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A tradição carnavalesca de Jacarepaguá


Matéria do Jornal Correio da Manhã - 1959

Por: Val Costa

Professor e pesquisador do IHBAJA

 


 

Diferentemente do que muitos pensam, o Carnaval não é uma festa genuinamente brasileira. Ela surgiu em Portugal, e era chamada de entrudo pelos habitantes das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. O entrudo foi influenciado pelos carnavais de Veneza, Paris e Roma, que se caracterizavam por desfiles urbanos, onde os foliões usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o rei momo também são de origem européia. Quando chegou ao Brasil, no século XVII, essa festividade englobava correrias, mela-mela de farinha, água com limão e batalhas de confetes com serpentinas.


No fim do século XIX, essa agitação das ruas começou a incomodar a elite carioca, que passou a “organizar” e classificar os diferentes grupos que dela participavam. Surgem desse modo os conceitos de “Grande Carnaval” e “Pequeno Carnaval” com o objetivo de separar a brincadeira de elite (sociedades carnavalescas, bailes mascarados) das diversões populares (blocos, ranchos ou cordões). Somente em 1930, o interventor do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto, oficializaria a festa carioca e acabaria com essa discriminação.


A primeira escola de samba do Rio de Janeiro chamava-se Deixa Falar. Foi criada, em 1927, pelo sambista carioca Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá.


A Região de Jacarepaguá sempre teve uma grande tradição no Carnaval de rua. Desde o bloco dos grandes bonecos do Seu Mé, que desfilava pela Estrada do Pechincha na década de 1950, passando por antigas escolas de samba como a Império de Jacarepaguá e a Unidos do Marangá e chegando até as atuais agremiações e blocos carnavalescos que arrastam milhares de foliões pelas avenidas e ruas da cidade. Em meados do século passado, os foliões da região eram classificados como “sujos” e “limpos”. Os primeiros faziam parte dos blocos que saíam de manhã e só voltavam no final da tarde para as suas casas; e os “limpos” eram pessoas mais abastadas que pulavam carnaval nos clubes da região, como o Clube Olímpico e o Jacarepaguá Tênis Clube respectivamente localizados na Freguesia e na Praça Seca.


Além disso, os blocos “Elas e Elas” e "Empurra que entra", juntamente com as escolas de samba Renascer de Jacarepaguá (oriunda do Bloco Carnavalesco Bafo do Bode), União de Jacarepaguá, Parque Curicica, Unidos do Anil e Mocidade Unida de Jacarepaguá mantêm a tradição carnavalesca da região viva.

 






Val Costa é professor de Geografia e Membro do Instituto Histórico da Baixada de Jacarepaguá.

 


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