

 
 

No dia 16 de novembro de 2023, a Prefeitura do Rio divulgou o planejamento feito para enfrentar o período de fortes chuvas na cidade. Durante a apresentação do Plano Verão 23-24, o chefe executivo do Centro de Operações Rio (COR), Marcus Belchior, apresentou uma imagem onde era possível ver o histórico de chuvas intensas na cidade, com dias que tiveram chuvas acima de 50mm em uma hora. (veja a baixo)


Na imagem podemos ver gráficos que mostram dados pluviométricos da cidade do Rio de Janeiro.
Foto: Divulgação / Prefeitura do Rio.

Segundo Marcus Belchior, é importante observar que o ano de 1998, que sofreu com os impactos de uma forte atuação do El Niño, apresentou 13 dias em que as chuvas alcançaram a marca. Após 2009, as ocorrências de chuvas acima de 50mm em uma hora aumentaram.


Entretanto, segundo a Prefeitura do Rio, o El Niño provoca aumento da chuva na região Sul e o aumento do calor na região Nordeste, no entanto, não há definição pelos especialistas sobre quais impactos efetivos ele vai provocar na região Sudeste do País.


Preocupada com este cenário ainda incerto, a Agência Lume resolveu entender o que está sendo feito para ajudar a prevenir ou amenizar os alagamentos em Jacarepaguá, principalmente nas regiões de Rio das Pedras, Anil e Freguesia.

 
 

Além disso, também trazemos aqui informações importantes sobre como, segundo a Prefeitura do Rio, o carioca deve agir em dias com temporais e chuvas fortes.


Confira a seguir a entrevista completa realizada por nossa equipe com os órgãos municipais (os questionamentos foram realizados no mês de novembro):


Agência Lume: Quais são as especificidades da baixada de Jacarepaguá que tornam a região mais sensível a alagamentos?


Prefeitura do Rio: Sobre a Baixada de Jacarepaguá, é uma região com terrenos mais baixos em relação ao nível do mar, o que naturalmente dificulta o escoamento da água da chuva.


Os rios da região também são regulados pelas lagoas de Jacarepaguá, que inclusive sofrem influência da maré. As áreas baixas naturalmente têm a tendência de acumular a água da chuva, processo que pode ser agravado com a impermeabilização do solo.


Sobre o Rio das Pedras, a região é formada por um tipo de solo mole e argiloso, que dificulta a infiltração da água, por isso, favorece alagamentos.

 

 

Agência Lume: O que já foi feito, e o que está sendo feito para preparar a região de Jacarepaguá (mais especificamente Anil, Freguesia e Rio das Pedras) para as chuvas deste verão?


Prefeitura do Rio: A Secretaria de Infraestrutura vem realizando obras de drenagem na região de Jacarepaguá (Muzema, Rio das Pedras, Taquara, Curicica e Cidade de Deus).


Os locais ainda estão com intervenções para o enfrentamento das chuvas deste verão, e, por isso, deixaremos equipes de prontidão das empresas contratadas atuantes nesses bairros.


No momento, são sete obras em andamento - Bairro Maravilha Muzema; Bairro Maravilha Engenheiro Souza Filho, no Rio das Pedras; Engenheiro Souza Filho, trecho entre a Muzema e o Rio das Pedras; Bairro Maravilha Comunidade Dois Irmãos - Curicica; Bairro Maravilha Jardim do Amanhã /Casinha Nova /Nova Cruzada -Cidade de Deus; Bairro Maravilha Santa Maria - Taquara, além da obra que termina ainda esse ano do ponto de alagamento mapeado pelo COR na estrada do Catonho/ Cafundá.


Além disso, a Secretaria Municipal de Conservação mantém serviços periódicos de manutenção realizados pelas Gerências de Conservação, tais como: limpeza de galerias de águas pluviais (GAPs), desobstrução de bueiros, poços de visitas e caixas-ralos nessas localidades.


A pasta é responsável pelo serviço de manutenção e limpeza do sistema de microdrenagem, cujo trabalho é parte da rotina diária das Gerências. Entre os equipamentos usados, a pasta tem caminhões conjugados que atuam na mesma estrutura limpando e desobstruindo as galerias.


A Conservação também integra a Operação Ralo Limpo, que faz parte de uma das frentes do Plano Verão 22/23 e que é coordenada pelo Centro de Operações Rio (COR), cujo trabalho é executado em parceria com a Fundação Rio-Águas e Comlurb.


