• Agência Lume

Homem morre após ficar sem remédio para asma, família acusa rede de farmácias de negar atendimento

Atualizado: 22 de set. de 2020


A morte aconteceu na noite da última sexta-feira (18/09), o homem de 32 anos estava sem máscara e por isso funcionários teriam o impedido de entrar no estabelecimento.

Por: Fernanda Calé e Wellington Melo.

Matéria atualizada em 22/09/2020, às 14h05.

 

Weleisom Silva Ferreira de 32 anos, morreu após ficar sem seu remédio para asma, o morador da comunidade de Rio das Pedras tentou comprar o medicamento em uma farmácia na comunidade, mas teria sido impedido de entrar por estar sem máscara.

O caso aconteceu na noite da última sexta-feira, em uma loja de uma grande rede de farmácias, em Rio das Pedras.

Segundo a família, Weleisom chegou a ficar sem ar e só entrou no estabelecimento após um amigo conseguir uma máscara para ele, os funcionários teriam vendido a ele um medicamento, mas o homem não resistiu e acabou falecendo dentro do estabelecimento.

Wesley, irmão da vítima, disse a Agência Lume que Weleisom costumava usar uma bombinha quando a asma atacava e que o jovem já estava sem ar quando finalmente foi atendido:

"Quando o amigo dele chegou com a máscara ele tava muito fraco e sem força, mas conseguiu entrar, falaram lá que deram o remédio na mão dele e ele tomou o remédio sozinho. Falaram que foi Berotec, mas Berotec não pode vender sem a receita. Se passa da dose pode acontecer oque aconteceu."

Ana Patrícia Rodrigues, era chefe de Weleisom, ela conta que recebeu uma ligação e foi avisada que um funcionário estava desmaiado, e que ao chegar ao local foi informada pela gerente da farmácia que os funcionários haviam atendido Weleisom e dado a ele um remédio:

" A gerente me informou que ele entrou pedindo ajuda, e remédio, e ela deu a ele, só que quando vi ele caído no chão eu e meu esposo corremos para chamar ambulância e ao mesmo tempo ver um carro nosso para levar ele, e nesse meio tempo da correria ele teve convulsão."

Ana Patrícia também falou sobre a tentativa de conseguir atendimento com uma ambulância que passava no local:

"Quando vi ele caído no chão eu e meu esposo corremos para chamar ambulância e ao mesmo tempo ver um carro nosso para levar ele, e nesse meio tempo da correria ele teve convulsão e os funcionários da farmácia nem se quer vieram ajudar, vieram pessoas da rua para poder puxar a língua dele, meu esposo quando viu Corpo de Bombeiros passando a gente gritando pedindo ajuda eles não pararam. Meu esposo de moto jogou a moto na frente deles e meio que obrigou eles a virem, senão ele ia denunciar a eles, eles vieram de má vontade."
"Todos que estavam tentando ajudar correram para a ambulância pedindo para eles correrem pois ele estava tendo uma convulsão, e mesmo assim eles reclamando que não era chamado deles, que não era assim que funcionava. Um dos socorristas da ambulância chegando, eu implorando para correr e ajudar, eles vieram reclamando. Nas câmeras da pra ver na entrada eu xingando ele, quase ia para cima dele, ele entrando apenas olha nem se quer faz uma massagem ou vem com oxigênio. A médica chegando só olha, não nos da explicação nem nada. A gente 'perguntando vocês vão só olhar não vão fazer nada?', depois de um tempo a médica começa fazer suposições ... a gente pedindo o frasco do que deram pra ele ao pessoal da farmácia, eles esconderam e não quiseram mostrar, mas a gerente me afirmou que deu remédio a ele e depois tomou dele quando ele caiu no chão".

Segundo pessoas que estavam no local, e a família da vítima, houve negligência no atendimento, tanto da equipe da farmácia, como dos socorristas que estavam no local.

A família registrou o caso na 32ª DP, localizada no bairro da Taquara em Jacarepaguá.

O que dizem os citados:

A Agência Lume entrou em contato com a Polícia Civil, mas até o momento da publicação desta reportagem a assessoria de comunicação do órgão ainda buscava informações sobre o caso.

Nós também entramos em contato com o Corpo de Bombeiros, e fomos informados que deveríamos entrar em contato com a SAMU.

A SAMU por sua vez, informou a nossa equipe que não tem nenhum registro do atendimento do caso, e disse que deveríamos entrar em contato com a Defesa Civil para saber quem removeu o corpo.

A assessoria de comunicação da Defesa Civil disse que não tem as informações, e que deveríamos entrar em contato com o Corpo de Bombeiros.

Voltamos a falar com o Corpo de Bombeiros, fomos informados que eles também não tinham nenhuma informação, e sugeriram a nossa equipe que entrasse em contato com a Polícia Civil.

A Agência Lume entrou em contato com a rede de farmácias, mas até o momento não tivemos nenhuma resposta.

 

ATUALIZAÇÃO: Procuramos a Assessoria da Polícia Civil, que nos informou que as investigações estão em andamento. E que a equipe da delegacia aguarda o laudo cadavérico para a confirmação da causa mortis. As testemunhas e os funcionários da farmácia serão intimados para prestar esclarecimentos.

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