• Fernanda Calé

O rio que transportava Pedras


Trecho em que o rio das Pedras encontra a comunidade. / Foto: Neto Paiva

Veja o estado atual do rio que possui o mesmo nome da nossa comunidade.

 

A vida da nossa comunidade começa e se mantém ligada intimamente à história do rio Das Pedras, córrego que corta a região onde se situa a favela de Rio das Pedras. O córrego nasce no maciço da Tijuca, passa pela comunidade do Sertão e então chega ao condomínio Floresta Country Club encontrando a sua comunidade homônima logo depois.

 

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Segundo o geógrafo Adão Osdayan de Cândido, autor da tese “Impactos da urbanização nas condições geomorfológicas da bacia hidrográfica do Rio das Pedras”, o nome do rio faz referência a sua força.

“É um rio que transporta blocos, pedras, ou seja, um rio que tem muita força, aparentemente a gente olha ele...é um rio pequeno, mas num evento de muita chuva, como já aconteceu várias vezes em Jacarepaguá, o rio Das Pedras pode transportar muita coisa”, explica o geógrafo.

Além do rio Das Pedras, existe um outro córrego na região chamado rio Retiro e ambos, segundo o geógrafo, formam a microbacia de Rio das Pedras.


O rio, que foi inspiração para o nome da comunidade, e que há anos serve o Rio das Pedras, segue por toda a extensão da favela. O córrego recebe as águas do rio Retiro na região da avenida Engenheiro Souza Filho, entra na areinha e termina seu trabalho desaguando nas lagoas da Barra da Tijuca.


Durante o início das ocupações da comunidade, no fim dos anos 1950, quando as casas não tinham abastecimento de água, o rio das Pedras era essencial na vida dos moradores. Os primeiros moradores fixaram suas residências perto do rio, na região da rua Velha, exatamente pela facilidade em acessar o rio para buscar água para beber, tomar banho e lavar roupas.


Maria da Penha, 78 anos, chegou em Rio das Pedras há 66 anos, vinda de Miracema, uma cidadezinha no interior do Rio de Janeiro, junto com a família. Dona Penha, como é conhecida, é moradora da rua Almira e conta que ainda no ano de 1975, quando houve uma grande expansão da comunidade, era comum tomar banho e usar as águas do rio:

"A minha mãe na época estava na Muzema, mas depois viemos para cá, para Rio das Pedras. Lavava roupa no rio, tinha um poço aqui na minha porta mas a água não era tão boa e pegava água para beber, o rio que tem até hoje ali, que hoje é uma vala né." - Maria da Penha.

Trecho do rio das Pedras na região da Areinha, ao fundo prédios da Barra da Tijuca. / Foto: Neto Paiva

Atualmente o rio das Pedras encontra-se poluído e assoreado. Ele recebe todo o tipo de desjeitos das moradias da comunidade que não possuem rede de tratamento de esgoto. O córrego também costuma transbordar em momentos de grandes chuvas, o que causa grandes prejuízos às famílias que moram em seu entorno, e gera riscos a saúde dos moradores, que esperam medidas que possam melhorar a situação do rio Das Pedras.

 


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