Os órgãos atuam na desobstrução de ralos/bueiros em pontos de alagamentos e bolsões d’água em todas as regiões da cidade. As vias são definidas pelo COR, com base no mapeamento das ocorrências de enchentes e grandes alagamentos no Município para acelerar o escoamento depois das fortes chuvas.


Segue ações do Ralo Limpo na região de Jacarepaguá em 2023:

- Total de ramais e galerias pluviais limpas (metros): cerca de 6.500 mil (metros);

- Total de Poços de Visita (PV) e Caixas-ralo (Unidade): mais de 420 mil (unidades).


Falando um pouco mais sobre a Fundação Rio Águas, é importante destacar que a Fundação atua na limpeza, no desassoreamento e na desobstrução de rios da região de Jacarepaguá. Neste ano, mais de 8 quilômetros de rios receberam serviços, tendo sido retiradas mais de 35 mil toneladas de material assoreado dos canais, que beneficiaram também as localidades do Anil, Freguesia e Rio das Pedras.


Nas proximidades da Comunidade de Rio das Pedras, destacam-se os serviços realizados em 1.600 metros do Rio Retiro e em travessias da comunidade, para melhorar o escoamento das águas pluviais. Atualmente, a Rio-Águas realiza a limpeza no Rio Grande, nas proximidades da Cidade de Deus.


Para prevenir alagamentos e enchentes nas regiões da Taquara e do Tanque, a Rio-Águas executa a obra de canalização do Rio Tindiba, em complementação às intervenções de macrodrenagem já realizadas em rios da região.


Os trabalhos ultrapassam a marca de 500 metros de rio canalizado, ao longo da Avenida Emile Roux. Ao todo, 2,4 km de curso d’água terão as margens recuperadas. O prazo de conclusão é no primeiro semestre do ano que vem.


Agência Lume: Quais serão os benefícios trazidos pelas obras?


Prefeitura do Rio: A subprefeita de Jacarepaguá, Marli Peçanha explica que os benéficos das obras são inúmeros.  


“São demandas que a população aguardava há muito tempo e estão transformando realidades de milhares de famílias. Moradores que antes sofriam com falta de asfalto, com a lama na porta de casa e com vários alagamentos, hoje tem asfalto,drenagem e uma urbanização completa. É a dignidade sendo devolvida à nossa população”.


Agência Lume: Quais ações foram ou estão sendo realizadas nas comunidades Rio das Pedras, Araticum, Canal do Anil, Gardênia Azul e Tirol?


Prefeitura do Rio: Essas áreas e vias são mantidas em constante manutenção por parte da Coordenadoria de Conservação, com serviços de limpeza de galerias pluviais, além de desobstrução de bueiros, boca de lobos, caixas-ralo e poços de visitas.


Na Tirol a Prefeitura realizou mais uma obra de contenção e prevenção contra deslizamentos. O local recebeu a construção de uma cortina ancorada, entre outros serviços. Os investimentos da Fundação Geo-Rio para a recuperação do talude chegaram a R$1,2 milhão.


No Canal do Anil estamos com uma obra na localidade conhecida  como Chico City, que está acontecendo há cerca de três meses e visa acabar com um problema antigo de alagamento devido a uma construção irregular que ali foi erguida. A subprefeita acompanha continuamente o avanço da obra.


Agência Lume: Quais ações preventivas (que não envolvem obras) estão sendo desempenhadas pelos órgãos na região de Jacarepaguá?


Prefeitura do Rio: As Gerências locais da Conservação realizam manutenção constante durante o ano em toda a região de Jacarepaguá. Além disso, a equipe da Seconserva tem realizado, em conjunto com a Comlurb e Rio-Águas, a Operação Ralo Limpo, cuja ação visa fazer a limpeza preventiva do sistema de drenagem.


A iniciativa desse Programa é parte do planejamento estratégico da Prefeitura do Rio, coordenado pelo Centro de Operações do  Rio(COR), para o período chuvoso que atinge a cidade no verão.


O COR divulgou recentemente o Plano Verão 23/24 para todo o município. Algumas das principais ações preventivas foram a mudança da nomenclatura dos estágios operacionais da cidade, a aquisição de um novo radar meteorológico próprio e a contratação de um software de raios.


Agência Lume: Quais serão os principais impactos esperados pela Prefeitura do Rio de acordo com as previsões e estimativas meteorológicas para os meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro?


Prefeitura do Rio: Trata-se de um verão com a atuação do fenômeno climático El Niño, que é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Esse fenômeno provoca o aumento da chuva na região Sul e o aumento do calor na região Nordeste. No entanto, não há uma definição pelos especialistas sobre quais impactos efetivos ele vai provocar na região Sudeste do país.


Agência Lume: Como os moradores podem se informar sobre o que fazer em casos de eventos climáticos atípicos?


Prefeitura do Rio: Por meio do aplicativo do Centro de Operações, que é o COR.Rio, por meio do site do COR, que também é COR.Rio e por meio dos canais oficiais da Prefeitura do Rio. As redes sociais do COR podem ser localizadas por meio do @operacoesrio.


Agência Lume: Como os moradores devem agir caso as sirenes toquem?


Prefeitura do Rio: Em caso de acionamento de sirenes, os moradores devem pegar remédios, documentos, animais de estimação e se dirigirem aos pontos de apoio.


Agência Lume: Quais são os pontos de apoio e abrigo nas regiões da Freguesia, Rio das Pedras e Anil, para moradores em casos de desastres?


Prefeitura do Rio: A lista com os pontos de apoio pode ser localizada no seguinte link: https://www.rio.rj.gov.br/


Agência Lume: O que fazer em meio a um temporal com alagamento?


Prefeitura do Rio: A recomendação é evitar deslocamentos e manter-se em um ponto seguro.


Agência Lume: Caso não consiga evitar o deslocamento durante eventos atípicos, como o morador deve proceder?


Prefeitura do Rio: A recomendação é evitar deslocamentos e manter-se em um ponto seguro.


Agência Lume: O que fazer se for exposto a água contaminada ao enfrentar um alagamento?


Prefeitura do Rio: Procurar unidade de atenção primária de referência para realizar a avaliação.


Agência Lume: Em caso de perda de casas em deslizamentos, quais órgãos podem ser procurados e quais são os direitos do cidadão?


Prefeitura do Rio: Em circunstâncias de desastres com impacto em domicílios, os cidadãos devem acionar os órgãos responsáveis pela “primeira resposta”, ou seja Corpo de Bombeiros (Tel.193) e Defesa Civil Municipal (Tel. 199 ou 1746), visando salvaguardar vidas (resgates/atendimentos emergenciais pela Saúde), a avaliação dos riscos, a orientação à população e o isolamento do local para a segurança comunitária.


Agência Lume: Em caso de perda de bens em alagamentos, como os órgãos da prefeitura prestam apoio ao cidadão?


Prefeitura do Rio: Em circunstâncias de desastres com impacto em domicílios, seja por alagamento, incêndios, deslizamentos, colapsos estruturais, entre outros tipo de evento, a partir da atuação dos órgãos de primeira resposta, ou seja Corpo de Bombeiros (Tel. 193) e Defesa Civil Municipal (Tel. 199 ou 1746), outros órgãos podem ser acionados para providências relativas às ocorrências.


O acionamento é realizado pela Defesa Civil Municipal, conforme natureza das intervenções necessárias. A Secretaria Municipal de Assistência Social(SMAS) pode ser acionada pela Defesa Civil em duas situações:


1) No caso de demandas de famílias desabrigadas - sem rede de suporte familiar ou comunitária para se estabelecer, para atendimento prioritário visando a oferta de acolhimento institucional. No curso do acolhimento são tratadas todas as demandas socioassistenciais evidenciadas, como: 2a via de documentação extraviada, oferta de serviços do cadastro único, articulação de demandas com demais políticas setoriais e mobilização de possível rede de apoio, visando reinserção comunitária.


2) No caso de famílias desalojadas ou que permanecem em residências não interditadas, mas que sofreram perdas materiais em razão de desastres, o atendimento presencial será acordado com a família, nos equipamentos da Assistência Social de Proteção Social Básica - Centro de Referência de Assistência Social -CRAS de referência do território ou em base de apoio próximo à localidade, visando o cadastramento, levantamento de demandas socioassistenciais, como por exemplo, a segunda via de documentação extraviada, oferta de serviços do cadastro único e articulação de demandas com demais políticas setoriais, e quanto a necessidade de insumos emergenciais, que são ofertados mediante avaliação técnica, disponibilidade e normativas institucionais.


3) No caso de família que permanecem nos domicílios interditados, a SMAS realiza os atendimentos sociais, para cadastramento e levantamento de demandas socioassistenciais, e os CRAS seguem na referência quanto às necessidades evidenciadas, como exemplo, a segunda via de documentação extraviada, oferta de serviços do cadastro único e articulação de demandas com demais políticas setoriais.



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